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Setor cafeeiro do Brasil busca acessar Fundo Global Europeu


O presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, afirmou que o setor cafeeiro brasileiro está em plena articulação para acessar parte dos recursos do recém-criado Fundo Global Europeu, iniciativa que irá destinar vultuosos recursos em incentivo à cafeicultura mundial. O CNC trabalha para assegurar que uma parcela relevante desses recursos seja direcionada também ao Brasil, com foco em projetos de irrigação — estratégia considerada fundamental diante dos eventos climáticos extremos que têm afetado a produção de café nos últimos anos.

Segundo o presidente do CNC, a irrigação representa uma das medidas mais eficazes para proteger a produção contra altas temperaturas, estiagens prolongadas, geadas, granizo e irregularidades das chuvas. “O Brasil continuará sendo líder mundial em produtividade. A irrigação é um caminho seguro para garantir estabilidade, competitividade e sustentabilidade”, destacou.

A agenda de diálogo inclui reuniões entre Silas Brasileiro e Alessandro Bucci, representante da Illycaffè, empresa italiana de grande relevância no mercado global e que atua junto ao grupo europeu responsável pela criação do Fundo Global.

A coordenação internacional do Fundo com o Brasil está sendo conduzida por Andrea Illy, que reconhece Brasil e Vietnã como fornecedores confiáveis, sustentáveis e essenciais ao abastecimento mundial. Para ele, seria inconcebível deixar esses dois países fora do acesso aos investimentos, dada sua importância estratégica para a cafeicultura global.

Atualmente, estão sendo discutidos os critérios de repasse dos recursos, com previsão de que contemplem:

Parcela em fundo perdido;

Linhas de financiamento com juros subsidiados e prazos longos;

Foco na aquisição de equipamentos de irrigação e na construção de bolsões e estruturas de retenção de água da chuva.

No Brasil, o Sicoob, pela sua ampla capilaridade e presença no meio rural, surge como potencial agente financeiro para operacionalizar os recursos. A proposta é que o Fundo seja hospedado no Banco Mundial e no BIRD, garantindo governança e credibilidade internacional.

Durante a Assembleia da Organização Internacional do Café (OIC), em 2024, realizada em Londres, ocorreu um encontro com o Diretor-Geral de Cooperação para o Desenvolvimento, Embaixador e presidente do G7, Stefano Gatti, além de Andrea Illy e Alessandro Bucci. Na ocasião, discutiu-se a possibilidade de o Brasil participar como beneficiário do Fundo, bem como as condições para o recebimento de recursos — entre elas, o acesso à pesquisa brasileira e aos bancos ativos de germoplasma — pontos que, naquele momento, foram considerados não convenientes para a cafeicultura nacional pela delegação brasileira, presidida pelo Embaixador José Augusto de Andrade (Rebraslon).

No entanto, o diálogo permaneceu aberto e avançou nos últimos meses com reuniões durante a Cop-30. Com a visita de Andrea Illy ao Brasil e, mais recentemente, durante a cerimônia de entrega do IV Prêmio de Jornalismo Cafés do Brasil, em novo encontro com Alessandro Bucci, consolidou-se a percepção de que o país poderia, sim, participar do Fundo, direcionando os investimentos para a ampliação da irrigação nas lavouras de café, especialmente em programas como o Café Produtor de Água. A diretora executiva da OIC, Vanusia Nogueira, também tem contribuído ativamente nesse processo.

O Brasil tem apresentado o Programa Café Produtor de Água em todo o mundo, iniciativa que tem despertado profundo interesse e admiração das delegações mundiais.

O projeto — que integra conservação ambiental, manejo hídrico, recuperação de nascentes, revitalização de matas ciliares e melhorias em estradas rurais — demonstrou, na prática, que sustentabilidade e produtividade caminham juntas no campo brasileiro. Segundo Silas Brasileiro, “todos estão impressionados com os resultados concretos do programa”, reforçando o protagonismo do país na agenda internacional.

“Na oportunidade, provamos ao Embaixador Stefano Gatti, que ações como o Programa Café Produtor de Água são fundamentais para que a produção cafeeira continue sendo equilibrada e sustentável”, explicou o presidente do CNC.

O CNC seguirá acompanhando as negociações e atuando firmemente para garantir que o Brasil tenha acesso a recursos internacionais capazes de fortalecer ainda mais a cafeicultura nacional.

Entre 24 e 28 de novembro, Varginha e municípios vizinhos sediaram mais uma etapa de capacitação do Programa Café Produtor de Água. O treinamento reuniu operadores, tratoristas, equipes técnicas, cooperativas, prefeituras e representantes institucionais, com intensa programação teórica e prática.

Participaram equipes do Sicoob Credivar, Minasul, do CNC (com Marcela Trávassos e Devanir Garcia), além do professor Jozé Zoccal e do topógrafo João Carlos, instrutores responsáveis pela formação.

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