Preço do café robusta pode superar arábica no segundo semestre
Por José Roberto Marques da Costa
O volume de negócios nesta sexta-feira, 08, Nova Iorque atingiu 30.985 lotes, 12.775 lotes a menos que no pregões de quinta-feira, 07, quando teve a variação 12,85 cents. O contrato de café arábica no julho fechou em alta de 1,55 cents, em 274,80 cents (+0,56%), variando 6,10 cents, de 272,35 cents a 278,45 cents, sem forças para romper o primeiro suporte em 268,33 cents e a primeira resistência em 281,18 cents.
O volume de maio foi de 1 lote, com 109 contratos em aberto, fechando a 289,70 cents, queda de 1,35 cents, o spread maio/julho caiu para 14,90 cents ante a 17,80 cents no pregão anterior. O spread entre julho/setembro subiu para 7,65 cents ante a 8,10 cents do pregão anterior, spread de julho/dezembro caindo para 14,20 cents ante a 14,40 cents do pregão anterior e spread entre setembro/dezembro subiu para 6,55 cents ante 6,30 cents no pregão anterior. Os estoques certificados diminuíram 6.247 sacas, para 477.05 sacas, com o montante esperando certificação em 14.593 sacas. Na semana, os volumes armazenados acumulam queda de 25.189 sacas
O volume de negócios nesta sexta-feira, 08, atingiu 18.044 lotes em Londres, 2.598 lotes a menos que no pregão de quinta-feira, 07, quando variou US$ 97/t. O julho fechou em queda de US$ 19/t (0,55%) a US$ 3.414/t (154,85 cents), variando US$ 94, de US$ 3.378/t a US$ 3.472/t, rompendo a média móvel de 50 dias em US$ 3.469/t e a primeira resistência em US$ 3.471/t.
O volume de maio foi 1 lotes, com 762 contratos abertos, fechou a US$ 3.644/t, queda de US$ 18/t, spread maio/julho fica estável em US$ 230/t. O spread de julho/setembro sobe para US$ 112/t ante a US$ 111/t do pregão anterior, spread de julho/novembro sobe para US$ 198/t ante a US$ 196/t do pregão anterior e spread de setembro/novembro sobe para US$ 86/t ante a US$ 85/t no pregão passado, com estoques certificados robusta caindo para 3.724 lotes, o menor nível dos últimos 200 dias. A diferença de preço entre NY e Londres sobe para 119,95 cents ante a 117,85 cents do pregão passado.
O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission), referente a 05 de maio, mostram que as posições líquidas compradas dos grandes fundos aumentaram em 10,36%, com incremento de 2.402 lotes de suas posições compradas, diminuindo em 184 suas posições vendidas. Neste período, a variação de março passou de 290,70 cents a 289,75 cents, queda de 0,95 cents. As posições abertas tiveram alta de 3,5%, passando de 205.885 lotes para 213.086 lotes e nas últimas duas semanas, acumula alta 16.322 lotes
Os grandes fundos possuíam 27.548 posições líquidas compradas, sendo 54.625 posições compradas, maior nível em 13 semanas, e 27.077 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 28 de abril, eles tinham 24.962 posições liquidas compradas, sendo 52.223 posições líquidas compradas e 27.261 posições vendidas. As empresas comerciais aumentaram 19,4% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 05, saldo de 27.739 posições líquidas vendidas, sendo 72.506 posições compradas e 100.245 vendidas. No relatório anterior do dia 28, possuíam 23.205 posições líquidas vendidas, sendo 73.704 posições compradas e 96.090 vendidas.
Segundo analistas da StoneX Coffee, o complexo de café fechou misto pela terceira sessão consecutiva. O arábica encerrou com leve alta, enquanto o robusta fechou em baixa. Uma tentativa inicial de ultrapassar os 280,00 cents no terminal de Nova Iorque encontrou resistência, com o contrato de julho fechando abaixo de 275,00 cents, proximamente ao fechamento de ontem. Algumas vendas de cafés originados surgiram perto das máximas da sessão, embora a maioria dos produtores continue aguardando uma confirmação de alta. Os spreads apresentaram pouca variação: o NU continua encontrando suporte próximo a 8,00 cents, enquanto o UZ fechou em alta de 55 pontos, a 6,85 cents.
Os preços da robusta fecharam em baixa após uma tentativa inicial de romper a resistência de US$ 3.450/t (julho) ter sido rejeitada pela média móvel de 50 dias em US$ 3.469/t, levando os preços de volta a um fechamento acima da média de 20 dias em US$ 3.405/t. Tanto a NU quanto a UX atingiram novas máximas em US$ 121 e US$ 90, respectivamente, antes de encontrarem pressão vendedora no fechamento, terminando praticamente estáveis.
Nesta semana, a volatilidade de julho atingiu 11,40 cents, variando 25,85 cents, de 271,35 cents (07) a 297,20 cents (05), com realização de lucros em três pregões, depois de fortes vendas de origens próximo a máxima da semana (05), deixando o mercado bem fragilizado. Além de perder a média móvel de 50 dias 390,00 cents, suporte em 285,00 cents e outro forte suporte em 276,00 cents. A liquidação encontrou forte suporte técnico em 271,50 cents (7), com compras torrefadores no final do pregão de quinta-feira tendo continuidade nesta sexta-feira fechando próximo a 275,00 cents.
A surpresa do mercado está sendo a performance do robusta, se deslocando do arábica. Somente ao longo desta semana, o diferencial caiu 12%, de 133,28 cents a 117,58 cents (07), com os spreads dos contatos futuros ampliando, mostrando escassez de café no curto prazo. O spread de maio/julho ampliou para US$ 230/t e julho/setembro para US$ 112/t, com julho negociado acima média móvel de 20 dias, em US$ 3.405/t, chegando a ultrapassar no pregão desta sexta-feira a média móvel de 50 dias em US$ 3.469/t quando Nova Iorque estava na máxima do dia, fechando em baixa devolvendo os ganhos de quinta-feira.
Fazendo uma analise mais detalhada dos contratos futuros em Londres, tudo está indicando que os operadores na casa europeia estão antecipando a forte escassez de café robusta no curto e médio prazo. O principal motivo dessa divergência seria a falta de café robusta do Vietnã para abastecer o mercado que estaria com estoques em um dos menores patamares da história (estoques de certificados nos mais baixos níveis em 200 dias), aumentando constante do consumo diante de mercado mundial carente de café.
A falta de café no curto e médio prazos deve aumentar ainda mais com os números extraordinários das exportações do Vietnã nos últimos meses, chegando ao "surreal". Com mais aumento do volume das exportações, mais valorização dos contratos futuros de robusta em Londres.
A produção de café do Vietnã na safra 2024/2025 foi estimada em aproximadamente 30 milhões de sacas, sendo 29 milhões de robusta e 1 milhão de arábica. Nos primeiros quatro meses de 2026, as exportações atingiram 13,5 milhões de sacas, média de 3,375 milhões por mês, restando 16,5 milhões até a entrega de café da nova safra daqui a 7 meses(novembro).
O consumo interno de café no Vietnã está em rápida expansão, com previsão de atingir cerca de 4,9 milhões de sacas na temporada 2025/2026, representando um aumento de 22,5% em relação aos 4 milhões estimados na safra 2024/2025, podendo chegar a 6 milhões de sacas na safra 2026/2027.
Tendo com base, os números da Vicofa, de que os estoques remanescente da safra 2024/2025 estavam praticamente zerados, somando ao consumo interno de 4,9 milhões de sacas e mais as 13,5 milhões de sacas que já foram exportadas, restam 11,6 milhões de sacas de café para serem exportadas nos próximo seis meses, média de 1,930 milhão de sacas, que representa queda de 1,445 milhão de sacas por mês, ante a média dos primeiros quatro meses de 2026.
A exportação do Vietnã em maio deve ficar dentro da média em 3,375 milhões de sacas, restando apenas 8,225 milhões de sacas, cerca de 1,645 milhão de sacas por mês para abastecer o mercado mundial até novembro de 2026. Caso não tenha nenhum problema climáticos nos próximos meses nas regiões cafeeiras do Brasil, o preço do café robusta pode superar, por alguns meses, o preço do café arábica no segundo semestre de 2026. Além de superar, deve dar forte sustentação aos contratos futuros de café arábica em Nova Iorque.