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Mercado não é apenas o café em si, mas a percepção de risco


Por José Roberto Marques da Costa 

Com volume de 35.378 lotes nesta sexta-feira (17) em NY, 1.531 lotes a menos que no pregões de quinta-feira (16) quando teve a variação de 10,40 cents. O contrato de café arábica no maio fechou em queda de 7,15 cents (2,41%), a 289,30 cents, menor nível desde 08/04, variando 10,15 cents, de 288,35 cents a 298,50 cents, com a mínima de julho atingindo 283,05 cents, rompendo o primeiro suporte do dia, em 285,70 cents. Na semana, a volatilidade atingiu 17,40 cents, de 288,25 cents (17) a 305,75 cents (13) e acumula perda de 10,80 cents. O spread entre maio/julho cai para 5,05 cents ante a 6,05 cents do pregão anterior, spread de maio/setembro cai para 16,35 cents ante a 19,10 cents do pregão anterior e spread entre julho/setembro cai para 11,30 cents ante 13,05 cents no pregão anterior. Os estoques certificados na ICE diminuíram 12.228 sacas, para 527.866 sacas, esperando certificação 20.356  sacasse na semana acumula queda de 18.315 sacas

O volume nesta sexta-feira (17) atingiu 15.992 lotes em Londres, 740 lotes a menos que no pregão de quinta-feira (15), quando variou US$ 87/t. O maio fechou em queda de US$ 86 (2,47%) a US$ 3.388t (153,57 cents), variando US$ 92, de US$ 3.379/t a US$ 3.3471/t, com julho atingindo a mínima de US$ 3.250/t, rompendo dois suportes do dia, em US$ 3.314/t e US$ 3.282/t. Na semana a volatilidade atingiu US$ 194, de US$ 3.210/t(13) a US$ 3.405/t(15), acumulando ganho de US$ 64/t. O spread de maio/julho cai para US$ 125 ante a US$ 127 do pregão anterior, spread de maio/setembro cai para US$ 194 ante a US$ 196/t do pregão anterior e spread de julho/setembro fica estável em US$ 69/t. A diferença de preço entre NY e Londres cai para 135,74 cents ante 138,87 cents do pregão anterior.

O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) referente a 14 de abril mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos aumentaram em 11,92%, aumentando em 3.014 lotes suas posições compradas e 475 lotes suas posições vendidas, neste período a variação de março passou de 286,10 cents a 302,63 cents, alta de 16,55 cents. As posições abertas tiveram queda de 31,5%, passando de 219.400 lotes para 199.432 lotes.

As posições futuras os grandes fundos possuíam 23.840 posições líquidas compradas, sendo 50.102 posições compradas e 26.262 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 07 de abril, eles tinham 21.301 posições liquidas compradas, sendo 47.088 posições líquidas compradas e 25.787 posições vendidas.

As empresas comerciais queda em 6,92% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 14, saldo de 22.782 posições líquidas vendidas, sendo 79.325 posições compradas e 95.107 vendidas. No relatório anterior do dia 07, possuíam 21.204 posições líquidas vendidas, sendo 79.902. posições compradas e 101.145 vendidas.

Nos três primeiros três pregões desta semana, a volatidade diária ficou em torno de 5 cents, com maio variando de 300 cents a 305,00 cents, julho não conseguiu romper o nível de 300 cents. Com a notícias de possível acordo entre EUA e Irã, e reabertura o Estreito de Ormuz, somado as três tentativas frustradas de julho romper o nível 300 cents, os especuladores de plantão começaram a realização de lucro com a volatilidade dobrando, passando para 10 cents, no pregão de quinta-feira e sexta-feira, acumulando perda de 14,00 cents.

Na última semana de março, aconteceu a mesma performance com realizações de lucro dos especuladores de plantão. O  março, rompeu a M50 em 304,70 cents a M100 em 317,40 cents, chegando a máxima de 318,40 cents, mas não consegui romper a M200 em 320,20 cents, a frustação provocou uma realização de lucro, saindo de 17,85 cents para 301,70 cents. As duas últimos realizações não teve nenhuma interferência de fundamentos do mercado, com pregões sendo totalmente técnicos. A desvalorização de 4,7% nos últimos dois pregões, provocou uma spreads, maio/julho caiu de 6,05 cents para 5,00 cents, maio/setembro de 20,15 cents para 16,35 cents e julho/setembro de 14,40 cents para 11,20 cents. No dia 22 de abril será o primeiro dia de aviso das rolagens de posições, faltando 9.475 lotes em maio para serem rolados.

O editorial da International Supermarket Magazine, aborta uma mudança sutil no mercado mundial de café, com mais variáveis que começam influenciar a performance das bolsas, além dos tradicionais fundamentos, como "aversão ao risco", clima e a influencia cada vez maior o mercado financeiro que está deixando o mercado estressado. Esta mudança (aversão à risco) foi sentida pelo mercado nesta semana em Londres. Na primeira hora do pregão de terça-feira (14), os contratos em Londres estava operando dentro de um pequeno intervalo, com maio variando entre US$ 3.342/t a US$ 3.360/t, mas com a divulgação da Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia (BMKG) prevê que a estação seca de 2026 deverá ser mais seca do que a média dos últimos 30 anos, começou um rally de mais de 5,5%, com um alerta não esperado de "aversão ao risco" devido ao clima na Indonésia.

Segundo Fachri Rajab, um dos meteorologistas mais respeitado do continente asíatico, disse durante um debate em Jacarta, na terça-feira, em comemoração ao Dia Mundial da Meteorologia. “Comparada com a média dos últimos 30 anos, a estação seca deste ano está relativamente mais seca. No entanto, é importante ressaltar que isso significa mais seca do que a média, e não a estação seca mais extrema dos últimos 30 anos”. Esta informação prvocou um rally em Londres, maio saiu de US$ 3.342/t, rompeu US$ 3.400/t, na quarta-feira rompeu US$ 3.500/t chegando a máxima de US$ 3.538/t.

Esta "aversão à risco", fez os preços do robusta valorizasse mais de US$ 180 a tonelada em Londres, com o inverno chegando, nas próximas semanas, começam a ser divulgadas as primeiras notícias de entrada de massar polares, tudo indica que teremos três massas polares de forte intensidade nas regiões de café do Brasil. A notícia de seca na Indonésia provocou um forte rally, em um país que produz 12 milhões de sacas ( 6,5% do consumo mundial ). Em mercado fortemente estressado, uma notícia de possível geada em regiões de café no Brasil, pais que produz 65 milhões de sacas ( 36% do consumo mundial ), não dá para imaginar de quanto será o rally em NY.      

Além da geada, outra informação meteorológica que está no radar dos grandes fundos de investimentos é uma possível seca no Brasil. A MetSul publicou nesta semana, abordagem do cientista James Hansen, considerado o "papa" da meteorologia, alertando ao mundo sobre o El Niño que está a caminho, que pode afetar as regiões mundial de café no segundo semestre, principalmente o Brasil, podendo afetar a produtividade doa cafezais em 2027 com a provável estiagem com entradas de ondas de calor na época e depois da florada, um repeteco do clima que provocou a queda de produção de café no Brasil nos últimos anos.  

 Por que os preços devem subir novamente em 2026

No editorial desta semana do analista James Taylor da International Supermarket Magazine, ele aborda o verdadeiro clima no mercado de café " Uma tensão silenciosa, porém inegável, está se acumulando no mercado global de café. Essa tensão ainda não se reflete totalmente nas prateleiras dos supermercados, mas já é profundamente sentida por comerciantes, agricultores e compradores que atuam em todos os níveis da cadeia de suprimentos. Nos últimos três meses, a ISN Magazine acompanhou essa história desde as plantações na América Latina até as mesas de negociação na Europa, e o que emerge não é uma explicação única, mas uma convergência de pressões que, juntas, estão remodelando a economia do café. Os preços não estão subindo simplesmente por causa de um desequilíbrio de curto prazo; eles estão sendo impulsionados por forças estruturais que sugerem que 2026 pode não trazer alívio, mas sim a confirmação de que o mercado entrou em uma nova fase, mais complexa. O tom entre os comerciantes é notavelmente diferente dos ciclos anteriores, com muitos descrevendo um mercado menos impulsionado por fundamentos e mais por expectativas.

Um trader sênior em Genebra explicou que o que está sendo negociado hoje não é apenas o café em si, mas a percepção de risco. Ele observou que o mercado reage mais rápido do que nunca às expectativas, muitas vezes precificando possíveis interrupções muito antes de elas ocorrerem, o que cria movimentos que podem parecer desconectados da oferta física. Essa mudança tornou o mercado mais reativo e, de muitas maneiras, mais frágil, já que a confiança se torna tão importante quanto a disponibilidade real.

No centro dessa transformação está o clima, que deixou de ser uma preocupação secundária para se tornar a força dominante que molda a produção e os preços. No Brasil e no Vietnã, os dois maiores produtores mundiais, os padrões climáticos se tornaram cada vez mais imprevisíveis, com secas, chuvas irregulares e flutuações de temperatura interrompendo os ciclos de colheita de maneiras que antes eram raras, mas agora estão se tornando comuns.

Um exportador brasileiro descreveu como os modelos tradicionais baseados em dados históricos não são mais confiáveis, explicando que o setor agora opera em um estado constante de vigilância, onde as previsões meteorológicas diárias podem influenciar o sentimento do mercado tanto quanto os números de produção confirmados.

Para os agricultores, essa imprevisibilidade se traduz em aumento de risco e incerteza, já que os investimentos precisam ser feitos com meses de antecedência, sem qualquer garantia de retorno. Um produtor em Honduras refletiu essa realidade ao explicar que cada safra parece menos previsível que a anterior, com as mudanças climáticas obrigando os produtores a gastar mais apenas para manter a produção, criando uma situação em que o aumento dos preços não se traduz necessariamente em maior lucratividade, mas sim na capacidade de continuar operando.

Embora o clima esteja ditando o ritmo, a oferta continua sendo um elemento crítico e frágil da equação. Há expectativas de que a produção melhor em 2026, principalmente no Brasil, onde as previsões indicam uma safra mais forte, mas isso não leva automaticamente à estabilidade. Anos de oferta restrita reduziram os níveis de estoque globais, deixando pouca margem para erros e aumentando a sensibilidade do mercado a qualquer interrupção. Um importador europeu destacou que a questão não é simplesmente se o café está disponível em um determinado momento, mas se há resiliência suficiente no sistema para absorver choques, apontando que a ausência de uma reserva significa que até mesmo pequenos problemas podem desencadear reações significativas nos preços. Essa fragilidade subjacente garante que o mercado permaneça em alerta, com os participantes avaliando constantemente o risco de mudanças repentinas.

A crescente influência dos mercados financeiros, onde o café é cada vez mais tratado como um ativo sujeito à especulação, aumenta ainda mais a complexidade. Os preços são moldados não apenas pela oferta e demanda físicas, mas também pelo comportamento de fundos e investidores que reagem a uma ampla gama de sinais, desde previsões meteorológicas até flutuações cambiais.

Um corretor de commodities observou que o mercado se tornou altamente sensível às expectativas, com previsões, por si só, capazes de impulsionar os movimentos de preços antes mesmo de qualquer impacto mensurável na produção.

Outro investidor, por sua vez, observou que há momentos em que os preços sobem acentuadamente, apesar da ausência de mudanças imediatas nas condições físicas, refletindo a predominância do posicionamento financeiro sobre fatores tangíveis. Essa dinâmica amplifica a volatilidade e torna o mercado mais difícil de interpretar, pois introduz uma camada adicional de complexidade que vai além da análise tradicional de oferta e demanda.

No nível da produção, os agricultores enfrentam uma pressão crescente devido ao aumento dos custos, que estão remodelando a economia do cultivo de café. Insumos como fertilizantes e mão de obra se tornaram significativamente mais caros, enquanto a necessidade de investir em adaptação climática aumenta ainda mais a pressão.

Um agricultor colombiano explicou que a percepção de que preços mais altos beneficiam os produtores nem sempre corresponde à realidade, já que o aumento dos custos muitas vezes absorve qualquer receita adicional, deixando os agricultores em uma situação em que precisam trabalhar mais apenas para manter suas operações. Em algumas regiões, essa pressão está levando a decisões difíceis sobre o futuro. 

Cientista faz alerta ao mundo sobre o El Niño que está a caminho

Um dos cientistas mais influentes da história da climatologia, James Hansen, que por anos liderou a unidade de estudos climáticos da NASA, fez um novo alerta que preocupa a comunidade científica: o novo evento de El Niño pode trazer temperaturas globais recordes já nos próximos dois anos e uma nova escalada do aquecimento global.

O aviso chama atenção não porque o El Niño em si seria extraordinário, mas porque o planeta hoje está muito mais quente do que no passado. Segundo Hansen, mesmo um evento de intensidade moderada pode ser suficiente para empurrar a temperatura global a níveis nunca antes registrados.

O ponto central do alerta de Hansen é que o aquecimento global mudou as regras do jogo. Hoje, o sistema climático está mais sensível. Isso significa que qualquer variação natural, como o El Niño, tem um impacto maior do que teria décadas atrás. Além disso, o cientista aponta que o aquecimento global acelerou nos últimos anos. Segundo suas análises, essa aceleração começou por volta de 2015, e o mundo pode atingir o limite de 2°C de aquecimento já na década de 2030, logo muito antes do que indicavam projeções anteriores, que apontavam para meados do século. O calor armazenado nas camadas mais profundas do oceano está aumentando, um indicativo de que energia está sendo acumulada e pode emergir na superfície nos próximos meses com o El Niño.

Em seu comentário de semana, a Cepea, comenta que "as exportações brasileiras de café acumulam baixas expressivas na safra 2025/26 em relação à temporada anterior, com volume escoado na parcial de 2025/26 é o menor registrado para o período desde 2022/23. O ambiente segue restritivo: a combinação entre produção menor na safra 2025/26 e estoques nacionais historicamente curtos limitam o ritmo de saídas externas. Nesse contexto, os produtores já dispõem de pouco café da safra atual para negociar e, capitalizados pelos altos preços obtidos ao longo da temporada, não demonstram pressa em comercializar os volumes remanescentes. A mesma atitude tem tomado os cafeicultores do Vietnã, com os preços internos aumentando toda semanas

Ótimo final de semana 

Comentarios

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Data: 19/04/2026 16:42 Nome do Usuário: Leonardo
Comentário: Uma dica que sempre dou, vender café com preços baixos deixa o produtor sem estoque e com muita conta pra pagar. Cada um sabe do seu aperto, portanto não tenham pressa de realizar prejuizo.
Data: 18/04/2026 11:02 Nome do Usuário: Fabio
Comentário: O clima vai ditar as regras SEMPRE, porém produtor pode estar capitalizado mas é mais caro fazer novas TULHAS DO QUE VENDER, ENTÃO UM DIA ESTE CAFÉ VAI SAIR....
Contrato Cotação Variação
Setembro 334,25 -13,65
Dezembro 316,00 -12,20
Março 309,65 -11,35
Contrato Cotação Variação
Setembro 3,852 - 191
Novembro 3.819 - 183
Janeiro 3.790 - 174
Contrato Cotação Variação
Setembro 398,00 + 2,25
Dezembro 383,20 + 0,25
Março 379,45 3,90
Contrato Cotação Variação
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Euro 5,8320 - 0,38
Ptax 5,1085 - 0,47
  • Varginha
    Descrição Valor
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    Safra 25/26 20% R$ 1890,00
    Peneira14/15/16 R$ 1960,00
    Duro/riado/rio R$ 1620,00
  • Três Pontas
    Descrição Valor
    Safra 25/26 18% R$ 1890,00
    Certificado 15% R$ 1920,00
    Miúdo 14/15/16 R$ 1670,00
    Duro/riado/rio R$ 1650,00
  • Franca
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    Cereja 20% R$ 1940,00
    Safra 25/26 15% R$ 1880,00
    Duro/Riado 15% R$ 1720,00
  • Patrocínio
    Descrição Valor
    Safra 25/26 15% R$ 1900,00
    Safra 25/26 30% R$ 1870,00
    Peneira 17/18 R$ 2000,00
    Rio com 20% R$ 1500,00
  • Garça
    Descrição Valor
    Safra 25/26 20% R$ 1880,00
    Safra 25/26 30% R$ 1850,00
    Duro/Riado 15% R$ 1600,00
    Escolha kg/apro R$ 24,00
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    Safra 25/26 25% R$ 1880,00
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    Cepea Conilon R$ 1087,74
    Conilon/Vietnã R$ 1052,00
    Agnocafé 25/26 R$ 1900,00
  • Linhares
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    Conilon T. 7 R$ 1130,00
    Conilon T. 7/8 R$ 1120,00
    Conilon T. 6 R$ 1140,00