Estudo destaca relação de consumo de café com risco de demência
Um estudo observacional publicado em na revista científica JAMA aponta que o consumo moderado de café e chá com cafeína está associado a menor risco de desenvolvimento de demência ao longo da vida.
A pesquisa, conduzida por cientistas ligados principalmente à Universidade de Harvard, acompanhou mais de 131 mil participantes por um período médio entre 37 e 40 anos. Ao longo do acompanhamento, foram registrados 11.033 casos de demência.
Os dados indicam que indivíduos que consumiam entre duas e três xícaras de café com cafeína por dia apresentaram cerca de 18% a 20% menor risco de demência em comparação com aqueles que consumiam pouco ou nenhum café.
Além disso, esse grupo apresentou menor declínio cognitivo e melhor desempenho em testes de memória e funções cognitivas.
O efeito, segundo os resultados, foi observado especificamente no café com cafeína. O café descafeinado não apresentou associação significativa com proteção cognitiva.
O estudo também observou que o consumo de chá com cafeína, entre uma e duas xícaras por dia, esteve associado a efeitos semelhantes, com menor risco de demência e melhor desempenho cognitivo.
Os pesquisadores destacam que os resultados se mantiveram consistentes entre diferentes padrões de consumo moderado.
Embora o estudo não comprove relação de causa e efeito, os autores apontam possíveis mecanismos para a associação observada. Entre eles estão a ação da cafeína e de compostos como polifenóis, que podem exercer efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes.
Essas substâncias poderiam contribuir para a proteção de neurônios, a redução de processos inflamatórios no cérebro e a melhora na comunicação entre células nervosas, fatores associados ao envelhecimento cerebral.
Outro achado relevante é que o efeito também foi observado em indivíduos com predisposição genética para demência, o que sugere que hábitos de vida podem influenciar o risco mesmo em populações geneticamente mais vulneráveis.
Apesar dos resultados, os pesquisadores reforçam que o estudo é observacional. Isso significa que ele identifica associações estatísticas, mas não estabelece relação de causa e efeito.
Não é possível afirmar, portanto, que o consumo de café ou chá previne diretamente a demência.
Além disso, o benefício observado foi considerado pequeno a moderado, e não há evidências de ganhos adicionais com consumo acima de duas a três xícaras por dia.
Especialistas também alertam que o excesso de cafeína pode estar associado a efeitos adversos, como distúrbios do sono e aumento da ansiedade.
Os autores destacam que café e chá representam apenas um dos fatores relacionados à saúde cerebral. Outros elementos, como atividade física regular, alimentação equilibrada, controle da pressão arterial, sono adequado e estímulo cognitivo, continuam sendo considerados fundamentais na prevenção do declínio cognitivo.