Intensas vendas concentradas em março continuam derrubando NY
Por José Roberto Marques da Costa
O volume nesta quarta-feira, 04, para os negócios com café atingiram 54.572 lotes em NY, 7.505 lotes a menos que no pregão de terça-feira (03) quando teve a variação de 22,95 cents. O março fechou em queda de 8,45 cents (2,7%) a 308,65 cents, variando 12,40 cents, de 307,10 cents, menor nível desde 14/08/2025, a 319,50 cents, rompendo o primeiro suporte em 308,78 cents, 326,92 cents e 322,83 cents. A margem invertida março/maio teve forte queda para 10,80 cents ante a 16,20 cents do pregão anterior. Os estoques certificados aumentaram 830 sacas, para 437.408 sacas, esperando certificação 65.742 sacas.
O volume nesta quarta-feira, 04, atingiu 36.159 lotes em Londres, 11.891 lotes a menos que no pregão de terça-feira, 03, quando variou US$ 260/t. O março fechou em queda de US$ 49 (1,29%) a US$ 3.761/t, menor nível desde 14/12/2025, variando US$ 133, de US$ 3.742/t a US$ 3.875/t, sem força para romper o primeiro suporte em US$ 3.73/t. A margem invertida de março/maio teve avanço para US$ 72 ante US$ 61 do pregão anterior. A diferença de preço entre NY e Londres caiu para 138,06 cents, ante 144,20 cents do pregão anterior.
Segundo o gráfico técnico da Econonmies.com formado ontem, o preço do café conseguiu ativar a tendência negativa previamente sugerida ao cair abaixo do suporte de 334,20 cents, formando um forte declínio e atingindo a meta inicial em 314,85 cents. A estocástica dentro do nível de sobrevenda aumentará a pressão negativa no período atual, formando novas ondas de baixa que devem atingir 308,00 cents e pressionar o suporte em 300,50 cents para encontrar uma saída e retomar a negociação negativa no próximo período.
Os contratos futuros de café de março em NY fecharam novamente em forte queda, pela primeira vez abaixo do nível de 310,00 cents nos últimos 165 dias (desde 14/08/2025) apoiado por intensa rolagem de posições do março e gráficos técnicos diários. Nos últimos seis pregões, a primeira posição acumula perda de 58,60 cents (15,92%) deixando o mercado extremamente sobrevendido. No pregão de hoje, devido à intensa venda do março, cerca de 69% dos negócios foram realizados entre março e maio, com o março atingindo 18.477 lotes e o maio 19.010 lotes. Relembrando o que foi verificado em fevereiro do ano passado, quando os "tubarões" concentraram suas compras no março e estoparam milhares de contratos que estavam vendidos, gerando uma perda bilionária para os comerciais. Agora eles estão se protegendo, pois, "gato escaldado tem medo de água fria". Faltando 17 dias para início das rolagens de posições, os contratos abertos em maio ultrapassaram na terça-feira o de março em 2.343 lotes, maio com 59.630 lotes e março com 57.287 lotes, muito bem antes do esperado pelo mercado. No meio da semana passada, antes das perdas acumuladas nos últimos sete dias, o diferencial de contratos abertos em março e maio estava mais 30 mil lotes, na sexta-feira cai para menos de 5 mil lotes, segunda para 978 lotes, terça negativo em 2.343 e na atualização amanhã do pregão deve ultrapassar 8 mil lotes com tendência de queda bem acelerada nos próximos pregões.
No meio dessa turbulência, o café não é mais uma mercadoria, mais um papel, com o radar dos investidores no vencimento das opções, dia 11, e início das rolagens de posições de março, dia 21, dentro de contexto de forte escassez no mercado stop, com os estoques mundiais de café arábica nos menores níveis históricos. Mesmo com toda esda queda desproporcional, os fundamentos continuam os mesmos.
Outro fundamento que está chamando a atenção do mercado, é a forte queda do diferencial de preços entre os contratos de março entre NY e Londres. Nesta quarta-feira tal indicativo fechou, pela primeira vez na história recente das bolsas, abaixo de 140,00 cents, fechando a 138,06 cents, 41,95 cents abaixo do desvio padrão dos últimos anos em 180,00 cents. Se esse desvio fosse mantido, o março em NY estava operando acima de 350 cents. Quando analiso essas distorções, sempre vem em mente a famosa frase: "Há algo de podre no reino da Dinamarca", da peça Hamlet, de William Shakespeare.
Dois fundamentos que podem ter influencia no mercado, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentará os resultados do 1º Levantamento da Safra de Café 2026 nesta quinta-feira (5). Pelos históricos anteriores, as estimativas da Conab e IBGE tiveram um diferencial de menos de 2 milhões de sacas. No último dia 15 de janeiro, o Instituto Brasileiro Geografia e Estatística (IBGE), divulgou sua estimativa de produção de 61,666 milhões de sacas, sendo 41,666 milhões de sacas de arábica e 20 milhões de conillon. A Secex deve divulgar, às 15 horas, os números da exportações de café, pelas últimas projeções os embarques devem ficar abaixo de 2,4 milhões de sacas, um dos menores dos últimos oito anos.