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Mercado interno do café arábica passa por momento histórico


Por José Roberto Marques da Costa 

Com volume nesta sexta-feira (27) 27.083 lotes em NY, 8.966 lotes a mais que no pregões de quinta-feira (26) quando teve a variação de 5,15 cents. O maio fechou em queda de 1,55 cents (0,55%) a 280,75 cents, variando 6,50 cents, de 276,10 cents a 282,60 cents, rompendo dois suportes em 279,88 cents e 277,47 cents, acumulando perda de 35,20 cents (11,2%) em fevereiro. A margem invertida maio/julho caiu para 4,85 cents ante a 4.90 cents do pregão anterior.

Os estoques certificados aumentaram 11.174 sacas, para 477.229 sacas, esperando certificação 149.180 sacas, em fevereiro acumula alta de 41.508 sacas com sacas de café vindo de Honduras e Nicarágua. O estoque de café Brasil caiu para sexto lugar com 31.380 mil sacas, atrás de Honduras com 89.363, Peru com 72.491 mil, Nicarágua 77.294 mil, México 61.269, Tanzânia 38.868 sacas. Nos últimos 12 meses acumula queda de 331.899 sacas  

O volume nesta sexta-feira (27) atingiu 12.840 lotes em Londres, 146 lotes a mais que no pregão de quinta-feira (26), quando variou US$ 87/t. O maio fechou em queda de US$ 15 (0,68%) a US$ 3.624/t, variando US$ 60, a menor volatilidade de 2026, de US$ 3.590/t a US$ 3.650/t, rompendo o primeira suporte do dia em US$ 3.610/t, acumulando perda de US$ 413 (10,2%) por tonelada. A margem invertida de maio/julho sobe para US$ 72 ante a US$ 70 do pregão anterior. A diferença de preço entre NY e Londres cai para 115,70 cents ante 117,24 centos do pregão anterior.

O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) referente a 24 de fevereiro mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos diminuíram em 4,47%, diminuindo em 192 lotes suas posições compradas e aumentaram em 380 lotes suas posições vendidas, neste período a variação de março passou de 283,10 cents a 285,50 cents, alta de 2,40 cents (0,85%). As posições abertas tiveram alta, passando de 192.439 lotes para 202.235 lotes.

Segundo os números, os grandes fundos possuíam 11.906 posições líquidas compradas, sendo 46.072 posições compradas e 34.265 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 10 de fevereiro, eles tinham 12.464 posições líquidas compradas sendo 46.264 posições compradas e 33.800 posições vendidas. As empresas comerciais diminuíram em 1,43% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 24, saldo de 11.905 posições líquidas vendidas, sendo 77.679 posições compradas e 89.584 vendidas. No relatório anterior do dia 17, possuíam 12.078 posições líquidas vendidas, sendo 74.345. posições compradas e 86.432 vendidas.

O contrato de café arábica no maio continua sendo negociado dentro do intervalo entre 276,00 cents e 286,00 cents nos últimos pregões, mantendo-se acima do suporte de curto prazo em 280,00 cents. O suporte vem das compras contínuas das indústrias nas baixas, enquanto as vendas na origem diminuíram à medida amplia prêmios dos países produtores. A margem invertida maio/julho reflete esse impasse, subindo esta semana em torno de 5 cents. O estoque de reposição também ficou mais caro, com os produtores agora dispostos a vender apenas na alta. Como resultado, o mercado permanece em um padrão de espera, com o principal fator de incerteza continua sendo os estoques de café nos próximos 150 dias, com dúvidas, se o Brasil terá café suficiente para honrar seus compromissos até a entrada do café da nova safra.

Segundo a StoneX Coffee, os contratos futuros de café recuaram mais uma vez em uma sessão morna, embora os volumes de negociação tenham aumentado modestamente em comparação com quinta-feira – ainda baixos em relação à média recente. A maior parte da atividade do dia se concentrou durante a quebra inicial abaixo de 280,00 cents, o que atraiu interesse comercial antes que o mercado retornasse à sua faixa habitual. Os contratos futuros de robusta também fecharam em baixa, com compras comerciais registradas abaixo de US$ 3.600/t. Ambos os mercados tentaram subir nesta semana, mas não conseguiram aproveitar a força inicial. A forte resistência em 285,00 cents e 3.700 cents fizeram com que os mercados recuassem para a parte inferior das faixas de negociação recentes hoje, fechando com pouca variação na semana. NY começou a semana a 285,70 cents com margem invertida a 4,60 cents e fechou a 280,75 cents com margem a 4,85 cents e Londres iniciou US$ 3.591/t, margem invertida a US$ 64/t  e terminou a semana em US$ 3.624/t, margem em US$ 72/t

Nas últimas semanas, a mídia foi bombardeada com informações de safra mundial de café recorde na safra 2026/2027, o banco holandês Rabobank divulgou uma estimativa de que a produção deve chegar a 180 milhões de sacas. Estes dados não são novidades do mercado, foi um redundância, no meio jornalismo usa o terno " notícia requentada". A três meses atrás o Banco Mundial informou dados ainda maiores. Em dezembro de 2025, o banco Mundial divulgou que a produção mundial, as projeções para 2026/2027 indicam recorde, atingindo 180 a 188 milhões de sacas, impulsionado pelo clima favorável no Brasil, e também divulgou que consumo global também deve aumentar, mantendo os estoques finais apertados. 

Segundo a grande maioria dos analistas de mercado, o principal motor dessa recuperação mundial é a safra brasileira de café que atingirá um recorde histórico de 70,7 milhões de sacas. Isso representa um aumento impressionante de 13,5% em relação ao ciclo anterior. A produção de arábica, sozinha, deve disparar 29,3%, atingindo 47,2 milhões de sacas. Embora a produção de Robusta (Conilon) deva ter uma leve queda de 8,9% em relação aos seus próprios recordes, o volume de Arábica é mais do que suficiente para compensar a diferença.

Este "bombardeiro" de informações de safra recorde, eu descrevo como "tampar o sol com a peneira", tentando mudar o foco da forte escassez (falta) de café do curto e médio prazo para longo prazo, induzido a grande maioria dos produtores, que daqui a seis meses, com a entrada desta safra recorde, o mercado vai se reequilibrar. Mas, o conteúdo destas notícias de recorde, não mencionam o enorme déficit mundial que deve estar em torno de 15 milhões de sacas, para reequilibrar o mercado precisa de duas a três safras como mencionada pela grande maioria do mercado           

Pelos últimos dados real, que pode levar mercado a se estressar ainda mais, está no curto café disponível para o comercio nos próximos 150 dias antes a entrada real desta nova safra que deve acontecer em agosto. São vários dados de mercado justificam esta preocupação:   

O relatórios dos traders desta semana mostra que a posições líquidas compradas dos grandes fundos estão iguais as posições liquidas vendidas dos comerciais e que nos últimos 28 dias, quando contratos futuros em NY começaram a despencar, saindo de 367,25 cents a 285,50 cents (22,2%), os grandes fundos liquidaram somente 10.245 posições compradas e os comerciais fizeram a fortíssima liquidação de 24.648 de suas posições vendidas. As industrias  continuam comprando os contratos de maio em NY protegendo de uma possível falta de café no curto prazo e os grandes fundos mantendo suas posições compradas.

Outro indicador real que mostra a escassez de café no mercado está na margem invertida em NY, nesta sexta-feira, a margem invertida de maio/julho em NY fechou a 4,85 cents e a margem de maio/setembro a 9,35 cents. A 12 meses atrás, a margem invertida de maio/julho estava em 17,20 cents e de maio/setembro em 31,65 cents.  A anos atrás esta margem  sempre foi positiva, começo a ficar negativa depois da safra 2021/2022.   

O maior indicador real desta falta de produto para abastecer este mercado internacional insaciável de café, está prorrogação das vendas de produtores que estão atualmente capitalizados. Pela primeira vez na história em pleno mês de fevereiro, repito, pela primeira vez na história do mercado café, sem influencia de fatores climáticos, os compradores estão tendo que pagar prêmios ante as cotações em NY para honrar seus compromissos e aqueles tradings que realizaram suas operações no ano passado com deságio e sem a devida cobertura na época estão tendo grandes prejuízos. Nesta semana, o premio estava entre 20 cents a 30 cents e para café fino atingiu em algumas vendas a 50 cents, com tendência de maiores prêmios nos próximos meses. 

Esta forte retenção pelo produtores de café, reflete na performance das exportações brasileiras dos últimos meses, que em média de 25% a 30%. Em janeiro foram exportados 2,780 milhões de sacas, queda de 30,8% sente a janeiro do ano passado, cerca de 1,236 milhões de sacas a menos, menor embarcado há um ano e o mais baixo para um mês de janeiro nos últimos 8 anos. Pelos dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), em fevereiro a queda deverá ser maior, até dia 27, foram os embarques 2.320 milhões sacas, tudo indica que deverão ser embarcadas 2,6 milhões de sacas pelo segundo mês consecutivo, o menor embarque mensal desde a safra 2017/18. Sem um reação dos preços em NY e  a forte retenção dos vendedores, no primeiro semestre de 2026 deverá ser embarcadas 15 milhões de sacas, 4 milhões de sacas a menos que foram embarcadas no mesmo período do ano passado. 

Deste setembro estou alertando de uma possível  falta de café para abastecer o mercado  depois da safra "surpresa" de 2025/2026 e tudo indica que está se tornando real. A vários meses em conversas com meus amigos produtores, sempre menciono frase " vocês não imaginam a situação crítica que está o mercado de café" 

Ótimo Final de semana 


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Contrato Cotação Variação
Maio 280,75 - 1,55
Julho 275,90 - 1,50
Setembro 27140 - 1,55
Contrato Cotação Variação
Maio 3.624 - 15
Julho 3.552 - 17
Setembro 3.492 - 19
Contrato Cotação Variação
Maio 361,80 - 4,00
Julho 352,40 0
Setembro 330,25 - 2,45
Contrato Cotação Variação
DXY 97,57 - 0,17
Dólar 5,1340 - 0,10
Euro 6,0690 + 0,10
Ptax 5,1495 + 0,22
  • Varginha
    Descrição Valor
    Duro/riado/rio R$ 1730,00
    Peneira14/15/16 R$ 2070,00
    Certificado 15% R$ 1990,00
    Safra 25/26 20% R$ 1960,00
  • Três Pontas
    Descrição Valor
    Duro/riado/rio R$ 1730,00
    Miúdo 14/15/16 R$ 1880,00
    Safra 25/26 18% R$ 1950,00
    Certificado 15% R$ 1990,00
  • Franca
    Descrição Valor
    Duro/Riado 15% R$ 1900,00
    Moka R$ 1930,00
    Cereja 20% R$ 2010,00
    Safra 25/26 15% R$ 1970,00
  • Patrocínio
    Descrição Valor
    Peneira 17/18 R$ 2100,00
    Rio com 20% R$ 1530,00
    Safra 25/26 30% R$ 1950,00
    Safra 25/26 15% R$ 1970,00
  • Garça
    Descrição Valor
    Duro/Riado 15% R$ 1820,00
    Escolha kg/apro R$ 21,00
    Safra 25/26 20% R$ 1960,00
    Safra 25/26 30% R$ 1940,00
  • Guaxupé
    Descrição Valor
    600 defeitos R$ 1940,00
    Duro/riado 20% R$ 1830,00
    Safra 25/26 15% R$ 1970,00
    Safra 25/26 25% R$ 1950,00
  • Indicadores
    Descrição Valor
    Conilon/Vietnã R$ 1165,00
    Cepea Arábica R$ 1796,00
    Cepea Conilon R$ 1055,17
    Agnocafé 25/26 R$ 1970,00
  • Linhares
    Descrição Valor
    Conilon T. 6 R$ 1080,00
    Conilon T. 7 R$ 1070,00
    Conilon T. 7/8 R$ 1060,00