Pressão sobre posições vendidas(short positions) provoca forte rally em NY
Por José Roberto Marques da Costa
O volume nesta sexta-feira (26) em NY atingiu 26.579 lotes, o menor do mês de junho, 10.681 lotes a menos ante ao pregão de quinta-feira (25) quando teve a variação 12,60 cents. O setembro fechou com queda de 3,20 cents(1,15%) a 273,20 cents, variou 8,50 cents, de 269,85 cents a 278,35 cents, rompendo o primeira suporte do dia em 270,18 cents, sem força para buscar a primeira resistência em 282,78 cents. Durante a semana acumula alta de 5,40 cents e no mês de junho 19,00 cents, com forte volatilidade de 44,35 cents, mínima de 240,90(9) e máxima 284,75 cents(24)
O spread entre setembro/dezembro cai para 12,80 cents ante a 13,00 cents no pregão anterior, spread de setembro/março cai para 16,60 cents ante a 17,75 cents do pregão anterior e spread entre dezembro/março cai para 4,30 cents ante a 4,75 cents do pregão anterior. Os estoques certificados diminuíram 3.107 sacas, para 382.084 sacas, menor nível dos últimos 27 meses. Durante a semana caiu 12.928, média diária de 2.586 sacas, esperando certificação 275 sacas.
O volume nesta sexta-feira (26) atingiu 16.187 lotes em Londres, também a menor em junho, 4.425 lotes a menos que no pregão de quinta-feira (25), quando variou US$ 132/t. O setembro fechou em queda de US$ 35/t (1,03%) a US$ 3.627/t (164,52 cents), variando US$ 71/t, de US$ 3.613/t a US$ 3.684/t, sem força para romper o primeiro suporte ddo ida em US$ 3.584/t a a primeira resistência em 3.716/t. Durante a semana acumula alta de US$ 35/t e no mês de junho US$ 257/t
O spread de setembro/novembro cai para US$ 57/t ante a US$ 69/t no pregão anterior, spread de setembro/janeiro cai para US$ 196/t, ante US$ 121/t no pregão anterior e spread de novembro/janeiro sobe para US$ 48 ante a US$ 52/t do pregão anterior. Os estoques de café robusta sobe para a máxima de 75 dias de 4.032 lotes. A diferença de preço entre NY e Londres cai para 108,68 cents ante a 110,30 cents do pregão anterior.
O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) referente a 23 de junho mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos aumentaram em 127,68% suas posições líquidas compradas, aumentando em 3.533 suas posições compradas e diminuído em 2.481 suas posições vendidas, neste período a variação de setembro passou de 272,80 cents a 275,95 cents, alta de 3,15 cents. As posições abertas tiveram queda de 1,12%, passando de 233.201 lotes para 230.587 lotes
Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras os grandes fundos possuíam 10.724 posições líquidas compradas, sendo 48.249 posições compradas e 37.525 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 16 de junho, eles tinham 4.710 posições liquidas compradas, sendo 44.716 posições líquidas compradas e 40.006 posições vendidas. As empresas comerciais aumentaram em 247,32% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 23, saldo de 10.517 posições líquidas vendidas, sendo 83.393 posições compradas e 93.909 vendidas. No relatório anterior do dia 16, possuíam 3.028 posições líquidas vendidas, sendo 89.670 posições compradas e 93.49 vendidas.
Os contratos futuros de café arábica fecharam em queda nesta sexta-feira, mas acumulando alta de 5,40 cents na semana dentro de mercado fortemente sobre comprado, variou intervalo na mínima com compras de torrefadores no nível 270,00 cents e vendas de algumas origens acima de 282,00 cents. Nos últimos 12 pregões acumulo de alta foi de 32,30 cents (13,4%) com compras dos grandes fundos, como mostra o relatório dos traders e torrefadores cobrindo suas posições vendidas, muito preocupado com a provável escassez de café no curto prazo com clima chuvoso em plena colheita de café no Brasil, e forte retração nas vendas de produtores brasileiros. Caso não tenha nenhuma interferência externa, as alta dos contratos futuros devem continuar nos próximos pregões
Segundo análise publicada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a ocorrência de chuva durante a colheita do café e a possibilidade de indução de floradas antecipadas exigem atenção dos produtores, especialmente nas principais regiões cafeeiras de São Paulo e Minas Gerais. As chuvas previstas podem dificultar as operações de colheita e secagem, elevar a umidade dos frutos e aumentar o risco de fermentações indesejadas, com reflexos negativos sobre a qualidade final da bebida.
Além dos impactos operacionais, as chuvas também exigem atenção em razão do estágio fisiológico da cultura. Após a colheita, os botões florais normalmente permanecem em dormência durante o período seco do inverno, condição importante para garantir uma florada principal uniforme no início da primavera.
Entretanto, já existem relatos de emissão antecipada de flores em algumas regiões produtoras de São Paulo e do Sul de Minas Gerais. Nesse cenário, a ocorrência de chuva pode favorecer a quebra prematura da dormência dos botões florais e estimular floradas fora de época, o que tende a provocar desuniformidade no desenvolvimento e na maturação dos frutos, elevando a proporção de grãos verdes e reduzindo o potencial de qualidade da bebida.
Além das chuvas anormais durante a colheita, a preocupação de que o fenômeno climático El Niño possa prejudicar a safra de café do Brasil no próximo ano começa a exerce pressão de alta sobre os preços. Uma empresa comercializadora de café afirmou que o El Niño pode atrasar as chuvas no Brasil em setembro e outubro — período em que normalmente ocorre a floração —, prejudicando a safra brasileira de café de 2026/27.
Segundo StoneX, a pressão crescente sobre as posições vendidas(short positions) dos operadores devido as dificuldades de obter café arábica lavado para reposição aos diferenciais atuais, com a valorização do peso colombiano nesta semana após as eleições, reduzindo o incentivo dos produtores para vender seu café. Essa combinação, dos dois maiores produtores mundiais de café arábica torna a situação cada vez mais desconfortável para quem mantém posições vendidas para os meses de julho e agosto. O spread entre os contratos de setembro e dezembro de arábica subiu 470 pontos desde o início do período de entrega, fechando no dia 23 em 14,45 cents, um movimento que ressalta a escassez de oferta de arábica para prazos próximos.
O setembro começou a semana com 96.836 lotes em aberto caindo para 91.098 lotes nesta quinta-feira, números bem acima na média histórica para esta época, provocando uma volatilidade histórica. Nos últimos nove pregões, a volatilidade média diária atingiu 11,80 cents, 18,80 cents(16), 8,25(17) 8,05 cents(18), 15,25 cents(19), 8,35 cents(22), 17,45 cents(23), 11,30 cents(24), 12,60 cents(25) e 8,50 cents(26). O destaque da semana foi o pregão quinta-feira, durante o intraday, julho variou 13,35 cents de 282,00 cents a 295,35 cents, maior nível em 60 dias.
Londres atinge a máxima de 100 dias nesta semana
A volatilidade dos contratos de café arábica em NY também está contagiando os contratos futuros de café robusta em Londres, na quinta-feira, o setembro chegou a variar US$ 132 com a máxima atingindo US$ 3.692/t e o julho variou US$ 140, de US$ 3.750/t a US$ 3.890/t, maior nível em 100 dias.
Além do rally dos últimos 12 dias dos contratos futuros de café arábica, o mercado robusta está sendo sustentado pelo baixo nível de estoques no Vietnã, restando somente 3,5 milhões de sacas para exportação até a entrada de café da próxima safra em novembro/2026, a produção deste ano da Indonésia estimada em queda de 30% ante com a temporada anterior e a queda de produção brasileira deste ano, principalmente no Espirito Santo.
No Vietnã, o preço dos grãos de café verde a granel permaneceu praticamente inalterado em comparação com a semana passada, à medida que o mercado entrou em uma fase de negociações mais lentas. Na região das Terras Altas Centrais, o café está sendo comprado por R$ 1.026,00 a saca de 60 quilos. Segundo um comerciante da região central do Planalto, as chuvas no Brasil e as preocupações com a qualidade e o momento da colheita contribuíram para sustentar os preços do café no mercado interno.
A medida que os preços ultrapassam R$ 1.000,00 a sacas, alguns agricultores aproveitaram a oportunidade para vender mais, enquanto muitos outros continuaram a guardar o café na esperança de que os preços subissem ainda mais no futuro.
Na Indonésia , os exportadores estão oferecendo café robusta de Sumatra com um prêmio de cerca de US$ 60/tonelada em relação aos contratos de setembro. Outras cotações apresentam um prêmio de US$ 65/tonelada em relação aos contratos de julho
No entanto, de acordo com um agricultor da província de Lampung, apesar das condições climáticas favoráveis que ajudaram os grãos de café a amadurecerem uniformemente e ficarem prontos para a colheita, a produção deste ano está estimada em cerca de 30% a menos em comparação com a temporada anterior.
Esse desenvolvimento indica que o mercado global de café permanece em um impasse. No curto prazo, os preços são sustentados pelo lento progresso da colheita no Brasil e pela perspectiva de queda na produção na Indonésia
Entre 01 de novembro 2025 até 15 de junho de 2026, o Vietnã exportou 23,564 milhões de sacas, que representa 76% da safra 2025/26 de 31 milhões de sacas. Neste período, o país consumiu 3,880 milhões de sacas. Segundo estatísticas do Departamento de Alfândega do Vietnã, as exportações de café do Vietnã na primeira quinzena de junho de 2026 atingiram 58.000 toneladas ( 967 mil sacas ), aumento de 5,9% em volume.
No acumulado do início deste ano até 15 de junho, as exportações de café chegaram a 985.700 toneladas ( 16,430 milhões de sacas ), aumento de 12% em volume ante a mesmo período do ano passado, mas uma queda de 11% em valor em comparação com o mesmo período de 2025. No último trimestre de 2025, exportou aproximadamente 428 mil toneladas ( 7,134 milhões de sacas ) de café no último trimestre de 2025, volume representou um salto de cerca de 40,8% nos embarques em relação ao mesmo período do ano anterior.
Tendo como base os números da USDA, o país consome por anual de 4,9 milhões de sacas, média de 408,333 milhões de sacas por mês, que representa 3,879 milhões de sacas até 15 de junho, restando 3,556 milhões de sacas para exportação. O consumo interno até final do ciclo da safra 2025/26 (30/10) deve ficar em 1,028 milhões de sacas. Segundo os dados da USDA, o estoques remanescente do Vietnã da safra 2024/25, estava em 900 mil sacas, restando apenas 3,428 milhões de sacas para exportação até a entrada de café da próxima safra em novembro/2026