Leia, na sequência, artigo de autoria de Marcelo Fraga Moreira, profissional há mais de 30 anos atuando no mercado de commodities agrícolas e que escreve relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting.
O mercado encerrou a semana com recuperação nos preços do arábica, sustentação no mercado físico brasileiro e um câmbio mais valorizado, em um ambiente que começa a incorporar a entrada da safra 2026/27 no Brasil.
O vencimento julho/26, encerrou a semana cotado @ 302,35 centavos de dólar por libra-peso, registrando alta de 2.295 pontos no período (fechamento anterior / mínima / máxima / fechamento atual respectivamente @ 279,40 / 276,05 / 304,60 / 302,35 centavos de dólar por libra-peso) evidenciando um movimento de recuperação e teste das máximas recentes.
Em Londres, o vencimento julho/26 encerrou cotado a USD 3.664 por tonelada. Apesar dos preços ainda sustentados, o mercado passa a incorporar a entrada da safra brasileira de conilon 2026/27, que tende a ampliar a oferta no curto prazo e limitar movimentos mais expressivos de alta.
No câmbio, o dólar apresentou volatilidade ao longo da semana, chegando a ser negociado na máxima de R$ 5,18/US$. Após as decisões de política monetária, a moeda americana ganhou força frente ao real. O Federal Reserve manteve a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, enquanto o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, contribuindo para o fechamento do câmbio em R$ 5,3117/US$.
Esse movimento combinado entre NY e câmbio voltou a dar sustentação ao mercado físico brasileiro. No disponível, os negócios com café arábica tipo 6 voltaram a ocorrer acima dos R$ 2.100 / R$ 2.150 por saca, refletindo uma oferta ainda restrita de cafés de melhor qualidade neste período de entressafra. Para operações futuras, as indicações contra setembro/26 e setembro/27 também voltaram a operar acima dos R$ 1.700 por saca, mostrando recomposição parcial da curva.
O mercado do café conillon conseguiu sustentar o piso nos 950 R$/saca. Mesmo com a alta em NY na sexta-feira Londres não conseguiu puxar tanto. E o mercado interno segue negociando entre 1.025 – 1.100 R$/saca!
Do lado do fluxo, o Cecafé indica que o Brasil deve manter um ritmo consistente de embarques. Para março/26, as projeções apontam exportações entre 2,80 e 3,00 milhões de sacas, reforçando a continuidade de um fluxo relevante mesmo em um ambiente de preços elevados e transição de safra.
O cenário macro também passou a exercer influência mais direta nas últimas semanas. A forte valorização do petróleo, impulsionada pelas tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, com o barril saindo da faixa de USD 60 para USD 100/110, reacendeu preocupações inflacionárias globais.
Já começam a ser observados reflexos no aumento dos custos de fretes marítimos, reconfiguração de rotas logísticas e expectativa de elevação nos preços de fertilizantes e insumos agrícolas. No mercado interno, o avanço do diesel e a preocupação com o custo de mão de obra neste início de colheita reforçam a tendência de aumento nos custos de produção, não apenas no Brasil, mas também nos principais países produtores.
Do ponto de vista técnico, o contrato julho/26 em NY passa a encontrar resistência na região dos 317 centavos de dólar por libra-peso (média móvel de 200 dias). Um eventual rompimento consistente — especialmente em um cenário de risco climático, como geadas entre junho e agosto/26 — pode abrir espaço para um movimento em direção aos 350 centavos de dólar por libra-peso. Por outro lado, os principais suportes no curto prazo estão nos níveis de 300 / 291 / 273 centavos de dólar por libra-peso.
Em Londres, o contrato julho/26 encontra resistências nas regiões de USD 3.700 e USD 3.870 por tonelada, enquanto os suportes passam a ser observados em USD 3.490 e USD 3.354 por tonelada.
Seguimos, portanto, com um mercado que permanece estruturalmente firme, sustentado por fatores de oferta, pelo câmbio e, mais recentemente, por um ambiente macro mais desafiador. A entrada da safra brasileira adiciona um elemento de atenção nas próximas semanas, mas ainda sem alterar de forma significativa o quadro de suporte, especialmente para o arábica. Ao mesmo tempo, a elevação dos custos ao longo da cadeia passa a ser um fator adicional que pode reforçar esse suporte no médio prazo.
Produtor proteja-se! Aproveitar esse potencial rallie de alta para procurar estruturar alguma operação de hedge garantindo um preço mínimo para a próxima safra 27/28 com piso nos 1.700 R$/saca!