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Tudo indica que níveis acima de 400 cents devem ficar por um longo período


Por José Roberto Marques da Costa 

O volume de negócios em NY atingiu 35.053 lotes, 2.518 lotes a menos do pregão anterior, quando teve a volatilidade de 16,60 cents. Dezembro fechou em alta de 8,60 cents (2,27%) a 386,10 cents, maior nível desde 30/04/2025, variação 17,65 cents, de 371,05 cents a 388,70 cents, sem força para buscar o primeiro suporte em 371,03, mas rompendo a primeira resistência em 387,63 cents. Na semana acumula alta de 7,80 cents (2,06% ) e em agosto alta de 97,40 cents ( 33,74% ). Os estoques certificados diminuíram 4.740 sacas para 710.196 sacas e esperando certificação 49.910 sacas e no mês de agosto acumula queda de 60.425 sacas ( 7,84% ).  Há um ano eram de 840.190 sacas, queda de 129.994 sacas. 

O volume de negócios em Londres atingiu 15.409 lotes, 1.484 lotes a menos do pregão anterior, quando teve a volatilidade de US$ 204/t. O novembro fechou em alta de US$ 7 (0,14%), a US$ 4.815/t, variando US$ 155, de US$ 4.711/t a US$ 4.866/t, chegando a romper o primeiro suporte do dia em US$ 4.731/t, mas sem força para buscar a primeira resistência em 4.935/t. Na semana acumula alta de US$ 165 ( 3,05% ) e em agosto alta de 97,40 cents ( 33,74% ) e no mês alta de US$ 1.414 ( 41,5% ). O diferencial entre as duas bolsas fica em 166,90 cents, alta de 25,36 cents ante ao diferencial de 141,54 cents no começo de agosto. 

O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) referente a 26 de agosto mostram que os grandes fundos aumentaram em 4.765 lotes suas posições compradas e 1883 lotes suas posições vendidas, neste período a variação de setembro passou de 349,05 cents a 372,30 cents, alta de 23,25 cents. Os dados mostram posições líquidas compradas dos grandes fundos aumentaram 10%, acumulando alta de 21,20% nas últimas duas semanas. As posições abertas tiveram forte alta de 10%, passando 188.038 lotes para 206.805 lotes.

Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras os grandes fundos possuíam 34.437 posições líquidas compradas, sendo 50.575 posições compradas e 16.391 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 19 de agosto, eles tinham 31.311 posições líquidas compradas sendo 45.809 posições compradas e 14.498 posições vendidas. As empresas comerciais tiveram alta de 10,5% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 26, saldo de 36.181 posições líquidas vendidas, sendo 72.766 posições compradas e 108.947 vendidas. No relatório anterior do dia 19, possuíam 32.758 posições líquidas vendidas, sendo 70.537 posições compradas e 103.295 vendidas. 

Os contratos futuros do café arábica de dezembro encerrou o mês de agosto no maior nível em quatro meses, mas não conseguindo atingir a máxima da semana em 391,30 cents. Os especuladores de plantão, começaram o dia pressionando na busca da terceira realização de lucro nos últimos 23 dias, mas, coberturas de posições acima do primeiro suporte em 371,03 cents, bem longe do forte suporte de curto prazo em 365,00 cents, devido a dificuldade de maiores queda, eles mudarem suas posições de vendedores para compradores na última parte do parte pregão. Nos cinco pregões da semana, a volatilidade média diária atingiu 15,80 cents, no mês de agosto acumula alta de 97,40 cents ( 33,74% ), variando nos últimos 23 dias a volatilidade atingiu 104,90 cents (36,62%) de 286,40 cents (06) 391,30 cents (26), acumulando alta de 99,70 cents ( 34,8% ).

Os traders disseram que a recente alta foi alimentada, em parte, por uma queda nos estoques certificados da bolsa, já que os torrefadores dos EUA procuram fontes alternativas de suprimento depois que o governo americano impôs uma tarifa de 50% sobre as importações de café brasileiro. Eles também observaram que seriam necessárias chuvas em setembro para melhorar as perspectivas para a safra de arábica do próximo ano no Brasil, mas tudo indica que as regiões cafeeira do Brasil deve passar uma estiagem com temperaturas altas.

Segundo nota do Rabobank, os preços foram sustentados por compras especulativas, tendo como pano de fundo a queda nos estoques da bolsa, enquanto os torrefadores dos EUA lutam para garantir o abastecimento. Embora a alta dos preços do robusta e do arábica possa ter se desacelerado, não se pode descartar novos aumentos de preços no curto prazo. A atividade especulativa continua influente em um ambiente de baixo estoque e baixa liquidez. 

Nesta semana a bolsa de NY teve movimento corretivo é natural e demonstra sinais de que o mercado está fortemente sobrecomprado, mas o cenário persiste envolvendo preocupações com a oferta, com quedas nos estoques certificados que estão nos níveis mais baixos nos últimos 15 meses e aperto entre produção e consumo global vai continuar, uma vez que não há estoques suficientes nos países produtores e nem consumidores.

Os dados das regiões produtoras indicam um declínio significativo na produção de café do Brasil na safra 2025-2026, com muitas plantações de café arábica em más condições após um clima seco e quente em 2024, combinado com a pouca chuva em fevereiro e março deste ano. Essas condições climáticas adversas reduziram a produtividade tanto na colheita quanto no processamento.

Segundo estimativas de especialistas brasileiros, a produção da safra atingirá apenas 48-52 milhões de sacas. Com um consumo interno de cerca de 21,5 milhões de sacas e estoques inferiores a 1 milhão de sacas, as exportações brasileiras no período de julho de 2025 a junho de 2026 podem atingir apenas 26,5-30,5 milhões de sacas, muito abaixo da previsão de 41,75 milhões de sacas anunciada pelo USDA em maio e também o menor nível em muitos anos.

Anteriormente, graças aos preços do café permanecerem altos ao longo de 2024 até o início de abril deste ano, as atividades de exportação dos quatro principais países produtores: Brasil, Vietnã, Colômbia e Indonésia tornaram-se mais vibrantes do que nunca. No entanto, esse crescimento esgotou rapidamente as reservas, estreitando significativamente o espaço para exportação na safra de 2025-2026. A maior pressão recai sobre o Brasil – um país com estoques baixos, ao mesmo tempo, enfrentando queda acentuada na produção.

Na artigo desta semana de Eduardo Carvalhaes, ele descreve a triste realidade do mercado " Essas altas são reflexo do padrão climático, que continua irregular e imprevisível no Brasil, com secas, chuvas insuficientes e frentes frias produzindo geadas e queda de granizo em cafezais das principais regiões produtoras de café do Brasil, afastando a possibilidade de uma safra recorde de café no Brasil em 2026. Acrescente-se a esse cenário os estoques de café em níveis historicamente baixos, tanto nos países produtores como nos países consumidores e a desorganização no comércio internacional de café com o tarifaço dos EUA sobre os cafés do Brasil, maior produtor do mundo e maior fornecedor para o mercado americano".

Pelo andar da carruagem, tudo indica que os contratos futuros em NY devem voltar a operar acima de 400 cents na próxima semana, depois de quatro meses, mas antes, deverá ter uma grande "briga" para romper este nível considerado psicológico pelo mercado. Além do fundamento das mudanças climática que está reduzindo profundamente a produção mundial, com os estoques mais baixos da história, aumento global de consumo, que está refletindo diretamente nos preços.

Em setembro, com a grande possibilidade da queda dos juros americanos que deve ser anunciado pelo Fed, vamos ter mais um fundamento que teve alimentar mais altas com a migração dos investidores do mercado financeiro para as commodities. O reflexo deste migração está valorizando o ouro, que nesta sexta-feira(29) ultrapassou o nível de US$ 3.500 e fechando a US$ 3.530 a onça. Pelo aumento de volume de mais 30 mil lotes nos contratos abertos de café arábica em NY nas últimas duas semanas, passando de 176.165 lotes para 206.805 lotes, números que aparecem somente em semana de vencimento das opções, esta migração já está acontecendo e deve aumentar significante com confirmação da queda de juros podendo levar o níveis acima do recorde histórico de 425 cents. Tudo indica que níveis acima de 400 cents em NY deve ficar por um longo período   

A doze meses atrás, os contratos em NY estavam operando a nível de 250 cents e o preço interno da saca de café  em R$ 1.500,00. Depois de seis meses, os contratos aumentaram 70% passando para 425 cents e o preço as saca a R$ 3.000,00, com a entrada da safra "surpresa" do Brasil, os contratos voltaram a nível de 280 cents e preço a R$ 1.800,00 a saca. Atualmente, os estoques remanescente estão menores, a safra foi mais baixa e consumo aumentando, tudo indica, que níveis acima de 400 cents vai ficar por muitos meses e que no médio prazo teremos em NY e Londres novos recordes históricos. A grande pergunta do mercado: Até que níveis os contrato futuro de café devem chegar?. Como o mercado é soberano, ele deve buscar um outro ponto de equilibro nos próximos meses.        

A tese que aumento de preço do café poderia diminuir o consumo mundial, está sendo abandonada pelo mercado, depois que a M Smucker divulgou lucros do primeiro trimestre fiscal que ficaram um pouco abaixo das expectativas, mas elevou sua perspectiva de vendas para o ano inteiro, projetando um crescimento de até 5%, contra a previsão anterior de até 4%. O café continua sendo o principal impulsionador do crescimento, com aumento de 15% nas vendas após os recentes aumentos de preços.

Segundo a empresa de pesquisa Bernstein, o preço de varejo do café torrado nos Estados Unidos em julho de 2025 atingiu US$ 18,55 por quilo, um aumento de 14,5% em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa prevê que os preços podem aumentar entre 15% e 20% nos próximos anos, caso o impacto da política tributária recíproca continue a se espalhar. Diante do aumento dos preços, os consumidores americanos estão gradualmente mudando seus hábitos, deixando de tomar café em lojas e passando a fazer seu próprio café em casa para economizar dinheiro.

 Alguns produtores na Califórnia têm experimentado recentemente o cultivo de café, mas os custos de produção são muito superiores ao preço de importação do Brasil, mesmo com o imposto recíproco de 50%. Portanto, este modelo é considerado adequado apenas para o segmento de cafés especiais de alta qualidade.

Ótimo final de semana 


Comentarios

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Data: 31/08/2025 07:50 Nome do Usuário: Fábio
Comentário: Olha ele aqui! Kk café tem e muito! O Trump nos deestu uma benção com este tarifaço! Fez o mundo virar e os FUNDOS GANHA MAIS AINDA. Hora de vender e fazer caixa escalonada. Cuidado acredito 900 RS
Data: 30/08/2025 19:41 Nome do Usuário: Jorge
Comentário: Lembre-se, pequeno produtor: “Café tem, e MUITO.” Na próxima safra, faça como neste ano: venda tudo o que tiver durante a safra, para que os grandes aproveitem os preços altos quando ela acabar
Data: 30/08/2025 10:54 Nome do Usuário: Honorato
Comentário: Cade o tal do Fabio sumiu ou será que ele não está mais com nós nesse mundo 🌍 kkkkkk
Contrato Cotação Variação
Dezembro 386,10 + 8,60
Março 373,90 + 6,95
Maio 363,65 + 5,85
Contrato Cotação Variação
Novembro 4.815 + 7
Janeiro 4.703 + 11
Março 4.623 + 16
Contrato Cotação Variação
Setembro 497,00 +15,60
Dezembro 472,25 + 4,40
Março 469,45 + 6,30
Contrato Cotação Variação
DXY 97,68 - 0,05
Dólar 5,4220 + 0,29
Euro 6,3430 + 0,43
Ptax 5,4264 + 0,28
  • Varginha
    Descrição Valor
    Certificado 15% R$ 2520,00
    Safra 25/26 20% R$ 2490,00
    Peneira14/15/16 R$ 2570,00
    Duro/riado/rio R$ 2020,00
  • Três Pontas
    Descrição Valor
    Safra 25/26 15% R$ 2500,00
    Certificado 15% R$ 2520,00
    Duro/riado/rio R$ 2020,00
    Miúdo 14/15/16 R$ 2350,00
  • Franca
    Descrição Valor
    Cereja 20% R$ 2540,00
    Safra 25/26 15% R$ 2500,00
    Duro/Riado 15% R$ 2250,00
    Moka R$ 2340,00
  • Patrocínio
    Descrição Valor
    Safra 25/26 15% R$ 2500,00
    Safra 25/26 30% R$ 2480,00
    Rio com 20% R$ 1720,00
    Peneira 17/18 R$ 2620,00
  • Garça
    Descrição Valor
    Safra 25/26 20% R$ 2490,00
    Safra 25/26 30% R$ 2470,00
    Duro/Riado 15% R$ 2100,00
    Escolha kg/apro R$ 34,00
  • Guaxupé
    Descrição Valor
    Safra 25/26 15% R$ 2500,00
    Safra 25/26 25% R$ 2480,00
    Duro/riado 25% R$ 2000,00
    600 defeitos R$ 2230,00
  • Indicadores
    Descrição Valor
    Conilon/Vietnã R$ 1632,00
    Cepea Arábica R$ 2301,68
    Cepea Conilon R$ 1529,97
    Agnocafé 24/25 R$ 2500,00
  • Linhares
    Descrição Valor
    Conilon T. 6 R$ 1580,00
    Conilon T. 7 R$ 1560,00
    Conilon T. 7/8 R$ 1530,00