El Niño se torna uma ameaça, pode afetar preços, vendas e oferta
Por José Roberto Marques da Costa
O volume nesta sexta-feira (29) em NY, último pregão do mês de maio, atingiu 30.357 lotes, 395 lotes a mais que no pregões de quinta-feira (28) quando teve a variação 7,45 cents. O contrato de café arábica no julho fecha em queda de 8,65 cents em 265,60 cents (3,15%), menor nível dos últimos 9 pregões(18/05) variando 9,30 cents, de 265,30 cents a 274,60 cents, rompendo dois suportes, em 270,67 cents e 267,08 cents. Em maio, a volatilidade atingiu 34,35 cents, de 262,85 cents(19) a 297,20 cents(05) e no ano de 2026 acumula perda de 82,95 cents(23,78%)
O spread entre julho/setembro cai para 6,90 cents, ante a 7,75 cents do pregão anterior, spread de julho/dezembro cai para 14,40 cents ante a 15,35 cents do pregão anterior e spread entre setembro/dezembro cai para 7,50 cents ante 7,80 cents no pregão anterior. Os estoques certificados diminuíram 5.355 sacas, para 435.430 sacas, menor nível em 110 dias, em maio acumula perda de 63.853 sacas (12,7%), esperando certificação 1.100 sacas.
O volume nesta sexta-feira (29) atingiu 19.824 lotes em Londres, 1.499 lotes a menos que no pregão de quinta-feira (28), quando variou US$ 116/t. O julho fechou em queda de US$ 78/t (2,30%) a US$ 3.476/t (157,67 cents), variando US$ 100/t, de US$ 3.468/t a US$ 3.568/t, rompendo o primeiro suporte em US$ 3.485/t. Em maio, a volatilidade atingiu US$ 330, de US$ 3.269/t(20) a US$ 3.599/t( 13) e no ano de 2026, acumula perda de US$ 469/t (11,97%)
O spread de julho/setembro cai para US$ 129/t ante a US$ 139/t do pregão anterior, spread de julho/novembro cai para US$ 204/t ante a US$ 216/t do pregão anterior e spread de setembro /novembro cai para US$ 75 ante a US$ 77/t do pregão anterior. Os estoques de robusta da caíram para o menor nível em 2 anos, atingindo 3.631 lotes em 15 de maio, mas se recuperaram para o maior nível em 6 semanas, com 3.968 lotes na última sexta-feira. A diferença de preço entre NY e Londres cai para 107,93 cents ante a 113,05 cents do pregão passado.
O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) referente a 26 de maio mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos aumentaram em 1,52%, diminuindo em 480 lotes suas posições compradas e 703 suas posições vendidas, neste período a variação de março passou de 270,15 cents a 274,00 cents, alta de 3,85 cents. As posições abertas tiveram alta de 0,35%, passando de 234.834 lotes para 235.676 lotes.
Segundo os números, os grandes fundos possuíam 14.841 posições líquidas compradas, sendo 50.517 posições compradas e 35.672 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 19 de maio, eles tinham 14.619 posições liquidas compradas, sendo 50.997 posições líquidas compradas e 36.378 posições vendidas. As empresas comerciais aumentaram 6,43% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 26, saldo de 14.801 posições líquidas vendidas, sendo 87.127 posições compradas e 101.928 vendidas. No relatório anterior do dia 19, possuíam 13.906 posições líquidas vendidas, sendo 85.844 posições compradas e 99.840 vendidas.
Os contratos futuros de café arábica em NY fecharam esta semana em queda, para a grande maioria dos analistas, o principal motivo é a previsão meteorológicas, que indica que o clima nas principais regiões produtoras de café do Brasil voltará a ficar seco na próxima semana.
Fazendo uma análise mais detalhada, a fraqueza do mercado pela segunda vez neste mês maio foi aumento da intensidade de vendas de origens. Na primeira vês, foi na primeira semana do mês, quando julho rompeu o nível de 295,00 cents(05), aproveitando os ótimos preços, as origens, Brasil e Colômbia intensificaram suas vendas. Aproveitando da fraqueza, os especuladores entraram fazendo realizações de lucros, provocando um forte queda em torno de 30 cents levando abaixo de 265,00 cents, com spread julho/setembro caindo de 8,00 cent para 6,90 cents, o menor nível em 60 dias.
A forte queda, além de deixar o mercado fortemente sobrevendido, os torrefadores entraram comprando, aproveitando que os preços estavam baixos, quando julho rompeu 263,00 cents(20), sustentado o mercado com diárias levando na quinta-feira a ultrapassar 278,00 cents e o spread julho/setembro voltando a 8,00 cents.
Neste nível, aproveitando o cambio (real e peso), as origens voltaram a intensificar suas vendas e novamente os especuladores voltaram a realizar suas operações de realização de lucros, levando abaixo de 265,00 cents e os spread julho/setembro caindo para 7,10 cents. Na próxima semana, os especuladores devem continuar com suas realizações, tentando levar o spread abaixo de 7,00 cents, mas, tudo indica que o mercado deve se sustentar com os torrefadores comprado com spread abaixo de 7,00 cents. Além das origens e torrefadores, o fundamento vencimento das opções, no próximo dia 12 de junho, deve começar a interferir na performance do mercado. e antecipar o nível de fechamento do dia 12 é "mera especulação".
O retorno do El Niño é o principal ponto de incerteza e começa a entrar com meses de antecedência no radar dos investidores depois do alerta da NASA, que o novo El Niño lembra episódios intensos do passado com o cientista da NASA, afirmando que o fenômeno “está começando a alcançar” a intensidade observada nos episódios de 1997 e 2015, considerados dois dos mais fortes já registrados. O fenômeno pode alterar os padrões de temperatura e precipitação, afetando diretamente a agricultura em diversas regiões produtoras mundiais. No caso do café, o efeito é ambíguo. Por um lado, condições mais quentes podem reduzir o risco de geadas, que geralmente causam danos severos às plantações em áreas sensíveis. Por outro lado, o calor excessivo pode prejudicar, com está acontecendo atualmente no Vietnã, segundo maior produtor mundial e na a fase de floração do Brasil nos próximos 90 dias.
A floração, que geralmente ocorre por volta de setembro ou outubro, é decisiva para a próxima safra. Se o clima estiver muito quente ou irregular nesse período, a produtividade futura pode ser comprometida. Portanto, produtores, exportadores e compradores acompanharão de perto o desenvolvimento do fenômeno. O desempenho das exportações depende da safra atual, mas os preços também dependem da percepção de risco em relação à próxima safra.
Uma floração prejudicada pode mudar todo o cenário do mercado. Se o El Niño for mais negativo do que positivo para as plantações de café, os produtores podem diminuir o ritmo de vendas. Essa retenção serviria como proteção contra a possibilidade de menor oferta futura e preços mais altos.
Essa é uma lógica comum no setor de commodities agrícolas. O produtor não considera apenas a safra colhida, mas também o risco para a próxima safra, especialmente quando o clima entra em um período de incerteza. Resumindo, "El Niño se torna uma ameaça, pode afetar preços, vendas e oferta".
No mercado interno do Vietnã, o preço do café registraram uma queda uniforme de 800 VND/kg em comparação com o dia anterior, oscilando atualmente entre 87.200 e 87.800 VND/kg ( R$ 994,08 a R$ 1.000,00 a saca ). Os agricultores continuam a reter suas reservas de café robusta na expectativa de uma recuperação mais forte dos preços, enquanto os exportadores monitoram os desdobramentos na Indonésia e no Brasil antes de aumentarem as compras, segundo um comerciante do Vietnã.
O mercado global de café está volátil, com sinais vindos do Brasil que simultaneamente aumentam as expectativas de excesso de oferta e indicam queda no risco de escassez a curto prazo.
A seca persistente e as chuvas irregulares no Planalto Central do Vietnã ( efeito El Niño ) continuam alimentando preocupações sobre o desenvolvimento dos cafés cereja e a saúde da próxima safra de Robusta. Uma onda de calor generalizada causa consumo diário recorde de eletricidade nas regiões Central e das Terras Altas Centrais.
O clima quente e seco prolongado está aumentando o risco de incêndios florestais em muitas áreas do país, chegando a níveis extremamente perigosos. O Departamento de Silvicultura e Proteção Florestal alerta as localidades, os proprietários de florestas e as autoridades competentes para que reforcem as medidas de prevenção e controle de incêndios florestais em áreas críticas.
A região Centro-Norte, de Thanh Hoa a Quang Ngai , encontra-se atualmente em alerta vermelho para incêndios florestais – nível V, o mais perigoso. Na região das Terras Altas Centrais, incluindo Gia Lai , Lam Dong e algumas províncias do sul, o risco de incêndios florestais situa-se geralmente nos níveis IV e V.