Leia, na sequência, artigo de autoria de Marcelo Fraga Moreira, profissional há mais de 33 anos atuando no mercado de commodities agrícolas e colaborador da Archer Consulting.
O vencimento julho-26 encerrou @ 349,55 centavos de dólar por libra-peso. Mesmo com a semana reduzida em função do feriado nos Estados Unidos do “Thanksgiving” NY voltou a subir 1.200 pontos. No julho-25: fechamento anterior / mínima / máxima / fechamento atual respectivamente 337,60 / 336,80 / 353,55 / 349,55 centavos de dólar por libra-peso. O R$ voltou a oscilar entre os 5.33-5.40 e encerrou novamente nas máximas @ 5.3346 R$/US$.
Em Londres o vencimento julho-26 também chegou a subir +6,85% e encerrou a semana com uma alta de 5% em função das novas chuvas intensas que não param de castigar o país. O vencimento julho-26 encerrou @ 4.228 US$/tonelada (253,63 US$/saca = 1.351 R$/saca). Para os próximos dias uma nova tempestade tropical “KOTO” estará trazendo mais chuvas na região. Mesmo com muitas notícias “catastróficas” vindas do Vietnam as cotações em Londres não “explodiram”. Então, vamos seguir monitorando para ver como o mercado abrirá na próxima segunda-feira.
O mercado interno continua firme com os produtores vendendo o mínimo necessário para pagar as contas. E muitos agora deverão aguardar a virada do ano para realizar novas vendas e administrar os balanços e “jogar o lucro/resultado” para o ano que vem – evitando assim incidência do imposto de renda nos seus livros.
Praticamente o “ano acabou”. Agora as tradings/cooperativas que precisarem originar para embarque imediato e para janeiro-fevereiro-26 terão que atrair o produtor oferecendo melhores preços. O mercado spot para o café arábica peneira 17/18 segue negociando nos 2.300-2.400 R$/saca e o café robusta entre 1.320-1.380 R$/saca.
Nos primeiros 5 meses da safra 25/26 (considerando que o Brasil terá exportado no mês de novembro-25 aproximadamente 3,50 milhões de sacas e mantendo o consumo interno mensal em 1,80 milhões de), o mercado já consumiu 26,25 milhões de sacas. O grande X da questão, do balanço da oferta x demanda brasileira continua sendo o estoque de passagem da safra 24/25 para a safra 25/26 e a produção. Considerando então o estoque de passagem em 5 milhões de sacas e a produção “nem lá nem cá”, em 60 milhões de sacas, e um estoque de passagem da safra 25/26 para a safra 26/27 também em 5 milhões de sacas, então para os próximos 7 meses o mercado internacional poderá contar com o Brasil com apenas 33,75 milhões de sacas ou apenas 4,82 milhões de sacas/mês! Considerando então que o Brasil está consumindo 1,80 milhões de sacas/mês o mercado internacional terá acesso a apenas 3,02 milhões de sacas/mês durante os próximos 7 meses! No mesmo período nas safras 23/24 e 24/25 o Brasil exportou respectivamente 4,07 milhões de sacas/mês e 3,33 milhões de sacas/mês.
Apenas nos primeiros 5 meses da safra 25/26 o Brasil já deixou de exportar aproximadamente -5,00 milhões de sacas em comparação ao mesmo período da safra anterior 24/25.
Qual o motivo? Safra realmente menor que o mercado esperava e em linha com a Conab* (55,70 milhões de sacas)? Ou produtor represando a venda aguardando por preços mais altos?
Os Estados Unidos estão voltando ao mercado e, novamente a União Europeia decidiu prorrogar a tarifa disfarçada contra o produtor mais eficiente do mundo – através da lei “antidesmatamento” - apenas a partir de 01 de janeiro de 2.027. Desta forma, nos próximos 2-4 meses as exportações brasileiras deverão continuar equilibradas – ao redor dos 3,00 milhões de sacas/mês durante os próximos 7 meses.
Importante o produtor ficar atento pois, como aconteceu no início da safra 25/26, o mercado, na expectativa da safra ser “abundante” fez o mercado derreter! Lembrando que o café conilon saiu dos 2.000 R$/saca e chegou a negociar abaixo dos 1.000 R$/saca e o café arábica saiu dos 2.900 R$/saca e chegou a negociar abaixo dos 2.000 R$/saca!
Cuidado e atenção pois, se ocorrer o “efeito manada” e todos decidirem vender o saldo do estoque que estão carregando de uma vez, os preços poderão realizar novamente.
A próxima safra 26/27 já está no radar do mercado e as projeções continuam entre 70-75 milhões de sacas. Confirmando essa produção os preços também poderão estabilizar nos patamares atuais. Creio que para NY voltar a subir acima dos 400/450 centavos de dólar por libra-peso e Londres novamente acima dos 5.000 US$/saca o gatilho será apenas com base em algum efeito climático. Com o custo do dinheiro elevado e o mercado “invertido” o consumidor final deverá continuar comprando “da mão para a boca” aguardando a entrada da próxima safra 26/27.
O clima no Brasil segue favorável e, apesar de alguns problemas pontuais com temperaturas elevadas e stress hídrico em algumas regiões, o pegamento e o desenvolvimento das lavouras estão dentro o esperado. Por enquanto a próxima safra brasileira 26/27 deverá ser mesmo superior a safra 25/26 podendo ultrapassar 70 milhões de sacas. Rodando pelo interior do Brasil é nítido notar a expansão em novas áreas. Então, com certeza, daqui 2-3 anos o Brasil tem tudo para superar a produção em +80 milhões de sacas e inclusive superarando o Vietnam na produção do conilon.
No curto prazo o julho-26 em NY encontra suportes nos 344 e 302 centavos de dólar por libra-peso e resistência apenas nos 368 centavos de dólar por libra-peso.
Em Londres o julho-26 encontra suporte nos 4.250 e 4.020 US$/tonelada. Perdendo os 4.000 US$/tonelada próximo objetivo apenas “lá embaixo” nos 3.300 US$/tonelada (198 US$/saca = 1.050 R$/saca). E resistência @ 4.530 US$/saca.
Produtor, como sempre proteja-se!
O mercado continua oferecendo ao produtor ótimas oportunidades para as operações de hedge para os próximos 2-3 anos!