Café na ICE tem baixa para julho e avanço para posições a futuro
Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta segunda-feira com comportamento divergente. A posição de maior liquidez — julho — registrou baixa, com as posições ,ais a futuro apresentando ganhos, ainda que em níveis apenas moderados. As atividades da sessão se mostraram técnicas, sem que novidades mais efetivas fossem identificadas. O mercado continua a trabalhar em cima de aspectos efetivamente baseadas em questões relativas à disponibilidade do grão. Há muitas dúvidas sobre se a oferta será ampla, como apregoam algumas tradings, ou continuará restrita, sendo que no centro dessa dúvida esta o que o Brasil poderá entregar nesta temporada. Adicionalmente, alguns operadores não levam em conta o conhecido mercado climático, que ganha corpo a partir de agora. As zonas produtoras do centro-sul do Brasil ainda não tiveram nenhuma onda de ar polar, mas a expectativa é de que o frio apareça nas próximas semanas, trazendo, obviamente, os riscos de ocorrência de geadas.
O julho vaiou, ao longo do dia, dentro de um intervalo apenas regular, da ordem de 630 pontos, com o volume de negócios processados se mostrando consideravelmente limitado, com apenas em torno de 17 mil lotes tendo sido trocado de mãos ao final dos trabalhos.
Uma forte massa de ar polar deve avançar sobre o Brasil a partir do próximo fim de semana e tem potencial para provocar a maior queda de temperatura do ano até o momento em diversas regiões. A previsão é de que o ar gelado comece a invadir o país a partir de sexta-feira, 08, pelo extremo sul, e ganhe força no sábado, 09, e no domingo, 10, espalhando-se rapidamente por Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com reflexos até no oeste da Amazônia. Segundo os meteorologistas, as madrugadas mais geladas devem ficar entre o domingo e a terça-feira, 12. Nos três Estados da Região Sul, as temperaturas mínimas devem variar entre 0°C e 5°C em muitos municípios. Com isso, há possibilidade de marcas negativas em diversas localidades. Em áreas de maior altitude, há expectativa de termômetros chegando a -5°C, segundo a MetSul Meteorologia.
O comportamento divergente entre o julho e as posições mais a futuro estaria, na visão de alguns operadores, relacionado a uma visão de oferta limitada de café no curto prazo, com a procura mais eloquente de indústrias de torrefação para garantir o produto em mãos, ao passo que esse comportamento não estaria tão arraigado quando a observação ocorre numa perspectiva de maior prazo.
O físico brasileiro iniciou a semana com o mesmo comportamento de abril, com vendedores praticamente de lado e sem negócios de maior envergadura. A ideia de preço para a saca de café de qualidade no sul de Minas ficou no patamar de R$ 1.930.
No encerramento do dia na ICE, a posição julho registrou baixa de 90 pontos, com 285,50 centavos de dólar por libra peso, variando entre 284,85 e 291,15 centavos de dólar por libra peso, com o setembro aferindo valorização de 30 pontos, com 276,20 centavos por libra, com a máxima em 280,90 centavos e a mínima tocando os 275,65 centavos. Em Londres, para os cafés robustas, a bolsa não operou, devido ao feriado bancário britânico.
As atividades do dia se mostraram baseadas em aspectos gráficos, sem maiores novidades. Crescem no mercado a apresentação de estimativas relacionadas à safra brasileira do grão, sendo que algumas se mostram, inclusive, com volumes estratosférico, como se os produtores brasileiros tivessem, de um ano para outro, ampliada em progressão geométrica o volume plantado. Algo irreal para quem vive e conhece o movimento das lavouras do país. Diante disso, alguma pressão continua a ser empreendida sobre o terminal.
Para alguns players, o mercado tende a buscar a média móvel de 200 dias na casa de comercialização norte-americana, em 312,00 centavos de dólar por libra peso. Caso esse intento seja concretizado, algumas buscas por altas mais relevantes poderiam ser almejadas.
Enquanto o terminal convive com as especulações sobre a safra brasileira deste ano de café, também há apreensão no campo da demanda. O conflito armado desencadeado no Oriente Médio pode afetar os preços do grão em vários mercados significativos, ao passo que os insumos também tendem a ficarem mais caros diante dos problemas logísticos verificados naquela região do planeta.
O câmbio não afetou o comportamento do terminal, com o dólar tendo altas apenas regulares em relação ao real brasileiro.
No dia: a abertura dos trabalhos desta segunda-feira se deu com o julho no patamar de 287,19 centavos de dólar por libra peso, com alta de 70 pontos. Os vendedores se mostraram de lado e baixas esporádicas foram verificadas, com a mínima da sessão ficando em 284,85 centavos. Gradativamente, as ordens compradoras foram sendo identificadas e a máxima do dia ficou em 291,15 centavos.
No segmento externo, dia de baixas para as bolsas de valores nos Estados Unidos, com as commodities softs tendo ganhos para café, suco de laranja, cacau e açúcar e perdas para o algodão.
"O mercado se mantém técnico, dentro de parâmetros conhecidos. O julho chegou a romper o nível de 290,00 centavos de dólar por libra peso, mas sem muito fôlego para manter tal intervalo. No campo fundamental, as notícias que se mostraram efetivas ao longo dos últimos dias já estão devidamente precificadas. O café ainda se concentra em cima da questão Brasil, com muitas estimativas sendo 'jogadas' no mercado trazendo avaliações bastante diversas sobre o que poderá ser lançado no campo da disponibilidade do grão", disse um trader.
O Vietnã exportou 810.000 toneladas (13,5 milhões de sacas) de café nos primeiros quatro meses de 2026, um aumento de 15,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Somente em abril, o Vietnã exportou 220.000 toneladas (3,667 milhões de sacas), com um valor de US$ 936 milhões, média de US$ 255,25 a saca. A receita de exportação durante o período caiu 7%, para US$ 3,69 bilhões, informou o escritório de estatísticas em um relatório.
Os estoques certificados de café na ICE Futures US tiveram baixa de 3.418 sacas, indo para 499.036 sacas.
O julho para os arábicas na ICE Futures US tem resistência em 289,48, 293,47 e 295,78 centavos de dólar por libra e suporte no nível de 283,18, 280,87 e 276,88 centavos por libra peso.