Inteligência Artificial (IA) está transformando o mercado de café
Por José Roberto Marques da Costa
O volume nesta sexta-feira (13) atingiu 40.189 lotes em NY, 13.633 lotes a menos que no pregões de quinta-feira (12) quando teve a variação de 7,00 cents. O maio fechou em alta de 0,85 cents (0,28%) a 298,30 cents, variando 12,45 cents, de 296,15 cents a 308,60 cents, rompendo duas resistências do dia, em 300,75 cents e 303,75 cents. A margem invertida maio/julho sobe para 3,95 cents ante a 3,75 cents do pregão anterior.. Os estoques certificados diminuíram 7.650 sacas, para 428.431 sacas, esperando certificação 123.921 sacas.
O volume nesta sexta-feira (13) atingiu 18.189 lotes em Londres, 67.338 lotes a menos que no pregão de quinta-feira (12), quando variou US$ 84/t. O maio fechou em alta de US$ 35 (0,92%) a US$ 3.800/t, variando US$ 129 de US$ 3.765/t a US$ 3.894/t, rompendo três resistências do dia, em US$ 3.805/t, US$ 3.845/t e US$ 3.889/t. A margem invertida de março/julho cai para US$ 85 ante US$ 88 do pregão anterior. A diferença de preço entre NY e Londres cai para 126,06 cents ante 126,67 cents do pregão anterior.
Antes de abondar a performance do mercado desta semana, ultimamente apareceu no mercado das commodities uma importante ferramenta, um algoritmo cada vez mais utilizados pelos grandes investidores (tubarões). A Inteligência Artificial (IA) está transformando o setor cafeeiro, atuando desde o monitoramento de lavouras até a personalização da xícara final. A tecnologia deixou de ser experimental para se tornar parte da infraestrutura do mercado, ajudando empresas a lidar com a volatilidade de preços e as mudanças climáticas. A IA é utilizada para otimizar a produtividade e reduzir custos operacionais o monitoramento por drones e satélites, identifica estresse hídrico, deficiências nutricionais e pragas antes mesmo de sinais visíveis. Sobre a previsão de safra, os algoritmos analisam dados do consumo, estoques, variações climáticos para prever a maturação dos frutos com até 97% de precisão.
Nos anos anteriores, a performance do mercado era fortemente influenciados por diversos influenciados, previsões de diversas safras, principalmente pelo USDA (United States Department of Agriculture ), relatório dos estoques de café nos EUA da GCA (Green Coffee Association), relatórios mensais das cooperativas brasileiras e da Vicofa ( Associação Vietnamita de Café e Cacau ). Com avanço uma tecnologia transformadora que pode trazer mudanças significativas em todo os setores está se tornando obsoletas.
Hoje, os grandes investidores estão usando a IA para se posicionar no mercado de café, sabendo do volume de safras mundiais, os estoques dos países dos países consumidores e estoques em cada armazéns dos países produtores com precisão de 97%. Daqui algumas semanas a USDA deve divulgar suas previsões de safras, os algoritmos usado pela IA já calculam quanto será esta estimativa. Nos anos anteriores, esta estimativa sempre influenciou a performance dos contratos futuros, neste ano, o impacto deve ficar deve ser bem atenuado, assim como das empresas comerciais. A tecnologia usado pela IA, podem prever antecipadamente com será o ciclo climáticos nas regiões produtores do mundo, com certeza serão os primeiros a saber sobre uma futura seca no Vietnã ou geada nas regiões cafeeiras do Brasil.
Voltando a analisar o mercado
Nos dias depois do vencimento das opções, os contratos futuros de café de maio em NY fecharam em alta mesmo diante de intensa rolagens de posições. Com alta de hoje, nos últimos 13 pregões, acumulo perda de maio caiu para 52,85 cents ante a 57,60 cents no pregão do dia 11, com todos os indicadores ainda sobrevendios. Devido a queda dos diferencias nos últimos pregões do março que atingiu ontem 2,10 cents ante a 20,50 cents do início da queda (28/01), aumentam as intensidades vendas do março pelos comerciais, cerca de 63% dos negócios foram realizados entre março e maio, no março atinge 6.658 lotes e no maio 18.583 lotes.
Os comerciais estão antecipando no máximo suas posições vendidas no março e os números mostram, nos últimos 12 pregões, o diferencial de contratos abertos em março e maio estava mais 30 mil lotes, no pregão de quinta-feira estava negativo em mais 62 mil lotes estão com apenas 10.993 contratos abertos. O destaque da semana foi pregão de quarta-feira, foram rolados 12.435 contratos ( 3,520 milhões de sacas), bem acima da média da semana passada de 7.200 lotes. Segundo os dados da Agnocafé nos últimos 27 anos este volume de rolagem foi recorde. Com o início da rolagens no dia 19 de fevereiro, tudo indica que podemos chegar a outro número incrível, zerar os contratos abertos.
Comercias continuam liquidando suas posições vendidas
O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) referente a 10 de fevereiro mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos diminuíram em 31%, em 2.817 lotes suas posições compradas e aumentaram em 3.819 lotes suas posições vendidas, neste período a variação de março passou de 333,25 cents a 294,20 cents, queda de 39,05 cents (11,7%). As posições abertas tiveram leve alta, passando de 226.490 lotes para 226.611 lotes
Segundo os números apresentados, os grandes fundos possuíam 14.716 posições líquidas compradas, sendo 45.924 posições compradas e 31.208 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 03 de fevereiro, eles tinham 21.352 posições líquidas compradas sendo 48.741 posições compradas e 27.309 posições vendidas. As empresas comerciais diminuíram em 30,5% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 03, saldo de 15.150 posições líquidas vendidas, sendo 89.573 posições compradas e 104.723 vendidas. No relatório anterior do dia 03, possuíam 21.803 posições líquidas vendidas, sendo 90.325 posições compradas e 112.129 vendidas. Nos últimos 15 dias, quando março começou a despencar, saindo de 367,25 cents a 294,20 cents (19,89%), os grandes fundos liquidaram 10.929 posições compradas ( normal ) e os comerciais liquidaram 9.509 posições vendidas ( anormal ).
As distorções gerada pelos vencimentos das opções até dia 11 de fevereiro
No mês passado, nos meus artigos e análises, afirmei que nas duas primeiras semanas de fevereiro poderíamos ter um "repeteco" do que aconteceu nas primeiras duas semanas no ano passado devido ao vencimentos das opções e as rolagens de posições. No ano passado, nos últimos dias de janeiro, março estava em 370 cents, diferencial entre março/maio em torno de 3 cents. Neste dia, começou um forte raly, depois de 10 pregões passou para 425 cents, com intensa compras tubarões pegando os comercias de "calça curto", pois estavam prorrogando no máximo as rolagens de posições vencia na terceira semana. Na semana do vencimento das opções e das rolagens, o diferencial já estava superior 25 cents, estressando os comerciais e estopando muitos participantes do mercado. Este rally criou uma distorção entre NY e Londres, o diferencial da época chegou a 240 cents, bem acima do desvio padrão de 180,00 cents, deixando o café arábica sobre-valorizado e o conilon sobre-desvalorizado, depois de algumas semanas voltou a operar próximo ao desvio padrão.
Mas me precipitei ao afirmar o "repeteco" em vez do rally, o mercado despencou saindo de 367,25 cents para buscar 224,20 cents, uma somatório de uma mudança radical do "tubarões" que focaram nos vencimento das opções, vendendo cerca de 10 mil posições compradas em duas semanas para levar março abaixo de 295,00 cents, estressando os produtores e fechando a 224,20 cents. Os comerciais, anteciparam intensamente as rolagem, pois," gato escaldado tem medo de água fria", saindo 70 mil contratos abertos para 10 mil lotes abertos a 4 pregões do início da rolagem, reduzindo os diferencias de 20 cents para 2 cents, liquidando cerca de 9.500 posições vendidas. Nas últimas duas semanas. A queda de 20% em duas semanas, criou pela segunda vez, distorção entre NY e Londres, o diferencial atingiu 125 cents, um dos menores da histórica, bem abaixo do desvio padrão de 180,00 cents, deixando o café conilon sobre-valorizado e arábica sobre-desvalorizado, tudo indica que depois de algumas semanas volta operar próximo ao desvio padrão, no nível em torno de 350 cents. Os fundamentos de mercado que levaram NY a operar acima de 330 cents nos 170 dias continuam os mesmos.
Conilom
Segundo os dados do governo do Vietnã, em janeiro foram exportados 3 milhões de sacas, um das maiores embarques mensal da história, pela primeira vez, superior ao do Brasil em 220 mil. As exportações indonésia de grãos de café robusta de Sumatra atingiram 541 mil em dezembro, um aumento de 52%. Exportação robusta com a dos dois países em janeiro deveria provocar desvalorização em Londres, mas que está acontecendo está sendo contrario, valorização nos preços em Londres, o março fechou nesta sexta-feira a US$ 3.859/t maior nível de fevereiro, antes do início do feriado do Tet de 9 dias, 14 a 22 de fevereiro, durante este período, os vendedores devem ficar fora do mercado.
Os contratos futuros em Londres está de acordo com o mercado, com os produtores travando os negócios no Vietnã devido a discrepância entre os preços de compra e venda, já que produtores e exportadores têm expectativas diferentes em relação a atual safra. Com fortes chuvas nos últimos meses, aa Indonésia, os produtores também estão retraídos, sem preza de vende sua produção. Os comerciantes que precisam do café para cumprir contratos estavam pagando US$ 350 de prêmio por tonelada. Comerciantes dizem que os produtores ainda retêm mais da metade da safra de 2025-2026, limitando a oferta de curto prazo para os exportadores.
Arábica
A redução da competitividade do café brasileiro no mercado internacional derrubou os embarques em janeiro de 2026. O país exportou 2,780 milhões de sacas, volume 30,8% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). De acordo com o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, " Vivemos um cenário de produtores capitalizados em função dos bons preços nos últimos anos, estoques de arábica limitados no período de entressafra e os cafés conilon e robusta sendo utilizados para suprir, majoritariamente, o mercado interno. Esse contexto é o que vem ocasionando a redução acentuada nos volumes negociados com o exterior e deve permanecer até a entrada da próxima safra. Possivelmente, deveremos observar o mesmo cenário para o café arábica a partir de julho, com a chegada da safra 2026/27. Até então, os volumes de exportação devem seguir apertados dada a falta de competitividade, principalmente dos arábicas, frente a outros países produtores concorrentes".
A Conab estimou a safra brasileira de café em 66,2 milhões de sacas, volume bem abaixo do que o tradings esperavam. Mesmo com este números, a mídia foi bombardeias com informações de safra acima de 73 milhões e justando ao restante da safra passada seria suficiente para reequilibrar o mercado tentado focar o mercado que haverá café suficiente para o Brasil cumprir seus contratos dos próximos quatro meses.
Devido a quebra das últimas cinco safras, principalmente o arábica, o estoques do Brasil e mundial está nos menores níveis história. Atualmente os estoques nos armazém do Brasil nunca estiveram tão baixo, sendo algumas informações de mercado, começaram o ano de 2026 com 50% dos estoques de janeiro do ano passado.
Com este inverno rigoroso no Hemisfério Norte, atualmente, os estoques de café dos principais consumidores estão a níveis alarmantes. Na Europa estão girando em torno de 7 a 7,5 milhões de sacas, suficiente para o consumo de 7 semanas, historicamente, os níveis médios ficam entre 11 a 12 milhões de sacas, consumo para 12 semanas. Nos EUA, os estoques deve estar entre 3 a 3,5 milhões de sacas, suficiente para o consumo de 6 a 7 semanas, historicamente, os estoques giram em 7 milhões de sacas, suficiente para 14 semanas.
Com base nestes dados, para reequilibrar o consumo da Europa e dos EUA seriam necessário será necessário 8 milhões de sacas e não esquecendo que aumento anual do consumo está em torno de 4 milhões de sacas. Os tradings alegam que a produção de 73 milhões será o suficiente para regularizar o mercado, mas esta produção vai minimizar o forte déficit na safra 2026/27.
Fazendo um resulto da distorção:
Exportações dos principais produtores de café conilon aumentam, os preços dos contratos em Londres aumentam. Os estoques mundiais de café arábica diminuem para os menores níveis da histórico, os preços em NY diminuem. Com toda esta volatidade entre os dois mercado, a retração de vendedores se concretam nos principais produtores de arábica ( Brasil e Colômbia ) e de conilon ( Vietnã e Indonésia ). Quando analiso estas informações, sempre vem em mente a famosa frase “Há algo de podre no reino da Dinamarca”, dita pelo personagem Marcelo na peça Hamlet de William Shakespeare. Fazendo plagio no lugar de reino da Dinamarca coloco mercado de café.
Ao analisar os números da exportação do Brasil e Vietnã, o mês janeiro foi um mês surpreendente no mercado do café, exportação do Vietnã supera a do Brasil em 220 mil sacas. O fato mais inédito do últimos anos no mercado de café, com reação do mercado está sendo totalmente inverso. A exportação recorde de 3 milhões deveria derreter os contratos futuros de café robusta, mas está se mantendo acima de US$ 3.700 a tonelada. A queda das exportações em 30% do Brasil e a justificativa da Cecafé, de que os estoques estão restritos de café arábica no período de entressafra, deveria provocar um rally nos contratos de café arábica, mas ainda se mante abaixo de 295 cents com a dúvida se o Brasil terá café suficiente para honrar seus compromissos nos próximo 5 meses.
De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Agricultura e Meio Ambiente, as empresas vietnamitas exportaram 3 milhões de sacas de café em janeiro de 2026, o maior já registrado em um mês, alta 25,5% ante a janeiro do ano passado. Em 2025, o volume total de exportação atingiu recorde de 26,67 milhões de sacas. De acordo com dado dos Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o Brasil exportou 2,780 milhões de sacas de café em janeiro de 2026, queda de 11,26% ante a dezembro e 30,8% comparado no primeiro mês do ano passado.