Café recua após testar 300 cents em NY com realização de lucros dos fundos
Leia, na sequência, artigo de autoria de Marcelo Fraga Moreira, profissional há mais de 30 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting.
O mercado apresentou forte volatilidade ao longo da semana, com os contratos futuros em Nova Iorque chegando a testar níveis próximos de 300 centavos de dólar por libra-peso.
As expectativas em torno da próxima safra brasileira, somadas às oscilações do câmbio e ao ritmo mais moderado das exportações do Brasil, contribuíram para um ambiente de negociação mais cauteloso entre os participantes do mercado.
O vencimento julho-2026 registrou forte volatilidade ao longo da semana. As cotações oscilaram entre 277,00 e 296,40 centavos de dólar por libra-peso, encerrando a sexta-feira a 279,40 centavos de dólar por libra-peso.
As discussões em torno do potencial produtivo da safra brasileira 2026/27 também contribuíram para limitar novas altas nas cotações.
Considerando o fechamento da bolsa e o diferencial de compra de -55 pontos observado no mercado físico brasileiro o mercado interno voltou a negociar para entrega julho-setembro-26 novamente abaixo dos 1.600 R$/saca (aproximadamente R$ 1.573 por saca, tomando como base um câmbio próximo de R$ 5,30 por dólar).
No curto prazo o julho-26 encontra suporte inicial em 272,20 / 256 centavos de dolar por libra-peso. Perdendo os 256 centavos de dolar por liba-peso o objetivo final, no curto/médio prazo, apenas na região de 235 centavos de dólar por libra-peso. E próximas resistências, para o mercado voltar a tendencia de alta, precisará romper os 295 / 304 e 317 centavos de dólar por libra-peso.
Em Londres o contrato do conilon vencimento julho-2026 também apresentou oscilações significativas durante a semana.
As cotações variaram entre 3.730 e 3.351 US$/tonelada, com fechamento na sexta-feira a US$ 3.372/tonelada.
No mercado físico brasileiro, considerando um diferencial de compra estimado em -US$ 400 por tonelada, a paridade aproximada para o conilon corresponde a cerca de R$ 945 por saca, utilizando um câmbio de referência próximo de R$ 5,30 por dólar. Infelizmente o mercado do café conilon perdeu o importante suporte dos 1.000 R$/saca.
O contrato julho-26 encerrou a semana abaixo do piso da Banda de Bollinger de 50 dias (US$ 3.428 por tonelada) sinalizando enfraquecimento no curto prazo. Com isso, os próximos suportes relevantes passam a ser observados em US$ 3.200 e US$ 3.050 por tonelada.
Pelo lado das resistências, o mercado deve encontrar barreiras inicialmente na região de US$ 3.428 por tonelada (correspondente ao piso da Banda de Bollinger de 50 dias) seguida por US$ 3.583 e posteriormente US$ 3.720 por tonelada, níveis que podem limitar eventuais movimentos de recuperação das cotações.
No mercado cambial, o real apresentou desvalorização frente ao dólar ao longo da semana. A moeda norte-americana oscilou entre R$ 5,20 e R$ 5,32, encerrando a sexta-feira próxima de R$ 5,3180.
De acordo com dados divulgados pelo Cecafé, o Brasil exportou 2,61 milhões de sacas em fevereiro de 2026. Na comparação com fevereiro de 2025, os embarques registraram queda de 23,5% em volume, refletindo principalmente a menor disponibilidade de café no período de entressafra.
O mercado continua apostando na recuperação da produção brasileira na safra 2026/27, impulsionada pelo ciclo bienal positivo do café arábica e por condições climáticas relativamente favoráveis em diversas regiões produtoras.
Embora ainda haja elevado grau de incerteza quanto ao tamanho final da safra, analistas e participantes do mercado seguem monitorando atentamente o desenvolvimento das lavouras e os impactos potenciais sobre o balanço global de oferta e demanda.
No curto prazo, o mercado deve continuar apresentando volatilidade, refletindo a combinação entre fatores técnicos, movimentos cambiais e expectativas relacionadas à próxima safra brasileira.
A perspectiva de recuperação da produção no Brasil em 2026/27 pode limitar movimentos mais fortes de alta nas bolsas internacionais, embora eventuais riscos climáticos ou restrições de oferta no curto prazo possam voltar a sustentar períodos de recuperação das cotações.