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Programa Café Produtor de Água do CNC é reconhecido em publicação da ANA


O Conselho Nacional do Café (CNC) celebra, em meio às comemorações do Dia Mundial da Água, o reconhecimento institucional do seu “Programa Café Produtor de Água”, que passa a integrar o seleto conjunto de iniciativas destacadas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) na publicação “Resultados e Perspectivas”. O documento reúne projetos de referência apoiados pelo Programa Produtor de Água e apresenta diretrizes estratégicas para sua nova fase, consolidando boas práticas em segurança hídrica no Brasil.

Criado em 2001 pela ANA, o Programa Produtor de Água se tornou uma das principais políticas públicas voltadas à gestão sustentável dos recursos hídricos no país. A iniciativa atua especialmente em bacias hidrográficas com conflitos pelo uso da água, promovendo soluções baseadas na natureza e incentivando produtores rurais a adotarem práticas conservacionistas, como terraceamento, construção de bacias de infiltração, adequação de estradas vicinais, proteção de nascentes e recuperação de matas ciliares.

Essas ações são frequentemente associadas a mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), reconhecendo financeiramente o produtor rural pelo papel desempenhado na conservação dos recursos naturais. Ao longo de mais de duas décadas, o programa já apoiou mais de 70 projetos em diferentes regiões do país, consolidando uma ampla rede de parcerias que envolve estados, municípios, comitês de bacia, universidades, centros de pesquisa e organismos internacionais.

Na sua fase mais recente, o programa da ANA passou a priorizar o fortalecimento técnico das instâncias do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh), ampliando a disseminação de conhecimento, a capacitação de agentes locais e a integração entre iniciativas. As diretrizes dessa nova etapa estão estabelecidas nas Resoluções nº 180 e nº 181, publicadas em janeiro de 2024.

É nesse contexto que se insere o Programa Café Produtor de Água, desenvolvido pelo CNC, em articulação com cooperativas e instituições estratégicas do setor cafeeiro. A inclusão do programa na publicação oficial da ANA representa não apenas um reconhecimento técnico, mas também a validação de um modelo que integra produção agrícola e conservação ambiental.

A iniciativa foi estruturada em parceria com instituições como o Ministério da Agricultura, a própria ANA, o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura, a Embrapa Café, o Sistema OCB, o Sicoob, a Emater, a Copasa, além de órgãos estaduais, universidades, prefeituras e comitês de bacias hidrográficas. O objetivo central é promover uma gestão integrada da paisagem cafeeira, garantindo a conservação do solo e da água e ampliando a segurança hídrica nas regiões produtoras.

No Espírito Santo, o programa foi integrado ao Programa Reflorestar, com potencial para beneficiar centenas de propriedades, apoiar até 700 contratos de PSA e promover intervenções em cerca de 1.400 hectares.

Entre os principais resultados alcançados estão a elaboração de mais de 200 planos de propriedade, a implementação de práticas conservacionistas em diversas microbacias e o fortalecimento da governança local da água. Os impactos incluem a redução da erosão, melhoria da infiltração hídrica, conservação de nascentes e aumento da resiliência climática das propriedades.

Para 2026, está confirmada a ampliação das ações para a região de Indicação Geográfica Campo das Vertentes; Matas de Minas, com trabalhos previstos no município de Caratinga em parceria com o Sicoob Credcooper, no âmbito dos projetos Revitalizar e Nascente Viva; e expansão na Região do Cerrado Mineiro em parceria com a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Coocacer Araguari).

A Coocacer, o poder público municipal, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e instituições locais, definiram Araguari como área-piloto prioritária para a ampliação do programa no Cerrado Mineiro. A iniciativa avança com a estruturação de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) e com a integração a políticas e projetos já existentes, criando um ambiente favorável para a adoção de práticas conservacionistas e para o fortalecimento da segurança hídrica em uma das regiões mais estratégicas da produção cafeeira nacional.

Esse movimento reforça Araguari como um verdadeiro laboratório de inovação em cafeicultura sustentável, onde produção e conservação caminham de forma integrada. Com forte base cooperativista, protagonismo institucional e apoio político em nível municipal, estadual e federal, o programa ganha escala e robustez ao incorporar instrumentos como o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), a capacitação técnica de produtores e a adoção de práticas alinhadas às exigências de ESG. A atuação coordenada entre cooperativas, setor público e parceiros institucionais não apenas amplia o impacto local, mas também consolida um modelo replicável para outras regiões do país, reforçando o papel do Brasil como referência global em produção de café sustentável e gestão inteligente dos recursos hídricos.

“A inclusão do Programa Café Produtor de Água na publicação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, somada à sua expansão para diferentes regiões do país, reforça seu potencial como um modelo estruturante e replicável para outras cadeias produtivas. Ao promover a integração entre cooperativas, produtores, instituições financeiras e parceiros públicos e privados, a iniciativa evidencia que é plenamente possível aliar produtividade, conservação ambiental e segurança hídrica de forma consistente e duradoura. Registramos nosso reconhecimento à Eliane Cristina Barbosa Cardoso, Diretora Executiva da Coocacer, ao prefeito de Araguari, Renato Carvalho Fernandes, e a todos os parceiros regionais, pela prontidão, comprometimento e agilidade na construção desse diálogo, fundamentais para viabilizar e consolidar essa importante parceria”, avalia Silas Brasileiro, presidente do CNC.

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