Leia, na sequência, artigo de autoria de Marcelo Fraga Moreira, profissional há mais de 30 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting.
O contrato maio-26 encerrou a semana @ 300,10 centavos de dólar por libra-peso. Na sexta-feira tivemos o vencimento das opções referente esse contrato e os “comprados” conseguiram exercer as opções no strike 300 centavos de dólar por libra-peso. O que parecia “muito improvável” aconteceu e novamente as opções “baratas, com baixo risco em serem exercidas” foram executadas!
Nos últimos 14 dias o vencimento maio-26 negociou na máxima do período @ 319,50 centavos de dólar por libra-peso para em seguida derreter até os 284 centavos de dólar por libra-peso (no dia 8 de abril), e para em nos últimos 2 dias “pegar os vendidos” no contrapé empurrando o vencimento maio-26 até os 301,25 centavos de dólar por libra-peso.
No curtíssimo prazo o gráfico no maio-26 ainda indica potencial de alta podendo buscar ainda os 316 centavos de dólar por libra-peso (durante o período agora das rolagens dos contratos, das posições em aberto do maio-26 para o julho-26 e/ou set-26).
O mercado continua duvidando da disponibilidade do café arábica no curto prazo – lembrando que já existem produtores iniciando a colheita da safra 26/27. E a colheita do café conilon já está em ritmo acelerado.
Assim, em breve veremos grande disponibilidade de produto no mercado.
O próximo vencimento julho-26 aproveitou o embalo do vencimento maio-26 e encerrou a semana @ 295,90 centavos de dólar por libra-peso (fechamento anterior/mínima/máxima/fechamento atual respectivamente @ 289,40/279,50/296,90/295,90 centavos de dólar por libra-peso).
Com relação ao próximo vencimento julho-26, ao contrário do vencimento maio-26, interessante notar a grande posição de opções de venda “put*” em aberto e a pequena posição de opções de compra “call*” em aberto nos seguintes strikes (em centavos de dólar por libra-peso e nr de lotes):
Puts*
300 – 1.440
295 – 2.000
280 – 2.210
275 – 1.000
270 – 2.880
265 – 1.000
250 – 5.400
245 – 2.030
225 – 1.830
220 – 1.400
200 – 2.600
Calls*
300 – 3,180
320 – 2.000
325 – 1.130
330 – 1.250
340 – 1.300
360 – 2.250
Ou seja, aparentemente o mercado continua apostando na queda dos preços...
O que poderá “estragar” a posição dos “baixistas” é se o real continuará valorizando! Na semana o R$ voltou a negociar nos 5,01 R$/us$. E, como sabemos, R$ mais forte significa NY pra cima para “equilibrar os preços”...
Em R$ por saca, mesmo com NY voltando a negociar próximo aos 300 centavos de dólar por libra-peso, o mercado interno continuou negociando nos 1.900-2.000 R$/saca para café tipo 6 entrega imediata e voltou a negociar abaixo dos 1.600 R$/saca para entrega set-26 e set-27 (chegou inclusive a testar o piso dos 1.500 R$/saca)!
Em Londres a pressão continuou com o vencimento julho-26 perdendo o suporte dos 3.200 US$/tonelada. O mercado interno em Rondônia já está negociando nos 770 R$/saca (uma paridade equivalente a um desconto de -700 usd/tonelada contra o a tela de Londres)! Faz sentido? Pode ser uma oportunidade para o produtor do Espirito Santo / Bahia considerar operações de spread (comprar café em Rondônia e honrar seus contratos entregando esse café e segurando sua produção local – quem sabe nas operações logísticas e análise dos impostos/credito-debito icms o produtor do Espirito Santo e Bahia consiga um ganho entre 20-40 R$/saca?
Creio que com a aceleração da colheita do café conillon começando no Espírito Santo e na Bahia e, na sequência (daqui mais 10-15 dias o café arábica precoce) o café arábica nos demais estados produtores o café “rio” estará negociando tb abaixo dos 1.000 R$/saca!
E NY, dependendo do R$, também em breve irá testar novamente os 250/230 centavos de dólar por libra-peso.
Os torrefadores e as tradings estão aguardando a nova safra entrar no mercado e esperando o produtor precisar realizar novas vendas “spot” para cobrir os custos da colheita (lembrando dos aumentos do diesel, mão de obra e outros custos indiretos – com energia elétrica, insumos, fertilizantes). Agora começa uma nova “queda de braço entre produtor e os compradores”.
Sigo “baixista” já a partir do vencimento set-26 – com única real possibilidade de uma alta nos preços eventual inverno rigoroso e se tivermos uma geada forte afetando a próxima safra 27/28.
Caso contrário, como já mencionado anteriormente, o mundo vai começar a repor seu estoque de segurança e o “índice estoque x consumo mundial” voltará a patamares seguros, com produto disponível em alguma origem e/ou já sendo reposto nos principais destinos consumidores.
Alguns produtores estão preocupados como o excesso das chuvas nos últimos dias. Porém, esse “problema” poderá afetar apenas a qualidade do café, o “tipo da bebida”. Mas a safra 26/27, por enquanto, promete vir acima dos 70 milhões de sacas!
Minha recomendação continua a de sempre:
Produtor: proteja-se!
Café hoje a 1.600 R$/saca para os próximos 12-18 meses pode parecer um “preço ruim” porém café a 1.300/1.200/1.100 R$/saca será pior ainda!
Sugestão: compre uma “Put-spread*” para se proteger da provável queda dos preços...
Ou venda agora café contra a tela set-26 e set-27 nos 1.600 R$/saca e compre uma “call-spread*” para se proteger.
Agora, ficar apenas “olhando, torcendo por preços melhores, pelo inverno, pelo El-ninô é aposta. Não é gestão de risco, e poderá trazer enormes prejuízos para você produtor.
No curto prazo o próximo vencimento set-26 tem suporte nos 281 / 263 / 245 centavos de dólar por libra-peso e resistência apenas nos 300 centavos de dólar por libra-peso!
Tudo indica que em breve veremos café arábica tipo 6 negociando abaixo dos 1.500/1.400 R$/saca e café conilon entre 700-900 R$/saca.
Data: 13/04/2026 05:49 Nome do Usuário: Fabio Comentário: De agora prá frente é só pra trás! Temos que nos organizar e ajustar despesa
Data: 12/04/2026 20:18 Nome do Usuário: Jonas guerra Martins Comentário: Também sempre pensei em café voltar é normal!devemos ver café nessa safra a 1200 durante os meses de de benefício de café que e julho a outubro mas e agora com estoque minimo e previsões de inverno?