Leia, na sequência, artigo de autoria de Marcelo Fraga Moreira, profissional há mais de 30 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting.
O contrato julho-26 encerrou a semana com nova queda de 1.165 pontos @ 284,25 centavos de dólar por libra-peso (fechamento anterior / máxima / mínima / fechamento atual respectivamente @ 295,90 / 300,75 / 283,05 / 284,25 centavos de dólar por libra-peso).
O R$ continuou apreciando e encerrou novamente abaixo do patamar psicológico dos 5,00 R$/US$ @ 4,9833 R$/US$.
A combinação NY + R$/US$ + diferencial de compra continuou pressionando os preços e a liquidação para o produtor.
O mercado interno continua com 2 mercados distintos: o “spot” – onde o exportador continua precisando originar produto para cobrir os compromissos assumidos para os próximos 75 dias – e o mercado da nova realidade dos preços com a entrada da safra brasileira 26/27.
O mercado spot, no caso do café arábica tipo “rio” e o café arábica tipo 6, continuam negociando entre 1.200/1.250 R$/saca e 1.800/1.900 R$/saca. Alguns cafés especiais, em raros casos, continuam negociando inclusive acima dos 2.000 R$/saca! E o café conilon segue negociando entre 800-875 R$/saca!
A percepção do mercado continua sendo para uma safra brasileira 26/27 “grande” (acima dos 70 milhões de sacas) e uma safra 27/28 maior ainda (podendo superar os 80 milhões de sacas).
A demanda mundial continua em xeque. O USDA segue apostando no consumo mundial ao redor dos 177 milhões de sacas (estamos aguardando a publicação da próxima estimativa mundial atualizada para os próximos dias).
Se a produção brasileira para a próxima safra 26/27 vier em 70 milhões de sacas, Vietnam em 31 milhões de sacas, Colômbia com 14 milhões de sacas e “outros” com 74 milhões de sacas – totalizando uma oferta global em 189 milhões de sacas então, o mundo (e o mercado) está projetando um superavit ao redor dos +12 milhões de sacas. Esse início da reposição do estoque mundial já eleva o índice “estoque x consumo mundial” para 11% e um estoque de passagem da safra 26/27 para a safra 27/28 acima dos +20 milhões de sacas!
E se a safra 27/28 vier também sem problemas esse índice poderá aumentar para +21% e o estoque de passagem da safra 27/28 para 28/29 novamente acima dos 38 milhões de sacas!
Ou seja, com a alta dos preços durante os últimos 2 anos o mercado fez sua função: incentivou o produtor a expandir em novas áreas e tecnologia para continuar suprindo a demanda mundial para pelo menos os próximos 3-5 anos!
Salvo algum problema climático relevante o mundo continuará produzindo acima dos 190 milhões de sacas de café durante os próximos anos!
Então, creio que levará muitos anos para o produtor voltar a ter preços acima dos 300/400 centavos de dólar por libra-peso – salvo se o R$, por algum milagre, vier a valorizar e voltar a negociar abaixo dos 2,00 R$/US$!
Com a entrada da safra brasileira e com o clima bem favorável nesse início de colheita o mercado volta para a realidade onde a oferta do produto café será farta durante os próximos 6-12 meses (lembrando que em novembro já teremos uma nova safra do Vietnam sendo colhida novamente).
Para o mês de março-26 o Brasil exportou 3,04 milhões de sacas. No ano safra julho-25/junho-26, por enquanto o Brasil já exportou 28,98 milhões de sacas e deverá encerrar o período entre 37-38 milhões de sacas (em linha com nossa projeção) x 45,79 milhões de sacas na safra anterior.
Confirmando a exportação brasileira 25/26 em 38 milhões de sacas e um consumo interno em 22 milhões de sacas (e um estoque de entrada e de saída em apenas 1 milhão de sacas) então a safra brasileira 25/26 foi mesmo ao redor dos 62 milhões de sacas e não apenas 55,70 milhões de sacas (“mercado x Conab*). Mais uma vez, infelizmente os dados da Conab* estão subestimados e só faz perder sua credibilidade – pois durante os últimos 5 anos a produção real sempre superou em muito a projeção da Conab*.
Muitos produtores continuam agora apostando na chegada do inverno e nas previsões para a chegada do “El Nino” no segundo semestre do ano – podendo afetar a produção da safra 27/28.
Ao invés do produtor ficar “fazendo a dança da chuva”, “apostando em eventos climáticos” para o caos voltar, deveria estar se aprofundando nos conhecimentos das operações de hedge/proteção e principalmente na gestão de risco do seu negócio.
Já vimos NY acima dos 350 centavos de dólar por libra-peso por 18 meses, já vimos o R$ negociar acima dos 6,00 R$/US$ liquidando um R$ futuro (com vencimento em set-26) acima dos 7 R$/us$... e infelizmente pouquíssimos produtores e cooperativas conseguiram tirar proveito dessa oportunidade.
Felizmente alguns dos nossos parceiros seguiram nossas recomendações e estão vendidos acima dos 2.000 R$/saca para os próximos 2 anos!
Para o vencimento set-26 o mercado voltou a negociar abaixo dos 1.500 R$/saca e para o vencimento set-27 abaixo dos 1.450 R$/saca! Já tem “comprador/cooperativa” indicando preços para set-28 abaixo dos 1.250 R$/saca!!
O mercado encerrou a semana “feio”...
O julho-26 encontra agora suporte nos 270 centavos de dólar por libra-peso e resistência apenas nos 304 centavos de dólar por libra-peso.
Londres continua “de lado” com o julho-26 encerrando a semana @ 3.263 US$/tonelada - 195 US$/saca. Porém, com o diferencial de compra que vem sendo praticado no mercado interno (ao redor dos -500 US$/tonelada) o produtor segue vendendo seu produto ao redor dos 850 R$/saca.
Londres está “em cima” do importante suporte nos 3.220 US$/tonelada. Perdendo esse suporte próximo objetivo apenas nos 2.800 US$/tonelada.
Produtor: proteja-se!
Tudo indica o mercado para o café arábica tipo 6 continuará negociando abaixo dos 1.500/1.400 R$/saca e café conilon entre 700-900 R$/saca.