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Déficit global da safra 2026/2027 deve superar as 10 milhões de sacas


Por José Roberto Marques da da Costa 

Com forte volume de 59.457 lotes nesta sexta-feira (10) em NY, 4.534 lotes a mais que no pregão de quinta-feira (09), quando teve a variação de 7,15 cents. O contrato de café arábica no maio fechou em alta de 6,40 cents (2,18%), a 300,10 cents, variando 9,45 cents, de 291,80 cents a 301,25 cents, 0,25 cents abaixo da máxima da semana passada. O spread entre maio e julho sobe para 4,20 cents ante os 4,15 cents do pregão anterior, com o spread de maio para setembro caindo para 19,00 cents ante os 17,90 cents do pregão anterior e o spread entre julho e setembro avançou para 14,80 cents, ante 13,75 cents no pregão passado.

Os estoques certificados na ICE diminuíram 3.066 sacas, para 546.181 sacas de 26 países produtores, com Honduras aparecendo em primeiro, com 141.114 sacas, Peru, com 75.147 sacas, Nicarágua, com 74.845 sacas, México, com 73.845 sacas. O Brasil aparece em sétimo lugar, com 24.239 sacas e esperando certificação de 20.975 sacas

O volume nesta sexta-feira (10) atingiu 21.263 lotes em Londres, 2.819 lotes a mais que no pregão de quinta-feira (09), quando variou US$ 70/t. O maio fechou em alta de US$ 114 (0,42%) a US$ 3.324/t (150,77 cents), variando US$ 81, de US$ 3.249/t a US$ 3.330/t. O spread de maio para julho sobou para US$ 85, ante a US$ 71 do pregão anterior, com o spread de maio para setembro avançando para US$ 145 ante os US$ 133/t do pregão anterior e o spread de julho para setembro caiu para US$ 60, ante a US$ 62 do pregão anterior. A diferença de preço entre NY e Londres subiu para 14,33 cents ante 143,56 cents do pregão anterior.

O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission), referente a 07 de abril, mostrou que as posições líquidas compradas dos grandes fundos diminuíram em 13,25%, recuando em 644 lotes suas posições compradas e aumentando em 2.609 lotes suas posições vendidas. Neste período, a variação de março passou de 298,35 cents a 286,10 cents, queda de 12,25 cents. As posições abertas tiveram alta de 7,4%, passando de 217.788 lotes para 219.400 lotes, devido à semana de rolagens de fundos index e vencimento das opções de maio.

Os relatórios semanais dos últimos meses mostram que os grandes fundos mantêm suas posições compradas em torno de 47 mil lotes, variando em média de 4 mil lotes suas posições vendidas. Neste relatório, apesar da queda de 12,25 cents, os comerciais diminuíram 16% suas posições liquidas vendidas, confirmado as recompras de posições vendidas no curto prazo.

Segundo os números, levando-se em consideração apenas as posições futuras, os grandes fundos possuíam 21.301 posições líquidas compradas, sendo 47.088 posições compradas e 25.787 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 31 de março, eles tinham 24.554 posições liquidas compradas, sendo 47.732 posições líquidas compradas e 24.554 posições vendidas. As empresas comerciais tiveram queda de 16,04% suas posições líquidas vendidas, registrando, no dia 07, saldo de 21.2043 posições líquidas vendidas, sendo 79.902 posições compradas e 101.145 vendidas. No relatório anterior, do dia 31, possuíam 25.302 posições líquidas vendidas, sendo 78.163. posições compradas e 103.465 vendidas.

Os contratos futuros de café arábica se recuperaram 1,59% nesta semana, passando de 295,40 cents para 300,10 cents, maior nível dos últimos sete pregões, com o dólar registrando queda expressiva de 2,9%, fechando cotado próximo a R$ 5,01. O volume de negócios diário foi intenso, acima de 55 mil lotes nos últimos pregões, devido aos vencimento das opções nesta sexta-feira (10), que fechou acima de 300 cents, e às rolagem de fundos de índice, que vão até segunda-feira (13).  

Na semana, a atividade nos spreads foi mista, spread de maio a julho caiu de 6,00 cents para 4,2 cents, com volume de contratos em aberto em julho (38.438) superando o maio (64.256), spread de maio para setembro sobou de 18,75 cents para 19,00 cents. A surpresa foi a forte alta do spread de julho para setembro, que passou de 9,75 cents para 13,80 cents, confirmando o baixo volume de café arábica no mercado no curto prazo.   

Agnocafé projeta déficit global de no mínimo de 10 milhões de sacas de café em 2026   

Segundo informações de uma empresa global de serviços financeiros, a oferta global de café deve superar a demanda em 2026, com um superávit estimado em 10 milhões de sacas, com projeção que aponta para uma produção de 182,5 milhões de sacas, frente a um consumo de 172,5 milhões sacas, com os analistas da empresa prevendo a safra brasileira de 75,3 milhões de sacas, sendo 50,2 milhões de sacas de arábica e 25,1 milhões de conillon

Segundo outras fontes, a estimativa de produção brasileira varia de 70 a 73,5 milhões de sacas, mas as menores estimativas da safra deste ano de café brasileiro são do IBGE e da Conab, que variam de 64,1 milhões de sacas (IBGE) a 66,2 milhões (Conab). A diferença entre as estimativas atinge incrível número de 11,2 milhões de sacas, o que equivale à produção anual da Colômbia.

Ainda há mais diferenças, de mais de 8,5 milhões de sacas, com relação as estimativas do consumo global. O consumo mundial de café, atingiu cerca de 177 milhões de sacas até o final de 2025, segundo informações da OIC. Para 2026, a projeção para o consumo mundial de café deve chegar a 181 milhões de sacas, com a inclusão do aumento médio anual de 2,3%, o que equivale a 4 milhões de sacas em 2026. Tendo como base esses números de diversas fontes, a produção mundial deve ficar em 171,3 milhões de sacas e o consumo em 181 milhões de sacas, não incluído a queda de produção da Colômbia, que em março recuou 29%, acumulando  retração de 33,5% no primeiro trimestre devido às intensas chuvas. A Indonésia, outro importante país produtor de café conillon, deve ter queda expressiva na sua produção devido aos desastres climáticos no começo deste ano. Tudo indica que o déficit mundial de café na safra 2026/2027 deve superar as 10 milhões de sacas.

Fazendo um análise mais detalhada dos estoques mundiais de vários continentes nota-se que a situação do mercado de café é "critica" principalmente no continente europeu, maior consumidor mundial e na América Central, terceiro maior consumidor. Para recuperar os estoques em 2026 desses dois continentes serão necessário volumes extras de 7,9 milhões de sacas.

Historicamente, os estoques mensais de café da Europa, maior consumidor do mundo, giravam em torno de 11,5 milhões de sacas, café suficiente para um período de 12 semanas. Atualmente esses estoques estão em 6,8 milhões de sacas, cerca de 4,7 milhões de sacas a menos. Os estoques da América do Norte, terceiro maior consumidor mundial, estão atualmente, em níveis críticos, girando em torno de 4,3 milhões de sacas, cerca de 3,2 milhões de sacas a menos que a média histórica.

Os estoques de café nos portos europeus atingiram em março de 2026 seus níveis mais baixos em quase dois anos, montante suficiente para o consumo de sete semanas. De acordo com dados da European Coffee Federation (ECF), as reservas caíram para 6,8 milhões de sacas ao final de fevereiro de 2026, mantendo a tendência de baixa durante o mês de março.

As importações líquidas de café da União Europeia seguiram em ritmo lento, atingindo mínimas históricas no início de 2025. Apesar disso, o continente continua a ser um grande consumidor, com relatos indicando um consumo de aproximadamente 150 mil sacas por dia (53,4 milhões de sacas no ano), o que representa 1,050 milhão de sacas por semana. O estoque de 6,8 milhões de sacas é o suficiente para apenas 7 semanas de consumo, historicamente os estoques giravam em torno de 12 milhões de sacas, consumo para 11 semanas

A Ásia e Oceania representam 25,83% do consumo mundial de café, consolidando-se como a segunda maior região consumidora, ficando atrás apenas da Europa. O consumo anual de café no continente asiático é de aproximadamente 45,7 milhões de sacas (média de 879 mil sacas por semana). A região é considerada uma das mais promissoras para o setor cafeeiro global, apresentando crescimento contínuo na última década. A região Ásia-Pacífico tem registrado um aumento anual de consumo superior a 2,2%, com destaque para o crescimento de cafés especiais, que deve crescer a uma taxa composta anual (CAGR) de 15,3% até 2030, que representa que daqui quatro anos, o consumo deve aumentar 7 milhões de sacas, passando para 52,7 milhões de sacas, mais de 1 milhão de sacas por dia.

Os estoques de café nos portos da América do Norte em março estão em níveis críticos, o menor patamar da história, café suficiente também para sete semanas aproximadamente 4,3 milhões de sacas. No final de 2025, os volumes armazenados dos EUA estavam "perto do limite" ou muito baixos, segundo a Green Coffee Association (GCA) e fontes de mercado. Historicamente, os estoques giravam em torno de 7,5 milhões sacas, suficiente para 12 semanas.

O consumo de café na América do Norte, terceiro maior consumidor mundial, o continente consome aproximadamente 88 mil sacas por dia em mercado em expansão com tendências de crescimento de 5,9% ao ano. O consumo anual de café Estados Unidos atinge 27 milhões de sacas (520 mil sacas por semana), somado ao consumo de 5 milhões de sacas do Canadá (96 mil sacas por semana), que representa 32 milhões de sacas, isto é, cerca de 616 mil sacas por semana.

Na sequência destaca-se a América do Sul, quarta colocada, cujo consumo foi o equivalente a 28 milhões de sacas (15,81%), representando 538 mil sacas por semana. Na quinta posição vem a África, por ter consumido o correspondente a 12,5 milhões de sacas (7,06%), cerca de 240 mil sacas por semana. E, por fim, na sexta colocação do ranking vem o Caribe, América Central & México, que teve o consumo de 6,1 milhões de sacas (3,5%), cerca de 117,3 mil sacas por semana.

Quadro "surrealista" nas exportações de café do Vietnã e Brasil 

No primeiro trimestre de 2026, os números das exportações de café do Vietnã comprovam que a safra ficou em 31 milhões de sacas. O Vietnã exportou em março cerca 3,5 milhões de sacas de café, aproximadamente 500 mil sacas a mais que o Brasil. Tendo com estimativa a exportação de 3 milhões de sacas brasileiras em março, acumulando 9,62 milhões de sacas, tudo indica que teve se repetir segundo trimestre deste ano, acumulado exportação de 19,24 milhões de sacas entre janeiro e junho.  

Segundo dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras de café atingiram 2.521.549 de sacas (média diária de 114.570 sacas), queda de 30,5%, ante ao mesmo período de março do ano passado. Segundo projeções das exportações do Cecafé, em março o Brasil deve embarcar em torno de 3 milhões de sacas, acumulando 8,42 milhões de sacas no primeiro trimestre de 2026, queda de 21% ante às 10,7 milhões de sacas do mesmo período do ano passado. Tudo indica que também deve repetir no segundo trimestre, acumulando 16,84 milhões de sacas entre janeiro e junho.

Esses números apresentam um quatro "surrealista": as exportações de café do Vietnã, segundo maior produtor mundial, no primeiros semestre de 2026, devem superar a do Brasil, primeiro o maior produtor mundial, em 2,4 milhões de sacas. Esse é mais um número, que comprova que a produção do Brasil, ficou abaixo de 55 milhões de sacas em 2025. Há tempos estou alertando sobre a gravíssima situação do mercado de café mundial devido à safra "surpresa" de 2025/2026. 

Um ótimo final de semana a todos.

Comentarios

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Data: 12/04/2026 06:55 Nome do Usuário: Fabio
Comentário: E café a 1200.00 eu estou alertando faz tempo. Saber se falta ou sobra é detalhe a questão é: SABER OPERAR O CAIXA E SURFAR NAS OPORTUNIDADE, E PRÓXIMO SÓ EM 2029 OU SE CLIMA FOR MUITO RADICAL.
Data: 11/04/2026 19:40 Nome do Usuário: Jonas guerra
Comentário: Ótima análise parabéns
Contrato Cotação Variação
Setembro 334,25 -13,65
Dezembro 316,00 -12,20
Março 309,65 -11,35
Contrato Cotação Variação
Setembro 3,852 - 191
Novembro 3.819 - 183
Janeiro 3.790 - 174
Contrato Cotação Variação
Setembro 398,00 + 2,25
Dezembro 383,20 + 0,25
Março 379,45 3,90
Contrato Cotação Variação
DXY 100,77 + 0,08
Dólar 5,1080 - 0,28
Euro 5,8320 - 0,38
Ptax 5,1085 - 0,47
  • Varginha
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    Safra 25/26 20% R$ 1890,00
    Peneira14/15/16 R$ 1960,00
    Duro/riado/rio R$ 1620,00
  • Três Pontas
    Descrição Valor
    Safra 25/26 18% R$ 1890,00
    Certificado 15% R$ 1920,00
    Miúdo 14/15/16 R$ 1670,00
    Duro/riado/rio R$ 1650,00
  • Franca
    Descrição Valor
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    Cereja 20% R$ 1940,00
    Safra 25/26 15% R$ 1880,00
    Duro/Riado 15% R$ 1720,00
  • Patrocínio
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    Safra 25/26 15% R$ 1900,00
    Safra 25/26 30% R$ 1870,00
    Peneira 17/18 R$ 2000,00
    Rio com 20% R$ 1500,00
  • Garça
    Descrição Valor
    Safra 25/26 20% R$ 1880,00
    Safra 25/26 30% R$ 1850,00
    Duro/Riado 15% R$ 1600,00
    Escolha kg/apro R$ 24,00
  • Guaxupé
    Descrição Valor
    Duro/riado 20% R$ 1600,00
    600 defeitos R$ 1680,00
    Safra 25/26 15% R$ 1900,00
    Safra 25/26 25% R$ 1880,00
  • Indicadores
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    Cepea Arábica R$ 1722,48
    Cepea Conilon R$ 1087,74
    Conilon/Vietnã R$ 1052,00
    Agnocafé 25/26 R$ 1900,00
  • Linhares
    Descrição Valor
    Conilon T. 7 R$ 1130,00
    Conilon T. 7/8 R$ 1120,00
    Conilon T. 6 R$ 1140,00