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Mercosul fecha novo acordo com Associação Europeia de Livre Comércio


O Mercoul e a Associação Europeia de Livre-Comércio (EFTA, na sigla em inglês) - formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein - fecharam ontem, em Buenos Aires, um acordo de livre-comércio. Integrantes da equipe econômica consideraram esse acordo mais abrangente e ambicioso do que o firmado com a União Europeia no fim de junho. 

Do ponto de vista político, a conclusão das negociações com países europeus trouxe uma conquista para o presidente Jair Bolsonaro em meio à troca de farpas com alguns líderes do bloco.

O secretário especial de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, disse que as negociações concluídas ontem foram "bastante abrangentes" e envolvem desde redução de tarifas à facilitação de serviços e investimentos. Uma nota com os detalhes do acordo deve ser divulgada hoje pelo Itamaraty.

"É mais um passo decisivo no processo de inserção econômica internacional do Brasil e de abertura comercial. Isso não apenas expande os nossos mercados de destino como ajuda na recepção de investimentos de qualidade", afirmou Troyjo.

De acordo com o secretário, o Brasil será beneficiado, principalmente, com o acesso privilegiado a exportações de carne bovina, frango, milho, café, frutas e suco de frutas para os países do bloco.

Para o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz, o acordo é "mais ambicioso" do que o assinado em junho com a União Europeia. Cobre 98% do comércio bilateral e envolve bens agrícolas e industriais, serviços, investimentos, compras governamentais, facilitação de comércio e barreiras regulatórias.

O compromisso é que a EFTA zere imediatamente as tarifas de importação cobradas hoje de produtos exportados pelo Mercosul para a região. Já o bloco sul-americano vai levar 15 anos para chegar às tarifas zero, sendo 85% das taxas retiradas nos primeiros dez anos.

Produtos como café, frutas e soja terão tarifas zeradas imediatamente. Para alguns produtos, foram estabelecidas cotas para exportação sem tarifas, que serão adicionadas aos volumes vendidos hoje. No caso da carne bovina, a cota adicional será de 25,5 mil toneladas. Para frango, será de 78 mil toneladas e, para milho, de 77 mil toneladas.

Conclusão

As negociações com a EFTA começaram em janeiro de 2017 e chegaram a uma conclusão na décima rodada de negociações, em Buenos Aires, na sexta-feira. Ferraz ressaltou que a região da EFTA tem o maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita do mundo e tem um PIB conjunto de US$ 1,1 trilhão, duas vezes o PIB da Argentina, que é um dos principais parceiros do Brasil.

A corrente de comércio do Brasil com a EFTA foi de US$ 8,5 bilhões, entre bens e serviços. As principais exportações brasileiras para o bloco são produtos químicos, ouro, soja, café e aviões, enquanto as compras são de farmacêuticos, químicos e máquinas e equipamentos.

O Mercosul continua negociando outros acordos com diferentes países. Os processos de negociação mais avançados envolvem Coreia do Sul, Cingapura e Canadá. Ontem,o presidente Donald Trump saiu em defesa do presidente Jair Bolsonaro e disse que está animado com as perspectivas de futuros acordos entre eles.
 
Do lado político, Bolsonaro celebrou o resultado nas redes sociais. "Mais uma grande vitória de nossa diplomacia de abertura comercial", escreveu no Twitter.

Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que o acordo é "um passo importante na estratégia de abertura comercial do Brasil e na maior inserção internacional da indústria". Também destacou que as exportações brasileiras para os países da EFTA estão no menor nível da última década e que o acordo deve "reverter esse cenário".

Fonte: O Estado de S. Paulo

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