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Rumo aos 250 ou aos 300 centavos de dólar por libra peso


Leia, na sequência, artigo de autoria de Marcelo Fraga Moreira, profissional há mais de 30 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting.


O mercado do café continua em tendência de baixa com o julho-26 encerrando a semana @ 275,90 centavos de dólar por libra-peso (fechamento anterior / máxima / mínima / fechamento atual respectivamente 281,10 / 281,60 / 270,90 / 275,90 centavos de dólar por libra-peso).

O R$ finalmente rompeu o suporte dos 5,20 R$/US$ e encerrou a 5,1333 R$/US$.

O mercado continua otimista com a próxima safra 26/27 brasileira - prestes a iniciar sua colheita do café conillon já a partir da segunda quinzena do mês de março – vir acima dos 70 milhões de sacas.

O Rabobank soltou relatório prevendo uma produção mundial ao redor dos 177 milhões de sacas e um consumo em 169 milhões de sacas – gerando um superávit em 8 milhões de sacas. E a consultoria Hedgepoint estima a safra brasileira entre 71,10 e 74,40 milhões de sacas. Porém, em termos mundiais estimam uma produção global em 188 milhões de sacas e consumo mundial em 181 milhões de sacas! Ou seja, mesmo entre essas duas estimativas já existe uma diferença na produção mundial em quase 11 milhões de sacas!

Minha estimativa na produção global está entre 185 – 191 milhões de sacas e o consumo mundial entre 176-187 milhões de sacas!

De qualquer forma, mesmo com os números mais otimistas para a produção mundial em 191 milhões de sacas e um consumo mundial na ponta inferior (177 milhões de sacas) o índice “estoque x consumo” continuará abaixo dos 10%.  E no curto-médio prazo esse aperto ainda no quadro “oferta x demanda mundial” poderá continuar dando certa sustentação ao mercado.

Porém, o grande problema já está na safra 27/28. O mercado já vem antecipando e acreditando que a próxima safra 27/28 no Brasil será sim recorde (salvo se ocorrer alguma geada durante o próximo inverno e novos períodos de seca entre set-26/fev-27), podendo já ultrapassar os 80 milhões de sacas.

Interessante notar que todos os vencimentos julho-26, set-26 e dez-26 já encerraram abaixo dos 280 centavos de dólar por libra-peso e todos os vencimentos julho-27 / set-27 e dez-27 já encerraram abaixo dos 260 centavos de dólar por libra-peso. Ou seja, para o mercado cair 2-3.000 pontos basta alguma nova notícia baixista e/ou novos eventos geopolíticos (como o início da guerra neste final de semana).

Considerando a curva do R$/US$ para os próximos 18 meses, então, para os vencimentos julho-26 a dez-26 o mercado já aposta em café arábica já nos 1.500 R$/saca e para período julho-27 a dez-27 já indicando preços abaixo dos 1.500 R$/saca! Com o custo de produção estimado entre 900-1.200 R$/saca o produtor precisa ainda aproveitar os preços que estão sendo praticados e realizar alguma operação de hedge para garantir pelo menos o seu custo de produção. Os próximos 2-3 anos deverão ter preços bem pressionados – e possivelmente em algum momento, poderemos ver NY voltando a negociar abaixo dos 200 centavos de dólar por libra-peso!

Os fundos + especuladores estão ainda “comprados” em apenas +3.486 lotes. O mercado “spot” continua justo com comprador sendo obrigado a pagar no café arábica praticamente “NY flat*” = 1.800/1.900 R$/saca. E café arábica para entrega ago-set-26 já praticamente nos 1.500 R$/saca! Notar que o café robusta já negocia abaixo dos 1.000 R$/saca (tanto café spot quanto safra nova).

Para o mês de fevereiro-26, segundo dados da Cecafé, o Brasil deverá exportar novamente entre 2,50-2,70 milhões de sacas – aproximadamente -21% menor que os 3,40 milhões de sacas exportados em fev-25! Continuamos estimando uma exportação para a safra 25/26 entre 36-38 milhões de sacas (julho-25/junho-26)!

Aparentemente o Brasil ainda tem aproximadamente +20 milhões de sacas para ser consumido no mercado interno e/ou exportado durante os próximos 4 meses. Ou seja, café ainda existe no pipeline e entre “agora” até início de julho-26 o “mercado” irá arbitrar as oportunidades entre “mercado interno x mercado externo”. E o mercado que estiver pagando mais irá ficar com o produto!

Interessante notar que os preços do conillon no mercado interno estão extremamente pressionados. Aparentemente o café origem Vietnã e Indonésia estão negociando com +200 US$/tonelada de prêmio sobre as cotações em Londres e no Brasil o produtor está vendendo seu café conillon com um deságio de -400 US$/tonelada.

Com o início da guerra nesse final de semana entre EUA+Israel x Iran provavelmente vamos ver as rotas para a Europa via Canal de Suez sofrendo restrições com risco de ataques. Nesse caso o café conillon brasileiro voltará a ser bem competitivo.

No sábado o Irã já fechou o Estreito de Ormuz – principal rota da exportação do petróleo para o mercado mundial, responsável por aproximadamente 20% do produto consumido no mundo. Essa rota é responsável por carregar o produto dos grandes produtores do Oriente Médio — como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar - com destino aos mercados da Ásia, Europa e América do Norte. Possivelmente o petróleo irá disparar no curto prazo com reflexo direto nos custos dos fretes marítimos. Ou seja, com preços logísticos mais altos o mercado irá tentar “descontar”, claro, no produtor!

Produtor do conillon: atenção para oportunidades no curto prazo. Também notar que o café conilon está sendo negociado no “spot”, no mercado interno, aproximadamente -400 R$/saca abaixo do café arábica tipo “rio”! Valorizem seu café pois não faz sentido vender café conillon de boa qualidade abaixo do café rio!

No curto prazo o vencimento julho-26 encontra suporte nos 267 centavos de dólar por libra-peso e resistências apenas nos 300 / 312 e 320 centavos de dólar por libra-peso (média móvel dos 200 dias)!

Como sempre: Produtor proteja-se!

Aproveite os momentos de alta no mercado e aproveite as oportunidades – ainda bem acima do custo de produção da grande maioria dos produtores!

Boa semana a todos!

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Contrato Cotação Variação
Maio 280,75 - 1,55
Julho 275,90 - 1,50
Setembro 27140 - 1,55
Contrato Cotação Variação
Maio 3.624 - 15
Julho 3.552 - 17
Setembro 3.492 - 19
Contrato Cotação Variação
Maio 361,80 - 4,00
Julho 352,40 0
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  • Varginha
    Descrição Valor
    Duro/riado/rio R$ 1730,00
    Peneira14/15/16 R$ 2070,00
    Certificado 15% R$ 1990,00
    Safra 25/26 20% R$ 1960,00
  • Três Pontas
    Descrição Valor
    Duro/riado/rio R$ 1730,00
    Miúdo 14/15/16 R$ 1880,00
    Safra 25/26 18% R$ 1950,00
    Certificado 15% R$ 1990,00
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    Moka R$ 1930,00
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    Safra 25/26 15% R$ 1970,00
  • Patrocínio
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    Rio com 20% R$ 1530,00
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    Safra 25/26 15% R$ 1970,00
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    Escolha kg/apro R$ 21,00
    Safra 25/26 20% R$ 1960,00
    Safra 25/26 30% R$ 1940,00
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    Duro/riado 20% R$ 1830,00
    Safra 25/26 15% R$ 1970,00
    Safra 25/26 25% R$ 1950,00
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    Cepea Arábica R$ 1796,00
    Cepea Conilon R$ 1055,17
    Agnocafé 25/26 R$ 1970,00
  • Linhares
    Descrição Valor
    Conilon T. 6 R$ 1080,00
    Conilon T. 7 R$ 1070,00
    Conilon T. 7/8 R$ 1060,00