Em janeiro, as exportações de café podem ser a menor dos últimos 87 meses
Por José Roberto Marques da Costa
A grande pergunta que vale milhões de dólares: "Será que os contratos em NY terão a mesma performance dos contratos em Londres próximos aos dias da rollover de março na terceira semana de fevereiro"?
O volume de negócios nesta sexta-feira (23) atingindo 28.765 lotes, 767 lotes a mais que no pregões de quinta-feira (22) quando teve a variação de 5,90 cents. O março fechou em alta de 3,20 cents (0,92%) a 350,90 cents, variando 8,50 cents, de 346,85 cents a 355,35 cents, ultrapassando duas resistência do dia em 350,48 cents e 353,27 cents, não teve força para buscar a terceira em 356,38 cents, na semana acumula perda de 4,40 cents. A margem invertida março/maio sobe para 17,45 cents ante 16,40 cents do pregão anterior. Os estoques certificados aumentaram 5.395 sacas, para 447.855 sacas, acumulando na semana alta de 1.170 sacas, esperando certificação 14.946 sacas.
A volatilidade do pregão de sexta-feira, foi a maior dos últimos três pregões, operando nos maiores níveis da semana, que teve volatilidade de 13,55 cents, variando 341,80 cents (21) a 355,35 cents (23), dominado por especuladores de plantão, sem a presença dos grandes fundos, mas ainda em mercado sobrevendido. No pregão de quarta-feira, os especuladores tentaram continuar a liquidação atingindo a mínima de 341,80 cents, deixando o mercado sobrevendido em excesso com meta de romper o nível 340,00 cents. Além de não conseguir seu objetivo, ele trouxeram de volta ao mercado os grandes fundos de investimentos que acionaram mais posições compradas próximo a mínima no intraday voltando a fechar acima de 347 cents gerando um volume de negócios mais de 40 mil lotes. Depois da entrada dos grandes investidores, os especuladores de plantão resolveram mudar de tática, entrando na ponta compradora tendo um ganho de 0,05 cents da semana no intraday quando chegou a 355,35 e fechando com perda de apenas 4,40 cents.
Janeiro em Londres fecha no maior nível dos últimos 300 dias
O volume de negócios nesta sexta-feira (23) em Londres atingiu 31.414 lotes, 3.233 lotes a mais que no pregão de quinta-feira (22), quando variou US$ 170/t. O março fechou em alta de US$ 116 (2,88%) a US$ 4.142/t, maior nível desde 11 de dezembro de 2025, variando US$ 188, de US$ 4.024/t a US$ 4.212/t, ultrapassado as três resistências do dia, em US$ 4.050/t, US$ 4.095/te US$ 4.122/t, na semana acumula ganhos de US$ 142. A margem invertida de março/maio sobe para US$ 91 ante a US$ 83 no pregão anterior e a margem invertida de janeiro/março sobe para US$ 188/t ante US$ 130/t. A diferença de preço entre NY e Londres cai para 162,95 cents ante 165,02 cents do pregão anterior.
Na véspera do último dia da negociação das rolagens de posições (rollover) para o contrato de janeiro de 2026, o preço do café robusta em Londres no maior nível dos últimos 30 dias (12 de abril de 2025) a US$ 4.332/t. O volume de mais de 31 mil lotes, foi um dos maiores dos últimos anos, e janeiro teve volume negociado de apenas 15 lotes, restando ainda 329 contratos abertos para serem negociado na segunda-feira. A margem invertida de janeiro/marco que no pregão desta quinta-feira estava em US$ 130/t passou para US$ 188/t, alta de US$ 58 a tonelada e na segunda-feira o volume de negócios crescer e margem invertida tende a ampliar ainda mais. A movimentação forte de rolagens para o contrato de janeiro começou a ser notada com intensidade maior logo após o início de janeiro de 2026, visando evitar a entrega física no vencimento final de janeiro.
O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) divulgado nesta sexta-feira (23) referente a 20 de janeiro mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos diminuíram 16,2%, em 1.392 lotes suas posições compradas e aumentaram em 1.677 lotes suas posições vendidas, neste período a variação de dezembro passou de 360,20 cents a 346,50 cents, queda de 13,70 cents (3,80% ). As posições abertas aumentaram em 0,39%, passando de 201.565 lotes para 202.366 lotes. Na relatório da semana passado a surpresa veio na performance dos grandes fundos, nesta semana foi os "vendidos", a posição liquida vendidas dos comerciais diminuíram 10,45%, o resultado normal, seria o aumento das posições vendidas e não queda.
Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras os grandes fundos possuíam 31.272 posições líquidas compradas, sendo 55.860 posições compradas e 21.588 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 13 de janeiro, eles tinham 37.252 posições líquidas compradas sendo 57.252 posições compradas e 19.911 posições vendidas. As empresas comerciais diminuíram em 10,45% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 20, saldo de 34.523 posições líquidas vendidas, sendo 75.415 posições compradas e 109.938 vendidas. No relatório anterior do dia 13, possuíam 38.551 posições líquidas vendidas, sendo 75.319 posições compradas e 113.870 vendidas.
Refazendo cálculos sobre o café no mercado brasileiro, tendo com base um estoques remanescentes de 5 milhões de sacas e produção de safra de 55 milhões, teremos 60 milhões de sacas para exportação e consumo interno ( entre julho de 2025 a junho de 2026 ). No segundo semestre de 2025 foram embarcadas 20,6 milhões de sacas e consumidas 11 milhões de sacas, restando 28,4 milhões de sacas para abastecer o primeiro semestre de 2026. Retirando 11 milhões de sacas que devem abastecer o mercado interno, sobram 17,4 milhões para exportação, média de 2,9 milhões de sacas por mês, em mercado internacional insaciável por café em pleno aumento de 4 milhões de sacas de por ano.
Em uma realidade onde os estoques mundiais são os mais baixos da história, fator climático que pode interferir ainda mais negativamente na produtividade do café nesta safra de 2026, tudo indicando será de 60 milhões de sacas, o mercado deve continuar volátil, podendo chegar a níveis nunca imaginado pelo mais otimista.
O mercado interno no Brasil continua fortemente travado, com os produtores fortemente capitalizados e tudo indica que devem continuar retraídos com as atuais ofertas dos compradores consideras baixas em um dos menores estoques histórico. A mesma atitude tomam os produtores do Vietnã, mesmo com preço sendo reajustado, as ofertas continuam restritas mesmo no auge de uma ótima colheita próximo a 31 milhões de sacas, os produtores continuam restringindo as vendas. Em pleno mercado totalmente vendedor, as empresas compradoras querem impor seus preços e lucratividades, mantendo a mesma postura de quando as ofertas eram abundantes.
A redução drásticas dos negócios começam a refletir nas exportações brasileiras. Pelas projeções dos embarques diários até dia 23, tendo como base os números da Cecafé, em janeiro a exportação deve chegar a 2,370 milhões de sacas, menor nível dos últimos 87 meses (abril de 2018). Na última semana do mês, os embarques diários tendem a aumentar podendo chegar acima de 2,5 milhões de sacas, mesmo assim, será um das menores exportações brasileiras na história. Se a postura dos compradores continuarem a mesma no mês de fevereiro, podemos ter embarques de café abaixo de 2 milhões de sacas.
Segundo dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), até dia 23 de janeiro, os embarques brasileiros do mês totalizaram 1.556.582 sacas, queda de 18,7% (média diária de 67.677 sacas), sendo 1.374.574 sacas de café arábica, 67.102 sacas de café conillon e 114.906 de café solúvel. Os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque de janeiro totalizavam 1.956.097 sacas, queda de 24,3%, sendo 1.677.278 sacas de arábica, 96.934 sacas de conillon e 180.885 sacas de solúvel.
Dados da exportações brasileira de café mês a mês dos últimos 8 anos
Com base nos dados da Cecafé, nos 96 meses, a exportação atingiu 331,360 milhões sacas, média anual de 41,412 milhões de sacas. A maior e recorde foi em 2024, atingindo 50,4 milhões de sacas, com média diária de 137.987 sacas e a menor em 2018, com 35,200 milhões de sacas, com média diária de 96.372 sacas. A maior exportação mensal foi 4,926 milhões de sacas em outubro de 2024 e a menor foi 1,980 milhões de sacas em abril de 2018 e segundo menor foi 2,420 milhões de sacas em fevereiro de 2020.
Nos 12 meses do ano de 2025 foram exportadas em milhões de sacas de café: 3,977 em janeiro, 3,274 em fevereiro, 3,287 em março, 4,000 em abril, 2,960 em maio, 2,600 em JUNHO, 2,730 em julho, 3,1 em agosto, 3,700 em setembro, 4,140 em outubro, 3,580 em novembro e 3,143 em dezembro. Volume total 40,490 milhões de sacas, média diária de 110.856 sacas.
Nos 12 meses do ano de 2024 foram exportadas em milhões de sacas de café: 3,975 em janeiro, 3,600 em fevereiro, 4,293 em março, 4,200 em abril, 2,963 em MAIO, 3,571 em junho, 3,770 em julho, 3,700 em agosto, 4,464 em setembro, 4,926 em outubro, 3,580 em novembro e 3,800 em dezembro. Volume total de 50,4 milhões de sacas, média diária de 137.987 sacas.
Nos 12 meses do ano de 2023 foram exportadas em milhões de sacas de café: 2,843 em janeiro, 2,396 em FEVEREIRO, 3,100 em março, 2,720 em abril, 2,448 em maio, 2,637 em junho, 2,700 em julho, 3,670 em agosto, 3.300 em setembro, 4,356 em outubro, 4.300 em novembro e 3,808 em dezembro. Volume total de 39,247 milhões de sacas, média diária de 107.452 sacas
Nos 12 meses do ano de 2022 foram exportadas em milhões de sacas de café: 3,418 em janeiro, 3,400 em fevereiro, 4,290 em março, 2,809 em abril, 2,800 em maio, 3,138 em junho, 2,476 em JULHO, 2,767 em agosto, 3,760 em setembro, 4,141 em outubro, 3,700 em novembro e 3,133 em dezembro. Volume total de 39.350 milhões de sacas, média diária de 107.737 sacas.
Nos 12 meses do ano de 2021 foram exportadas em milhões de sacas de café: 3,226 em janeiro, 3,300 em fevereiro, 3,438 em março, 3,300 em abril, 2,600 em MAIO, 2,733 em junho, 2,800 em julho, 2,700 em agosto, 3,100 em setembro, 3,450 em outubro, 3,700 em novembro e 3,133 em dezembro. Volume total de 40.400 milhões de sacas, média diária de 110,609 sacas
Nos 12 meses do ano de 2020 foram exportadas em milhões de sacas de café: 3,200 em janeiro, 2,420 em FEVEREIRO, 3,438 em março, 3,050 em abril, 3,060 em maio, 3,012 em junho, 4,300 em julho, 3,300 em agosto, 3,800 em setembro, 4,100 em outubro, 4,300 em novembro e 43,300 em dezembro. Volume total de 45.600 milhões de sacas, média diária de 124.846 sacas.
Nos 12 meses do ano de 2019 foram exportadas em milhões de sacas de café: 3,280 em janeiro, 2,700 em FEVERIRO, 2,900 em março, 2,970 em abril, 3,500 em maio, 3,012 em junho, 3,400 em julho, 3,370 em agosto, 3,230 em setembro, 3,400 em outubro, 3,104 em novembro e 3,030 em dezembro. Volume total de 40.610 milhões de sacas, média diária de 111.184 sacas
Nos 12 meses do ano de 2018 foram exportadas em milhões de sacas de café: 2,540 em janeiro, 3,350 em fevereiro, 2,520 em março, 1.980 em ABRIL, 2,960 em maio, 2.560 em junho, 2.500 em julho, 3,200 em agosto, 3,019 em setembro, 3,890 em outubro, 3,230 em novembro e 3,360 em dezembro. Volume total de 35.200 milhões de sacas, média diária de 96.372 sacas.