Cotações do café são pressionadas por especulações sobre safra brasileira
Santos, sexta-feira, 27 de março de 2026
As incertezas em relação ao fim do conflito no Oriente Médio continuam forçando os preços do petróleo, que ontem voltaram a ficar acima dos 100 dólares, derrubando as bolsas ao redor do mundo e levando muita oscilação à cotação do dólar, pressionando também as cotações do café em Nova Iorque e Londres.
Os cafeicultores brasileiros, que estão planejando, se preparando para os trabalhos de colheita, foram surpreendidos por uma forte alta no preço do diesel, dos fertilizantes e dos defensivos, ao mesmo tempo que veem as cotações do café serem pressionadas pelas especulações sobre o tamanho da nova safra brasileira 2026/2027. As boas chuvas que caem desde meados de janeiro último, farão com que tenhamos uma boa produção, mas não têm capacidade de recuperar as flores e frutos perdidos com os problemas climáticos enfrentados pelos cafezais brasileiros em 2025.
Estamos no período de entressafra (janeiro a junho) e nossos embarques de café vêm recuando em relação ao mesmo período de 2025. Os números só não são piores porque a exportação de conillon, verde e solúvel, apresentou números melhores em fevereiro último, que podem se repetir neste mês de março. As de arábica devem continuar recuando (veja os números em nosso Boletim Semanal nº 12, de sexta-feira passada). Os estoques ainda em mãos de produtores parecem baixos, e eles vendem aos poucos devido à queda no valor ofertado pelos compradores. Os contratos de arábica em Nova Iorque trabalharam hoje em queda moderada e os de robusta, em Londres, encerraram o pregão desta sexta-feira com pequenas perdas.
Na ICE Futures US, os contratos de arábica para maio próximo, oscilaram hoje 910 pontos entre a máxima e a mínima, trabalhando sempre acima dos três dólares por libra peso, batendo, na máxima do dia, em US$ 3,0910 por libra peso, em alta de 145 pontos. Encerraram o dia valendo US$ 3,0170, em queda de 595 pontos (1,93%). Ontem recuaram 845 pontos (2,67%) e anteontem 175 pontos (0,55%). Na terça-feira subiram 1.085 pontos (3,53%) e na segunda-feira recuaram 275 pontos (0,89%). Somaram queda nesta semana de 805 pontos (2,60%) e alta na semana passada de 2.460 pontos (8,63%). Caíram no mês de fevereiro 3.460 pontos (10,97%) e 1.800 pontos (5,40%) no mês de janeiro. Na ICE Europe, os contratos de robusta para maio próximo, bateram hoje na máxima do dia em 3.638 dólares por tonelada, em alta de 42 dólares. Fecharam o pregão a 3.593 dólares, em queda de 3 dólares (0,08%). Ontem caíram 33 dólares (0,91%) e anteontem 33 dólares (0,90%). Na terça-feira subiram 25 dólares (0,69%) e na segunda-feira recuaram 27 dólares (0,74%). Somaram baixa nesta semana de 71 dólares (1,94%) e alta na semana passada de 209 dólares (6,05%). Caíram no mês de fevereiro 413 dólares (10,23%) e subiram no mês de janeiro 165 dólares (4,26%).
Hoje, os estoques de cafés arábicas certificados na ICE Futures subiram 2.013 sacas. Estão em 551.724 sacas. Há um ano eram de 777.817 sacas, caindo nesse período 226.093 sacas. Somaram alta nesta semana de 10.285 sacas e queda na semana passada de 30.565 sacas. Subiram no mês de fevereiro 41.508 sacas e caíram 17.434 sacas no último mês de janeiro. Subiram no mês de dezembro 46.196 sacas e caíram no mês de novembro 24.769 sacas. Acumularam perdas no mês de outubro de 138.209 sacas e de 140.279 sacas no mês de setembro. No mês de agosto recuaram 60.425 sacas e no mês de julho 70.552 sacas. No ano de 2025, os estoques certificados pela ICE Futures US, recuaram 53,76%, acumulando perdas de 526.812 sacas.
Os estoques certificados de café arábica na ICE Futures US, em Nova Iorque, estão perto de 0,6 milhão de sacas em 2026. Nos últimos anos os volumes foram maiores: 1,8 milhão em 2021, 1,2 milhão em 2022 e 0,8 milhão em 2023. A queda reforça a oferta apertada e mantém o mercado sensível a qualquer problema climático no Brasil (Fonte: OIC, Reuters, Cecafé).
O dólar caiu hoje 0,30%, fechando a R$ 5,2400. Fechou a sexta-feira passada a R$ 5,3090 e a sexta-feira anterior à passada a R$ 5,3150.
Em reais por saca, os contratos para maio próximo na ICE Futures US fecharam hoje valendo R$ 2.091,23. Encerraram a última sexta-feira a R$ 2.175,30, e a sexta-feira anterior à passada a R$ 2.004,80.
No mercado físico brasileiro de arábica, os compradores diminuíram o valor das ofertas e o mercado apresentou-se calmo, com poucos negócios fechados. O mercado físico de conillon continua apresentando um número mais expressivo de negócios fechados. Há interesse comprador para todos os padrões de café.
Até dia 27 os embarques de março estavam em 1.698.251 sacas de café arábica, 267.259 sacas de café conillon, mais 227.655 sacas de café solúvel, totalizando 2.193.165 sacas embarcadas, contra 2.457.783 sacas no mesmo dia de fevereiro. Até o mesmo dia 27, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em março, totalizavam 2.493.601 sacas, contra 2.638.797 sacas no mesmo dia do mês anterior.
A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 20, sexta-feira, até o fechamento de hoje, caiu nos contratos para entrega em maio próximo 805 pontos ou US$ 10,65 (R$ 55,80) por saca. Em reais, as cotações para entrega em maio próximo na ICE, fecharam no dia 20 a R$ 2.175,30 por saca, e, hoje a R$ 2.091,23. Hoje, nos contratos para entrega em maio, a bolsa de Nova Iorque fechou em baixa de 595 pontos.