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O mercado segurou — até quando?


Leia, na sequência, artigo de autoria de Marcelo Fraga Moreira, profissional há mais de 30 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting. 


O vencimento das opções no março-26 foi o “evento da semana”. Nos 3 primeiros pregões o março-26 tentou negociar abaixo dos 290 centavos de dólar por libra-peso com volume médio diário negociando ao redor dos +60 mil lotes (já na sexta-feira o volume negociado ficou ao redor dos 37.000 lotes).

No último pregão da semana o mercado chegou a negociar com +800 pontos de alta e encerrou com os últimos negociados (após o “ajuste”) caindo ao redor dos -200 pontos.

O vencimento julho-26 encerrou @ 292,40 centavos de dólar por libra-peso. Durante a semana a mínima foi 280,65 e a máxima 301,80 centavos de dólar por libra-peso. O R$ continuou firme negociando na mínima ao redor dos 5.25 R$/US$ e na máxima abaixo dos 5.16 R$/US$. A combinação “bolsa + dólar” dessa vez não favoreceu o produtor pois a liquidação em R$/saca variou muito pouco – oscilando aproximadamente 50 R$/saca com a “ajuda” do R$.

A principal notícia da semana foi a divulgação das exportações do Brasil durante o mês de jan-26 pela Cecafé* - o Brasil exportou apenas 2,78 milhões de sacas (-11,80% em relação ao mês dez-25 e -30% em relação a jan-25 – quando o Brasil exportou +4,00 milhões de sacas). Nos primeiros 7 meses do ano safra brasileiro julho-25/junho-26 o Brasil exportou 23,31 milhões de sacas x 30,18 milhões de sacas durante mesmo período safra anterior. Ou seja, o Brasil deixou de abastecer o mercado mundial nesse período com -6,87 milhões de sacas.

A projeção para o mês de fev-26, segundo dados da Cecafé*, por enquanto, indicam uma exportação ao redor das +3,00 milhões de sacas (importante acompanhar como virão os dados atualizados da Cecafé* após o feriado do carnaval para vermos se os embarques pararam ou não). Confirmando +3,00 milhões de sacas em fev-26 e mais +2,50 milhões de sacas nos 4 meses seguintes, então o Brasil encerrará o ano safra 25/26 exportando +36,31 milhões de sacas x +45,80 milhões de sacas no ano safra 24/25 – uma redução em -9,49 milhões de sacas!

Enquanto o mercado continua de olho na próxima safra brasileira 26/27 a grande dúvida continua sendo qual o estoque de passagem ainda disponível no Brasil no spot para abastecer a demanda dos exportadores durante os próximos 4,50 meses! Essa agora a “pergunta do milhão de dólares”!

Produtor ainda com estoque nas mãos está capitalizado e não quer vender o saldo do seu produto abaixo dos 2.000 R$/saca.

O mercado continua demandado produto e algumas cooperativas/tradings estão pagando um “basis*” mais alto para o produtor x as cotações em NY para conseguir originar e atingir o objetivo do produtor. Muitas tradings estão perdendo muito dinheiro pois realizaram vendas “fob” com um “basis* fob” ao redor de NY +5/+20 pontos e agora, com essas compra no mercado interno “mais caras”, o “preço fob equivalente em basis*” está ao redor de NY +40/+50 pontos! -30 pontos de prejuízo representam -39 US$/saca ou -206 R$/saca de prejuízo! Dependendo do tamanho da trading/comerciante estamos falando em prejuízos acima dos “milhões de reais”!

No curto prazo todos os vencimentos da safra 26/27 estão com os indicadores gráficos indicando “mercado sobrevendido” e forte resistências! O julho-26 poderá subir até os 323 centavos de dólar por libra-peso; o set-26 até os 308 centavos de dólar por libra-peso; e o dez-26 até os 305 centavos de dólar por libra-pso.

Para as próximas safras julho-26/junho-27 e julho-27/junho-28 o mercado continua negociando bom volume. Desde out-nov-25 - quando o mercado deu oportunidade para o produtor vender para entrega em set-out-26 acima dos +2.200 R$/saca e para a safra julho-27/junho-28 acima dos +2.000 R$/saca – produtores estão vendendo agora ao redor dos 1.650/1.600 R$/saca. Um preço médio ao redor dos 1.900 R$/saca continua sendo um “bom preço” para o produtor (considerando o custo do produtor entre 950/1.200 R$/saca).

O receio do Brasil produzir em 27/28 uma safra recorde (provavelmente acima dos 75/80 milhões de sacas – considerando todos os investimentos / expansão / renovação e novos projetos em implementação durante os últimos 2 anos) já está deixando o produtor preocupado. Com a alta da sexta-feira (antes do feriado do carnaval no Brasil e “Dia do Presidente” na segunda-feira nos EUA) a paridade para o mercado interno – com a ajuda do R$ voltando a negociar acima dos 5,22 R$/US$ - voltou a dar uma “paridade” para vendas set-out-26 acima dos 1.700 R$/saca e acima dos 1.650 R$/saca para set-out-27!

Esses “picos” de mercado, a meu ver, precisam ser monitorados e o produtor “aproveitar” essas oportunidades. Eu também creio que a safra 26/27 e 27/28 serão “grandes” e os estoques mundiais finalmente começarão a se recompor. Como mencionado no “comentário semanal” anterior creio que em breve veremos os vencimentos futuros voltando a negociar ao redor dos 250 centavos de dólar por libra-peso.

Creio que durante a safra 26/27, em algum momento, o mercado interno poderá voltar a negociar e testar os 1.400 R$/saca para o café arábica tipo 6 e testar os 900 R$/saca para o café conilon.

Londres encerrou a semana em alta, com café conilon spot voltando a liquidar acima dos 1.100/1.150 R$/saca e vencimentos para entrega futura ainda acima dos 1.100 R$/saca!

No curto prazo, dependendo das exportações do Brasil durante os próximos 4,50 meses, o mercado “spot” poderá ter um novo “rallie” nos preços e aumentando o spread entre produto “spot” x produto safra nova 26/27.

Já existe a expectativa do estado de Rondônia iniciar a colheita no final do mês de março-26. Ou seja, em 30 dias o Brasil deverá iniciar a safra nova “julho-26/junho-27” e voltar a abastecer o mercado interno e mundial já com produto “safra nova”.

A “briga” com relação ao tamanho da próxima safra 26/27 entre o “mercado x produtores” continua entre 70/75 milhões de sacas x 65/60 milhões de sacas. A meu ver, apenas um evento extraordinário (climático) poderá mudar a tendência do mercado para o curto/médio prazo. Ou se os fundos + especuladores resolverem voltar as compras.

Conforme a última posição do CFTC* os fundos + especuladores ainda estão comprados em apenas +2.866 lotes! Ou seja, tem muito espaço tanto para novas compras quanto para vendas!

Como sempre: Produtor proteja-se!

Aproveite os momentos de alta no mercado e aproveite as oportunidades – ainda bem acima do custo de produção da grande maioria dos produtores!

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Contrato Cotação Variação
Maio 298,30 + 0,85
Julho 294,35 + 0,65
Setembro 290,15 + 0,45
Contrato Cotação Variação
Maio 3.800 + 35
Julho 3.715 + 38
Setembro 3.649 + 42
Contrato Cotação Variação
Março 384,20 - 4,75
Maio 381,50 - 5,05
Setembro 360,40 - 0,60
Contrato Cotação Variação
DXY 96,90 + 0,07
Dólar 5,2330 + 0,63
Euro 6,2090 + 0,58
Ptax 5,2288 + 1,19
  • Varginha
    Descrição Valor
    Duro/riado/rio R$ 1880,00
    Peneira14/15/16 R$ 2230,00
    Safra 25/26 20% R$ 2130,00
    Certificado 15% R$ 2160,00
  • Três Pontas
    Descrição Valor
    Duro/riado/rio R$ 1870,00
    Miúdo 14/15/16 R$ 2050,00
    Safra 25/26 18% R$ 2130,00
    Certificado 15% R$ 2160,00
  • Franca
    Descrição Valor
    Moka R$ 2100,00
    Cereja 20% R$ 2180,00
    Safra 25/26 15% R$ 2130,00
    Duro/Riado 15% R$ 2120,00
  • Patrocínio
    Descrição Valor
    Peneira 17/18 R$ 2250,00
    Rio com 20% R$ 1670,00
    Safra 25/26 15% R$ 2140,00
    Safra 25/26 30% R$ 2120,00
  • Garça
    Descrição Valor
    Safra 25/26 20% R$ 2130,00
    Safra 25/26 30% R$ 2110,00
    Duro/Riado 15% R$ 1980,00
    Escolha kg/apro R$ 23,00
  • Guaxupé
    Descrição Valor
    Safra 25/26 15% R$ 2140,00
    Safra 25/26 25% R$ 2120,00
    Duro/riado 20% R$ 1980,00
    600 defeitos R$ 2100,00
  • Indicadores
    Descrição Valor
    Conilon/Vietnã R$ 1208,00
    Agnocafé 25/26 R$ 2140,00
    Cepea Arábica R$ 1901,38
    Cepea Conilon R$ 1092,10
  • Linhares
    Descrição Valor
    Conilon T. 6 R$ 1140,00
    Conilon T. 7 R$ 1120,00
    Conilon T. 7/8 R$ 1100,00