Com dívida de R$ 65 bi, Raízen terá a maior recuperação extrajudicial do país
O dia 10 de março ficará marcado com o dia de maior da recuperação judicial da história da economia brasileira somando 69,5 bilhões, R$ 65 bi da Raízen e R$ 4,5 bi do Pão de Açúcar
Na parte da manhã, o grupo Pão de Açúcar anunciou que fechou acordo com seus principais credores para apresentar um plano de recuperação extrajudicial. Se aprovada, a medida permitirá à empresa renegociar parte de suas dívidas diretamente com os detentores de créditos, sem mediação da Justiça.
Com efeitos imediatos, o projeto atinge só as dívidas sem garantias, que, segundo o próprio grupo, chegam a aproximadamente R$ 4,5 bilhões. Ficaram de fora as despesas correntes ou operacionais, de forma a preservar os pagamentos a trabalhadores, fornecedores, parceiros e clientes.
A Raízen protocolou à noite um plano de recuperação extrajudicial com o apoio de credores representando mais de 40% da dívida, terá a maior recuperação extrajudicial do país
O acordo estabelece um standstill (a suspensão de pagamento de juros e principal) a partir de amanhã por 90 dias, durante os quais a companhia e os credores negociarão um plano de reestruturação financeira definitivo.
A Raízen está sendo representada pelo E.Munhoz Advogados, Pinheiro Neto, XGIVS Advogados, TWK Advogados e Rothschild & Co.
A Raízen incluiu na RE dívidas concursais de R$ 65 bilhões. A empresa tinha R$ 17,3 bilhões em caixa no final de dezembro. Os bancos são credores de cerca de metade da dívida, enquanto bondholders, detentores de CRAs e debenturistas detêm a outra metade.
O plano dá à Raizen um ambiente protegido para preservar seu caixa, especialmente no momento em que a empresa se aproxima do início da safra de cana – um período que demanda mais capital de giro – e enquanto o turnaround operacional liderado pelo CEO Nelson Gomes começa a dar resultados.
A Raízen continuará pagando fornecedores normalmente. O RE suspende apenas o serviço das dívidas financeiras.
Depois que um plano que previa o spinoff do negócio de distribuição de combustíveis e a venda de seu controle ao BTG foi rejeitado, neste momento o plano de capitalização da Raízen está lastreado numa oferta da Shell para injetar R$ 3,5 bilhões na companhia, além do compromisso de Rubens Ometto de injetar R$ 500 milhões como pessoa física.
A discussão com os credores vai passar por uma conversão de dívida em equity estimada na casa de 40%, com o objetivo de que a companhia fique com uma alavancagem menor de 3x EBITDA, deixando a estrutura de capital mais saudável.