Embrapa analisa perspectivas e desafios para mercado brasileiro de café
A Rede de Socioeconomia da Agricultura da Embrapa realizará, no dia 07 de abril, das 10 às 12 horas, o debate on-line “Mercado brasileiro do café: perspectivas, desafios e oportunidades”, com transmissão pelo canal da Embrapa no YouTube. O evento é gratuito e aberto ao público.
O encontro integra a série Debates em Socioeconomia, iniciativa voltada à análise de tendências, gargalos e oportunidades das principais cadeias produtivas do agro brasileiro. Desta vez, o foco será uma atividade de grande peso estratégico para o País. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café e está entre os maiores consumidores da bebida.
Ao mesmo tempo, a cafeicultura enfrenta pressões. Entre elas estão os efeitos das mudanças climáticas, novas exigências ambientais e geopolíticas, barreiras comerciais recentes e a necessidade de atender a padrões cada vez mais rigorosos de sustentabilidade, rastreabilidade, qualidade e transformação digital.
Job Vieira, Supervisor de Inteligência Estratégica, explica que “o debate pretende tratar das perspectivas e oportunidades para o mercado do café brasileiro e do fortalecimento do setor, com ênfase no papel da pesquisa agropecuária e da inovação diante dos desafios atuais e futuros”.
A proposta do painel está organizada em três eixos. O primeiro é o diagnóstico de mercado, com avaliação da evolução da produção global e do desempenho dos principais países produtores, exportadores e consumidores. A ideia é oferecer uma visão ampla sobre o mercado cafeeiro e os fatores que moldam o ambiente de negócios no Brasil e no exterior.
O segundo eixo trata de desafios e tendências, com destaque para a visão do setor privado sobre entraves, riscos e novas exigências internacionais. Estão nesse campo temas como sustentabilidade, rastreabilidade, competitividade e adaptação a mudanças nas regras e expectativas dos mercados.
O terceiro aborda pesquisa e inovação, com foco em estratégias e programas capazes de responder aos principais desafios atuais da cafeicultura. Entre eles estão os impactos das mudanças climáticas, a necessidade de modernização tecnológica, as alterações nos padrões de consumo e a crescente demanda por qualidade e transparência ao longo da cadeia.
A mesa reunirá abordagens complementares sobre o tema. A debatedora Rita de Cássia Milagres Teixeira Vieira, pesquisadora da Embrapa, deverá trazer uma leitura voltada ao mercado nacional e internacional do café, examinando produção, exportação, consumo e os fatores que influenciam o setor. Marcos Mota, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, apresentará a perspectiva do setor privado, ressaltando entraves, tendências globais e possíveis contribuições de políticas públicas para a competitividade da cafeicultura. Já Sílvio Farnese, diretor do Departamento de Análise Econômica e Políticas Agropecuárias da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, deve contribuir com uma visão estratégica e governamental sobre o futuro da atividade, com ênfase na articulação entre ciência, políticas públicas e prática produtiva.
A moderação será de Rodolfo Oliveira, da Embrapa Café (Brasília, DF). A coordenação ficará a cargo de Job Lúcio Gomes Vieira e Pedro Abel Vieira, ambos da Embrapa.
Marcos Francoso destaca que, diante de um ambiente mais complexo e exigente, cresce a importância da pesquisa agropecuária na geração de soluções para o setor. “A manutenção da liderança brasileira dependerá, cada vez mais, da capacidade de responder com rapidez e consistência a temas como adaptação climática, sustentabilidade, digitalização, rastreabilidade e agregação de valor”, diz.
A proposta do encontro é contribuir para esse esforço, promovendo o diálogo entre conhecimento técnico, políticas públicas e realidade produtiva.
Serviço
Debates em Socioeconomia
Tema: Mercado brasileiro do café: perspectivas, desafios e oportunidades
Rita de Cássia Milagres Teixeira Vieira, Embrapa: Engenheira agrônoma pela Universidade Federal de Viçosa, com mestrado em Economia Rural e doutorado em Economia Aplicada pela mesma instituição, além de pós-doutorado pela Texas A&M University. É pesquisadora da Embrapa, com atuação em economia rural, inteligência estratégica e políticas públicas para o agronegócio. Sua trajetória inclui estudos sobre cadeias produtivas, formulação e avaliação de políticas agrícolas e geração de conhecimento aplicado à tomada de decisão. Ao longo da carreira, também participou de discussões e instâncias relacionadas a diferentes cadeias produtivas, entre elas a do café, no contexto de políticas públicas e desenvolvimento setorial.
Marcos Matos, Cecafé: Engenheiro agrônomo, com mestrado em Agronomia pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Atua há cerca de 15 anos no agronegócio brasileiro, com experiência em gestão, políticas setoriais e relações institucionais. Foi diretor executivo da Associação Brasileira do Agronegócio da Região de Ribeirão Preto, trabalhou na Fundação Getulio Vargas com gestão de projetos e na Bayer na área de relações governamentais. Atualmente é diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, onde atua na representação institucional do segmento exportador, com forte participação em temas como comércio internacional, sustentabilidade, rastreabilidade e políticas públicas para a cafeicultura.
Sílvio Farnese, MAPA: Engenheiro agrônomo pela Universidade Federal de Viçosa, com mestrado em Economia Rural pelo Instituto Agronômico de Montpellier, na França. Iniciou a carreira como extensionista da antiga Acar-Goiás, em 1975, e foi consultor do IICA no Serviço de Produção de Sementes Básicas da Embrapa, em 1983. É empregado da Companhia Nacional de Abastecimento desde 1986 e está cedido à Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária. No MAPA, foi diretor do Departamento de Café, Cana-de-açúcar e Agroenergia, em 2016, diretor do Departamento de Comercialização da Secretaria de Política Agrícola, em 2019, e, desde 2024, é diretor do Departamento de Análise Econômica e Políticas Agropecuárias.