O risco Flávio Bolsonaro contamina mercado de café
Por José Roberto Marques da Costa
O volume nesta sexta-feira (15) em NY atingiu 24.396 lotes, 14.484 lotes a mais que no pregões de quinta-feira (14) quando teve a variação 6,25 cents. O contrato de café arábica no julho fecha em queda de 8,80 cents em 266,80 cents (3,22%), a mínima de 9 meses, variando 12,45 cents, de 265,55 cents a 278,00 cents, rompendo três suportes do dia, em 273,22 cents, 270,13 cents e 266,93 cents. Na semana, a volatilidade atingiu 21,15 cents, de 265,55 cents(15) a 286,70 cents(13), acumulando queda de 7,90 cents.
O volume de maio foi de 20 lotes, com 35 contratos em aberto, fechou a 284,60 cents, queda de 9,5 cents, o spread maio/julho cai para 17,70 cents ante a 18,75 cents no pregão anterior. O spread entre julho/setembro cai para 6,80 cents, ante a 7,35 cents do pregão anterior, spread de julho/dezembro cai para 13,45 cents ante a 14,10 cents do pregão anterior e spread entre setembro/dezembro cai para 6,65 cents ante 6,75 cents no pregão anterior. Os estoques certificados diminuíram 5.580 sacas, menores níveis em 75 dias, para 466.405 sacas, na semana diminuíram 10.640 sacas e no mês de maio 32.878 sacas, esperando certificação 3.390 sacas
O volume nesta sexta-feira (15) atingiu 15.420 lotes em Londres, 6.505 lotes a mais que no pregão de quinta-feira (14), quando variou US$ 190/t. O julho fechou em queda de US$ 122/t (3,45%) a US$ 3.365/t (152,63 cents), mínima de uma semana, variando US$ 136, de US$ 3.456/t a US$ 3.491/t, rompendo os três suportes do dia, em US$ 3.453/t, US$ 3.420/t e US$ 3.363/t. Na semana, a volatilidade atingiu US$ 243, de US$ 3.356/t(15) a US$ 3.599/t(13), acumulando perda de US$ 77 a toelada.
O volume de maio foi 20 lotes, com 732 contratos abertos, fechou a US$ 3.595/t, queda de US$ 94/t, spread maio/julho sobe para US$ 230/t ante a US$ 202/t do pregão anterior. O spread de julho/setembro sobe para US$ 120/t ante a US$ 115/t do pregão anterior, spread de julho/novembro cai para US$ 196/t ante a US$ 195/t do pregão anterior e spread de setembro/novembro cai pra US$ 76/t ante a US$ 80/t do pregão anterior. Os estoques de certificado do robusta diminuíram 31 lotes, para 3.631 lote, menor nível em dois anos. A diferença de preço entre NY e Londres cai para 117,54 cents ante a 119,27 cents do pregão passado.
O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) referente a 12 de maio mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos diminuíram em 26,38, diminuindo em 1.940 lotes suas posições compradas aumentando em 5.328 suas posições vendidas, neste período a variação de março passou de 289,75 cents a 280,15 cents, queda de 9,60 cents. As posições abertas tiveram alta de 3,25%, passando de 213.086 lotes para 220.013 lotes e nas últimas três semanas, acumula alta 23.249 lotes (11,8%).
Segundo os números apresentados, os grandes fundos possuíam 20.280 posições líquidas compradas, sendo 52.685 posições compradas, maior nível em 14 semanas, e 32.405 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 05 de maio, eles tinham 27.548 posições liquidas compradas, sendo 54.625 posições líquidas compradas e 27.077 posições vendidas. As empresas comerciais diminuíram 29,04% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 12, saldo de 19.683 posições líquidas vendidas, sendo 79.085 posições compradas e 98.768 vendidas. No relatório anterior do dia 05, possuíam 27.739 posições líquidas vendidas, sendo 72.506 posições compradas e 100.245 vendidas.
Neste relatório que chama a atenção dois dados, primeiro, diante de uma queda de 9,60 cents, os comerciais em vez de diminuírem suas posições compradas, aumentaram em 9% suas posições compradas comprovando que estão sustentando os contratos no curto prazo em NY. Outro dado, vem do aumento de volume de contratos abertos que já ultrapassam 220 mil lotes devido a intensas migrações de investidores no mercado de café.
Nessa semana, a analise de mercado é resumida no risco Flávio Bolsonaro contaminando o humor do mercado de café, através da moeda brasileira, depois que reportagem do Intercept revelou que o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro o repasse de R$ 134 milhões para bancar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em apenas dois dias (quinta e sexta-feira) fez que o Ptax desvalorizasse cerca 3,42%, atingiu os contratos futuros de café, a desvalorização do real pressionou os preços do café. O real fechou nesta sexta-feira em R$ 5,0670, forte alta de 1,63%, a maior cotação em mais de um mês. Nestes dois dias, a cotação de maio em NY acumula queda de 13,84 cents (4,83%), Em Londres, a perda foi de US$ 195/t ( 5,47% ), em resumo, o fator Flávio desvalorizou o mercado de café em 5% em apenas dosi dias.
No artigo da semana passada de destaques a futura escassez de café do mercado vietnamita. A análise da Hedgepoint Global Markets foca também no mercado de café no Sudeste Asiático, refletindo a menor disponibilidade de oferta no Vietnã e na Indonésia. O cenário ocorre em meio à retenção de vendas por produtores vietnamitas, atraso na colheita indonésia provocado por chuvas intensas e aumento das atenções sobre os impactos climáticos relacionados ao possível desenvolvimento do fenômeno El Niño.
Até abril, as exportações de café do Vietnã permaneceram fortes e atingiram 18,6 milhões de sacas na safra 25/26, Com grande parte da produção já comercializada e o país entrando em entressafra, os produtores passaram a segurar novas vendas, reduzindo a disponibilidade de café no mercado internacional e direcionando os compradores para a Indonésia. No entanto, o país também enfrenta restrições de oferta. As chuvas intensas registradas nas últimas semanas atrasaram o início da colheita da safra 26/27, limitando a disponibilidade do produto e impactando os volumes exportados em março.
Agora, com grande parte da produção já comercializada e o país entrando em entressafra, os produtores passaram a segurar novas vendas, reduzindo a disponibilidade de café no mercado internacional e direcionando os compradores para a Indonésia. No entanto, o país também enfrenta restrições de oferta. As chuvas intensas registradas nas últimas semanas atrasaram o início da colheita da safra 26/27, limitando a disponibilidade do produto e impactando os volumes exportados em março.
Preços do café no varejo dos EUA atingem recorde histórico
O preço médio do café moído no varejo dos EUA atingiu US$ 9,72/lb em abril, segundo dados do Banco da Reserva Federal de St. Louis, um aumento de 28,91% em relação a abril de 2025. Este é o quarto recorde histórico consecutivo para o indicador, que vem batendo recordes nominais continuamente desde maio de 2024.
Diversos fatores impulsionaram a alta. Safras historicamente baixas no Brasil e no Vietnã, os dois maiores produtores de café do mundo, desencadearam compras em pânico, com torrefadoras correndo para cobrir seus estoques. As tarifas, então, agravaram a pressão, forçando as torrefadoras a aumentarem rapidamente os preços para absorver as altas taxas de importação.
O efeito sobre os consumidores em um dos mercados consumidores de café mais importantes do mundo é significativo. O café em grãos e moído embalado custou quase 21% a mais em agosto de 2025 do que um ano antes, o aumento mensal mais rápido em quase três décadas. Os preços do café também estão subindo, embora os operadores estejam agindo com cautela, já que o consumo de café em casa continua aumentando.
Pode haver algum alívio antes do final do ano. O Brasil espera uma safra recorde em 2026/27, e a Colômbia registrou recentemente seu ciclo cafeeiro mais produtivo em mais de três décadas. Ambos os fatores podem pressionar o preço do café para baixo. Dito isso, a redução dos custos para torrefadores e importadores levará tempo para chegar às prateleiras dos supermercados.