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Exportação de café no primeiro bimestre de 2026 foi a menor da história


Por José Roberto Marques da Costa

O volume nesta sexta-feira(06) de 34.781 lotes em NY, 2.644 lotes a mais que no pregões de quinta-feira (05) quando teve a variação de 11 cents. O maio fechou em alta de 4,50 cents (1,56%) a 293,30 cents, maior nível desde 13 de fevereiro variando 7,85 cents, de 289,60 cents a 297,50 cents, rompendo a primeira resistência em 294,87 cents, na semana acumula ganhos de 12,55 cents ( 4,47% ). O spread entre maio/julho fica estável em 4,85 cents ante ao pregão anterior e spread de maio/setembro sobe para 10,85 cents ante a 9,85 cents do pregão anterior.

 Os estoques certificados aumentaram 8.618 sacas, para 540.887 sacas, sendo Honduras e Nicarágua os principais responsáveis pelo aumento. Nos últimos 10 pregões, os estoques de Honduras cresceram 38.567 sacas e da Nicarágua 38.585 sacas, e do Brasil caíram 13.884 sacas para 21.587 sacas, esperando certificação 116.851 sacas.

O volume nesta sexta-feira (06) atingiu 18.421 lotes em Londres, 4.465 lotes a mais que no pregão de quinta-feira (05), quando variou US$ 88/t. O maio fechou em alta de US$ 21 (0,45%) a US$ 3.772/t, maior nível desde 16 de fevereiro, variando US$ 86, de US$ 3.736/t a US$ 3.822/t, rompendo duas resistências em US$ 3.775/t e US$ 3.799/t e na semana acumula ganhos de US$ 148/t (4,08% ). O spread de maio/julho sobe para US$ 93 ante a US$ 88 do pregão anterior e spread de maio/setembro sobe para US$ 174/t ante a US$ 158/t do pregão anterior. A diferença de preço entre NY e Londres sobe para 122,21 cents ante 118,79 centos do pregão anterior.

O pregão desta sexta-feira ( 06 )em NY abriu próximo ao nível do fechamento no after hours de quinta feira ( 05 ) em 294,15 cents, abrindo um intervalo de 5,35 cents ante ao fechamento de 288,80 cents, durante 60 minutos do after hours da quinta, tudo mudou, compras das indústria continuaram, mas vendas de origens não conseguiram voltar ao intervalos dos pregões anteriores abaixo de 286,00 cents, rompendo facilmente o nível de 290,00 cents e a importante média móvel de 291,17 cents. Acima deste nível, foi acionado stop de compras de grandes investidores, rompendo facilmente outro importante nível de 293,50 cents e atingindo 296,00 cents. No pregão desta sexta-feira compras de industrias continuaram levando a 297,50 cents, com dólar valorizado no intraday,  apareceram vendas de origens, que levou abaixo de 290,00 cents e mais compras de industrias deram suporte ao mercado fechando próximo a 293,50 cents.

O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) referente a 03 de março mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos diminuíram 0,36%, diminuindo em 893 lotes suas posições compradas e 560 lotes suas posições vendidas, neste período a variação de março passou de 283,10 cents a 283,15 cents, alta de 0,15 cents. As posições abertas tiveram alta, passando de 202.235 lotes para 208.591 lotes.

Segundo os números, os grandes fundos possuíam 11.179 posições líquidas compradas, sendo 45.179 posições compradas e 33.705 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 24 de fevereiro, eles tinham 11.906 posições líquidas compradas sendo 46.072 posições compradas e 34.265 posições vendidas. As empresas comerciais diminuíram em 2,30% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 03, saldo de 11.362 posições líquidas vendidas, sendo 81.031 posições compradas e 92.393 vendidas. No relatório anterior do dia 24, possuíam 11.905 posições líquidas vendidas, sendo 77.679. posições compradas e 89.584 vendidas.

Devido a dificuldade na compra cafés finos no mercado interno brasileiro, com os produtores fortemente retraídos, está tendo um embate entre os tradings e as industrias. Os compradores estão tentando rolar suas posições em NY até entrada da nova safra brasileira devido a dificuldade que adquirir café no mercado, mas com estoques baixíssimo em final de inverno no Hemisfério Norte, os torrefadores não estão concordando com rolagens, ele querem a entrega do café pelos tradings para recompor seus estoques.

Pela primeira vez na história, em pleno início de março, sem influencia de fatores climáticos, os compradores estão tendo de pagar prêmios ante as cotações em Nova Iorque para honrar seus compromissos e aquelas tradings que realizaram suas operações no ano passado com deságio e sem a devida cobertura na época estão tendo grandes prejuízos. Nesta semana, o prêmio aumentou de 25 cents a 30 cent para 40 cents a 45 cents e para café fino atingiu 60 cents, e como mencionei no artigo da semana passada com tendência de maiores prêmios nos próximos meses.

Nos últimos dois dias da semana aumentaram a procura de café pelos compradores para cafés bons e principalmente os finos com peneira alta. Na quinta-feira, alguns lotes foram negociados com 15% ente R$ 2.050,00 e R$ 2.070,00. Nesta sexta-feira, a procura continuou, mas os vendedores se retiram totalmente do mercado, teve ofertas de R$ 2.100,00 para cafés mais finos no Cerrado Mineiro.

O indicador de café arábica do Cepea/Esalq, referente a sexta-feira, 06 de fevereiro, ficou em R$ 1.913,12, alta de 2,04% (+ R$ 38,33 ). No mês acumula alta de R$ 116,11( 6,43% ), no ano queda de R$ 261,02 em dólar fica em US$ 3364,40. O indicador de café conilon ficou em R$ 1.070,12, alta de 0,48% (+ R$ 5,11 ), no mês acumula alta R$ 38,03 ( 3,67% ) e ano queda R$ 192,23, em dólar fica em US$ 203,94. Com os prêmios acrescentado aos preços, o indicador de café do arábica da safra 25/26 da Agnocafé com 15% fica em R$ 2.080,00, alta de 0,48% ( + R$ 10,00 ) nesta sexta-feira (06) e café livre a R$ 2.050,00. No mês acumula alta de R$ 110,00 e no ano acumula queda de R$ 260,00, em dólar fica em US$ 396,72.

Primeiro bimestre 2026: Vietnã com maior  e Brasil com a menor  exportação da histórica 

Neste primeiro bimestre de 2026, o Vietnã teve a maior exportação histórica de café, exportou 6,10 milhões de sacas, o que significa um aumento de 14% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados governamentais apresentados ao longo desta sexta-feira. A receita como os embarques no período, entretanto, registraram queda de 1,3%, indo US$ 1,76 bilhão, somente em fevereiro, exportou 2,35 milhões de sacas, com uma receita gerada da ordem de US$ 672 milhões, preço médio de R$ 1.500,00 por saca

Neste primeiro bimestre de 2026, o Brasil teve a menor exportação histórica, exportou de 4,973 milhões de sacas, queda de 31,5% em comparação com igual período de 2025 (7,256 milhões de sacas). Em termos de receita, houve diminuição de 14%: US$ 2,213 bilhões em 2026 ante US$ 2,574 bilhões em 2025. A exportação no mês de fevereiro atingiu 2,502 milhões de sacas, queda de 16,2% em comparação com igual mês de 2025 (2,986 milhões de sacas). Em termos de receita cambial, o desempenho ficou praticamente estável, leve queda de 0,2% entre os dois períodos, de US$ 1,120 bilhão para US$ 1,117 bilhão. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Segundo dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), até dia 06 de março, os embarques brasileiros do mês totalizaram 445.098 sacas, alta de 5,3% (média diária de 74.183 sacas), sendo 390.010 sacas de café arábica, 38.186 sacas de café conillon e 16.902 de café solúvel. Os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque de março totalizavam 701.572 sacas, alta de 2,7%, sendo 571.842 sacas de arábica, 68.390 sacas de conillon e 61.340 sacas de solúvel. As projeções preliminares dos embarques da Cecafé, indicam que em março deverá ficar em 2,6 milhões de sacas. Sem uma reação dos preços em Nova Iorque e a forte retenção dos vendedores, no primeiro semestre de 2026 deverão ser embarcadas 15 milhões de sacas, 4 milhões de sacas a menos que as remetidas ao exterior no mesmo período do ano passado.

Continua na mídia as informações de safra recorde, eu descrevo como "tapar o sol com a peneira", tentando mudar o foco da forte escassez (falta) de café do curto e médio prazo para longo prazo, mas daqui a seis meses, com a entrada desta safra recorde deve reequilibrar o mercado diante do forte déficit mundial do grão em torno de 15 milhões de sacas. Pelos últimos dados reais, o mercado deverá ficar estressado diante ao pouco café disponível para o comercio nos próximos 150 dias, antes a entrada real da nova safra que deve ocorrer por volta de agosto.  

Números importantíssimo sobre mercado futuro do café: Com a capitalização dos produtores e tendência de alta dos preços do café desde setembro passado, devido queda bem acima do esperado da safra 2025/2026, os negócios no mercado futuro físico de café tiveram forte redução na safra atual. Segundo informações do últimos 15 dias, o mercado de brater ( troca de fertilizantes ou defensivos por café ) e futuros para entrega em agosto ou setembro despencaram mais de 80%. Este é um dado muito importante de mercado, significa que os preços no segundo sementes não deverá ter a forte pressão devido entrega deste café. Nas safra passada, os negócios com mercado futuro ultrapassava 30% da produção, que representava 18 milhões de sacas e nesta safra não deve ultrapassar 4 milhões de sacas. Mais um mudança histórica no mercado de café   

 Atual momento  da Colômbia: queda de produção, falta de mão de obra e extorsões

Segundo dados da Federação Nacional de Cafeicultores (FNC), em fevereiro de 2026, a produção nacional atingiu somente 869 mil sacas, queda de apenas 2,68% ante 893.000 sacas de janeiro e de 36% em comparação com o mesmo mês de 2025. Entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, a Colômbia exportou 5,06 milhões de sacas de café, queda de 14% em relação ao mesmo período da safra anterior. Nos últimos 12 meses, a produção acumulada entre março de 2025 e fevereiro de 2026 totalizou 12,72 milhões de sacas, queda de 14% em relação ao mesmo período do ano.

O ajuste na oferta também se refletiu no mercado externo. As exportações de fevereiro totalizaram 807 mil sacas, uma queda de 32% em comparação com o mesmo mês de 2015. Até o momento, neste ano cafeeiro — entre outubro e fevereiro — o país exportou 5,06 milhões de sacas, representando uma redução de 14%.

Além da forte queda de produção, os produtores enfrentam dos problemas, a falta de mão de obra generalizada e a extorsões nas principais regiões produtora de café do país.  A busca desesperada dos produtores por colhedores de café tornou-se insustentável. Não há estimativas nacionais sobre a quantidade da primeira safra de 2025 que ficou por colher, mas as queixas de falta de mão de obra são generalizadas. Pelas últimas informações da mídia, cerca de 10% da colheita se perdeu devido à falta de trabalhadores.

Em Antioquia, Huila, Cauca e Nariño, em alerta máximo, os grupos criminosos encontram condições ideais: uma economia formal estável, circulação de dinheiro em espécie, baixa penetração de serviços bancários rurais e um histórico de controle territorial por atores armados. O resultado é a imposição sistemática de pagamentos de extorsão a produtores, cooperativas e transportadores. A análise geoespacial revela que possuem áreas onde a produção de café se sobrepõe a altos índices de extorsão. Nesses departamentos, os mapas mostram municípios com dupla vulnerabilidade: riqueza agrícola e pressão criminal. Em 2022, departamentos como Chocó, Guaviare, Meta, Cauca e Arauca também registraram níveis extremos de extorsão, bem acima da média nacional. Esses territórios compartilham dinâmicas de conflito persistente, presença de economias ilícitas e instituições frágeis. Huila e Antioquia se destacam pelo volume de produção de café e pela coexistência de economias legais e ilegais em diversas sub-regiões. Nesses contextos, a extorsão funciona como um mecanismo de captação de recursos: os agentes armados não precisam interromper a produção, mas a controlam indiretamente por meio de pagamentos periódicos.

Desde setembro estou alertando de uma possível falta de café para abastecer o mercado, depois da safra "surpresa" de 2025/2026. E tudo indica que está se tornando real. Há vários meses, em conversas com meus amigos do mercado, sempre menciono a frase: "vocês não imaginam a situação crítica que está o mercado de café."

Ótimo Final de semana 


Comentarios

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Data: 07/03/2026 12:05 Nome do Usuário: Honorato
Comentário: Parabéns pela a análise 👍👍👏🏻👏🏻🤝🤝
Data: 07/03/2026 10:42 Nome do Usuário: Fábio
Comentário: Uai!! E os fundamentos!
Contrato Cotação Variação
Maio 293,30 + 4,50
Julho 288,45 + 4,50
Setembro 283,95 + 4,00
Contrato Cotação Variação
Maio 3.772 + 21
Julho 3.679 + 16
Setembro 3.568 + 8
Contrato Cotação Variação
Maio 392,55 +10,65
Julho 367,00 + 5,95
Setembro 349,90 + 4,90
Contrato Cotação Variação
DXY 98,85 - 0,47
Dólar 5,2430 - 0,82
Euro 6,0830 - 0,57
Ptax 5,2878 + 0,82
  • Varginha
    Descrição Valor
    Certificado 15% R$ 2100,00
    Safra 25/26 20% R$ 2070,00
    Peneira14/15/16 R$ 2150,00
    Duro/riado/rio R$ 1800,00
  • Três Pontas
    Descrição Valor
    Safra 25/26 18% R$ 2070,00
    Certificado 15% R$ 2100,00
    Miúdo 14/15/16 R$ 1930,00
    Duro/riado/rio R$ 1800,00
  • Franca
    Descrição Valor
    Cereja 20% R$ 2120,00
    Safra 25/26 15% R$ 2080,00
    Moka R$ 1980,00
    Duro/Riado 15% R$ 1930,00
  • Patrocínio
    Descrição Valor
    Rio com 20% R$ 1580,00
    Safra 25/26 15% R$ 2080,00
    Safra 25/26 30% R$ 2060,00
    Peneira 17/18 R$ 2200,00
  • Garça
    Descrição Valor
    Duro/Riado 15% R$ 1900,00
    Escolha kg/apro R$ 25,00
    Safra 25/26 20% R$ 2060,00
    Safra 25/26 30% R$ 2040,00
  • Guaxupé
    Descrição Valor
    Duro/riado 20% R$ 1900,00
    600 defeitos R$ 1980,00
    Safra 25/26 15% R$ 2080,00
    Safra 25/26 25% R$ 2060,00
  • Indicadores
    Descrição Valor
    Cepea Arábica R$ 1874,74
    Cepea Conilon R$ 1065,57
    Conilon/Vietnã R$ 1250,00
    Agnocafé 25/26 R$ 2080,00
  • Linhares
    Descrição Valor
    Conilon T. 6 R$ 1110,00
    Conilon T. 7 R$ 1100,00
    Conilon T. 7/8 R$ 1090,00