Contratos de café arábica fecham nos menores níveis em 5 meses
Por José Roberto Marques da Costa
O volume nesta sexta-feira (06) atingiu 77.601 lotes em NY, 10.162 lotes a mais que no pregões de quinta-feira (05) quando teve a variação de 11,40 cents. O março fechou em queda de 11,84 cents (3,84%) a 296,55 cents, variando 21,35 cents, de 293,65 cents, menor nível desde 06/08/2025, a 315,00 cents. A margem invertida março/maio cai para 7,25 cents ante a 11,90 cents do pregão anterior. Os estoques certificados diminuíram 4.158 sacas, para 421.173 sacas, na semana acumula queda de 14.548 sacas, nos últimos 12 meses queda de 50%, esperando certificação 66.466 sacas
O volume nesta quinta-feira (05) atingiu 27.760 lotes em Londres, 1.132 lotes a menos que no pregão de quinta-feira (05), quando variou US$ 107/t. O março fechou em queda de US$ 67 (1,68%), revertendo todos os ganhos do pregão anterior, a US$ 3.882/t, variando US$ 175, de US$ 3.735/t a US$ 3.842/t. A margem invertida de março/maio sobe para US$ 87 ante US$ 75 do pregão anterior. A diferença de preço entre NY e Londres cai para 126,23 cents, a menor da últimas décadas, ante 135,05 cents do pregão anterior.
Os contratos futuros de café de março em NY fecharam em forte queda de 3,84%, tendo o apoiado da continuidade da rolagem de posições do março, vencimento das opções na quarta-feira (11) e gráficos técnicos diários que indicava a buscar de 300,50 cents. Nos últimos 8 pregões acumula perda de 70,70 cents (19,25%) deixando o mercado extremamente sobrevendido. Devido a intensa venda do março pelos comerciais, cerca de 58% dos negócios foram realizados entre março e maio, no março atinge 21.774 lotes e no maio 23.397 lotes. Nos últimos 8 dias, o diferencial de contratos abertos em março e maio estava mais 30 mil lotes, no pregão de ontem estava negativo em mais 15 mil lotes, forte acelerada das rolagens ante aos anos anteriores e pelo aumento das rolagens no dia do vencimento na terceira semana de fevereiro, contratos abertos devem ficar abaixo de 1 mil lotes.
Um fundamento está chamando a atenção do mercado, é a forte queda do diferencial de preços entre os contratos de março entre NY e Londres, nesta sexta-feira fechou 16,23 cents, 33,68 cents abaixo do desvio padrão dos últimos anos em 180,00 cents. O mercado está interpretando esta forte queda diferencial, café conilon está super-valorizado ou café arábica estas super-desvalorizado. No meio prazo, o mercado, que é soberano, deve decidir qual caminho a escolher.
O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) divulgado nesta sexta-feira (06) referente a 03 de fevereiro mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos diminuíram em 40,13%, em 8.111 lotes suas posições compradas e aumentaram em 6.200 lotes suas posições vendidas, neste período a variação de dezembro passou de 367,25 cents a 333,25 cents, queda de 34,00 cents (9,3%). As posições abertas aumentaram em 9,42%, passando de 206.991 lotes para 226.490 lotes Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras os grandes fundos possuíam 21.352 posições líquidas compradas, sendo 48.741 posições compradas e 27.389 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 27 de janeiro, eles tinham 35.663 posições líquidas compradas sendo 56.852 posições compradas e 21.189 posições vendidas. As empresas comerciais diminuíram em 49,3% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 03, saldo de 21.803 posições líquidas vendidas, sendo 90.325 posições compradas e 112.128 vendidas. No relatório anterior do dia 27, possuíam 43.043 posições líquidas vendidas, sendo 77.346 posições compradas e 114.232 vendidas.
Mais um relatório surpresa, mercado cai 9,3% no período, grandes fundos diminuíram 40% posições líquidas compradas, o que era esperado, mas os comerciais diminuíram 49,3% suas posições líquidas vendidos, resumindo os números, os grandes fundos apostam em queda e os comerciais em alta, saindo rapidamente de suas posições vendidas no março.
A Conab, divulgou sua estimativa de produção de 66,2 milhões de sacas, a produção de arábica em 44,1 milhões de sacas e conilon em 22,1 milhões de sacas, indicando que as áreas de produção de café cresceu 4,1% atingindo recorde de 1,9 milhão de hectares, produtividade média de 34,84 sacas por hectare. Este aumento indica que área de produção aumentou 780 mil hectares, aumentando em 2,710 milhões de sacas na safra de 2026. Este aumento representa 50% do que vai produzir o estado de São Paulo
Segundo dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras de café em grão em janeiro de 2026, contando 22 dias úteis da quinta semana do mês, atingira 2.353.645 sacas (média diária de 112.079 sacas), queda de 42,4% ante ao mesmo período de janeiro do ano passado. A receita chegando a US$ 1,012 milhões (média diária de US$ 48,235 milhões), tendo queda na receita de 23,7% ante a janeiro do ano passado. O preço médio ficou em US$ 433,94 por saca. Nas próximas semanas, a Cecafé deve divulgar as exportações brasileira, como os embarques de café solúvel representa pouco mais 10% do total, tendo como base o número da Secex, os embarques devem chegar entre 2,6 a 2,7 milhões de sacas, queda de 15% ante a 3,133 milhões embarcadas em dezembro e 33% ante as 3,977 milhões de janeiro de 2025.
A exportação mundial de café alcançou 11,94 milhões de sacas em dezembro, o terceiro mês da safra 2025/26. O volume corresponde a um aumento de 10,45% na comparação com igual mês de 2024 (10,81 milhões de sacas). Os números fazem parte de relatório mensal da Organização Internacional do Café (OIC).Nos três primeiros meses da safra, as exportações somaram 33,76 milhões de sacas, aumento de 5,5% ante igual período do ciclo anterior (31,99 milhões de sacas). Nos 12 meses encerrados em dezembro, a exportação de arábica totalizou 84,67 milhões de sacas, ante 85,72 milhões de sacas na temporada anterior, queda de 1,12%. Já o embarque de robusta aumentou 8,83% na mesma comparação, de 52,89 milhões para 57,56 milhões de sacas.
As exportações de café do Vietnã em janeiro atingem 3,3 milhões de sacas, segundo dados do governo, mesmo com aumento das exportações, os preços do café no mercado interno vietnamita caíram levemente nesta semana, acompanhando as fortes quedas nos mercados globais e em meio a um comércio lento causado por uma discrepância entre os preços de compra e venda, disseram comerciantes. “Os preços caíram devido ao aumento da oferta do Brasil, o principal produtor de café, juntamente com resultados positivos de exportação do Vietnã e da Indonésia”, disse um comerciante da região produtora de café. As exportações indonésias de grãos de café robusta de Sumatra atingiram 542 mil sacas em dezembro, um aumento de 52% em relação ao ano anterior, segundo dados oficiais.
Outro comerciante da mesma região afirmou que surgiu uma discrepância entre os preços de compra e venda, já que produtores e exportadores têm expectativas diferentes. “Os produtores não estão sob pressão para vender antes do Ano Novo Lunar como estavam no passado, enquanto a demanda ainda existe, pois os exportadores precisam cumprir suas obrigações contratuais. Muitos já venderam e agora estão observando o mercado”, disse o comerciante. “Alguns produtores já entraram no clima de férias e, com os preços tão baixos, estão ainda mais relutantes em vender”, acrescentou o comerciante.
Na Indonésia, os grãos de café robusta de Sumatra com contrato para março foram oferecidos com um prêmio de US$ 280, acima do prêmio de US$ 185 da semana anterior, “devido à oferta limitada, já que a safra principal ainda não chegou”, disse um comerciante. Outro operador disse que o prêmio para o contrato de março foi cotado em US$ 350, acima do prêmio de US$ 200 da semana passada para o contrato de maio. Os cafeicultores de Lampung Ocidental disseram que os grãos de café estavam bastante grandes no momento, apesar do volume limitado.