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Mercado começa reavaliar a safra de café do Brasil


Por José Roberto marques da Costa 

O volume nesta sexta-feira (10) em NY atingiu 63.078 lotes, 6.645 lotes a menos ante ao pregão de quinta-feira (09) quando teve a variação 35,05 cents. O setembro fechou em queda de 13,65 cents(3,92%) a 334,25 cents, variou 22,10 cents, menor da semana, de 318,60 cents a 340,70 cents.

O spread entre setembro/dezembro cai para 18,25 cents ante a 19,70 cents no pregão anterior, spread de setembro/março cai para 24,60 cents ante a 26,90 cents do pregão anterior e spread entre dezembro/março cai para 6,35 cents ante a 7,20 cents do pregão anterior. Os estoques certificados diminuíram 2.150 sacas, para 344.269 sacas, na semana acumula queda de 33.186 sacas, sem nenhuma saca esperando certificação.

O volume nesta sexta-feira (10) atingiu 23.311 lotes, menor da semana, em Londres, 3.739 lotes a menos que no pregão de quinta-feira (09), quando variou US$ 314/t. O setembro fechou em queda de US$ 191/t (4,72%) a US$ 3.852/t (174,72 cents), variando US$ 219/t, de US$ 3.790/t a US$ 4.009/t.

O spread de setembro/novembro cai para US$ 33/t ante US$ 41/t do pregão anteior, spread de setembro/janeiro cai para US$ 72/t ante a US$ 76/t do pregão anterior e spread de novembro/janeiro cai para US$ 29/t ante a US$ 35/t no pregão anterior. Os estoques de café  certificado do robusta aumentaram para 4.183 lotes, atingindo o maior nível em 105 dias. A diferença de preço entre NY e Londres cai para 159,53 cents ante a 165,51 cents do pregão anterior.

O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) referente a 07 de julho mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos aumentaram em 31,1% suas posições líquidas compradas, diminuindo em 440 suas posições compradas e em 6.233 suas posições vendidas, neste período a variação de setembro passou de 296,45 cents a 317,60 cents, alta de 21,15 cents. As posições abertas tiveram alta de 3,10%, passando de 234.960 lotes para 242.253 lotes

Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras os grandes fundos possuíam 24.398 posições líquidas compradas, sendo 49.487 posições compradas e 25.089 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 30 de junho, eles tinham 18.605 posições liquidas compradas, sendo 49.927 posições líquidas compradas e 31.322 posições vendidas.

As empresas comerciais aumentaram em 39,86% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 07, saldo de 26.104 posições líquidas vendidas, sendo 76.362 posições compradas e 102.466 vendidas. No relatório anterior do dia 30, possuíam 18.664 posições líquidas vendidas, sendo 80.631 posições compradas e 99.295 vendidas.

Os contratos futuros de café entraram oficialmente em território de "meme-stocks" com   investidores fazem os contratos dispararem e apetite por risco cresce. No mercado financeiro a o termo "Meme stocks" são os preços, cujas avaliações são impulsionadas pela repercussão viral na internet e pela especulação nas redes sociais. Elas são altamente voláteis, frequentemente sujeitas a um "short squeeze", quando o preço sobe rapidamente, forçando investidores que apostavam na queda (vendidos a descoberto) a recomprá-lo para limitar prejuízos. Essa recompra em massa gera uma forte demanda adicional, criando um efeito "bola de neve" que dispara ainda mais o preço, impulsionadas principalmente por investidores de varejo que se articulam em plataformas.

Segundo analista da StoneX," a movimentação começou na segunda-feira com uma oscilação de 45,15 cents dentro de uma amplitude de quase 57 cents, a maior variação percentual em um único dia desde 2000, seguida por dois dias de queda até a mínima de 307,30 cents, uma recuperação de 27,85 cents ontem e uma liquidação de posições compradas (*long liquidation*) logo no início desta manhã — movimento que foi absorvido por novas compras, fazendo com que os preços fechassem 19,15 cents acima da mínima. A volatilidade implícita de três meses saltou de 39% para 51%.

O volume de EFP/EFS foi mínimo em ambos os mercados de referência (*terminal markets*) em relação à magnitude do movimento e aos volumes negociados. Apesar de tudo isso, o interesse em aberto (*open interest*) total dos contratos futuros de arábica caiu apenas 7.017 contratos, enquanto o contrato de setembro — o mais ativo — ainda mantinha 75.946 lotes em aberto no fechamento de ontem. A ICE elevou a taxa de margem inicial para o contrato futuro de setembro de US$ 7.865,19 para US$ 21.116,25 — um aumento de 168% — ao longo da semana"  Segundo analistas, o aumento repentino nas exigências de margem pela Intercontinental Exchange (ICE) no início desta semana, a menor liquidez forçou grandes fundos de commodities a encerrar posições vendidas (*short*), desencadeando fortes disparadas de preços em sentido único. Os grandes fundos estão liquidando suas posições vendidas, nos últimos 30 dias caíram mais de 40%,de 45 mil lotes para 25 mil lotes. Há comentários de mercado de que alguns grandes tradings podem estar enfrentando forte pressão em suas posições, contribuído para a intensa volatilidade deste semana.

Os spreads dos contatos futuros acompanham esta volatilidade, na segunda-feira, spread setembro/dezembro fechou a 14,55 cents quando atingiu 349,55 cents, quarta-feira caiu para 12,55 cents, ontem subiu para 19,70 cents em 347,90 cents e hoje caiu para 18,25 cents em 334,25 cents. Para alguns analistas, a continua alta do spread está cheirando "squeeze". Em NY volatilidade média diária foi recorde, atingiu 33,45 cents, variando 56,80 cents, de 300,20 cents a 357,00 cents e Londres volatilidade média diária atingiu US$ 282/t, variando US$ 407, de US$ 3.714/t a US$ 4.121/t

Três importantes fundamentos importante provocaram entrada território de "meme-stocks" para justificar a valorização de 38,75% nos últimos 30 dias, no dia 10 de junho, setembro estava cotado a 240,90 cents atingindo a máxima de 357,00 cents nesta semana. A reavaliação da safra deste ano do Brasil depois das chuvas anormais em plena época da colheita e rendimento bem baixo do esperado, a queda dos estoques de certificados para nível próximo a mínima histórica e El Niño pode ser o mais intenso desde 1950, ano em que começaram a ser feitas as medições, segundo a NOAA.

Queda expressiva da safra brasileira que está sendo colhida 

Nesta semana começa a ganhar corpo na mídia e entre os analistas de mercado, a palavra "reavaliar" referido uma reavaliação a safra 2026/27 do Brasil devido a dois fatores distintos. O Primeiro fator, chuvas anormais para época de colheita em junho, provocando atraso na colheita e floração antecipada e intensa queda de grãos de café no chão, provando perda da qualidade, recolocando estes café do chão para o mercado interno, limitando futuras exportações brasileiras. O segundo fator, está na queda do rendimento do café depois do café ser beneficiado, devido ao tamanho do grãos bem abaixo da média, pelas últimas informações, a queda está entre 15% a 20%.

Antes da colheita, a estimativa de safra estavam girando média de 69 milhões de sacas, tenho como base a USDA de 71,9 milhões de sacas, sendo 47,5 milhões de sacas de arábica e 24,4 milhões de conilon e a estimativa da Conab e de 66,2 milhões de sacas, 44,1 milhões de arábica e 22,1 milhões de conilon. Fazendo os cálculos, a queda mínima de rendimento de 10% do café arábica, representa 4,5 milhões de sacas a menos, na queda de 15%, representa 6,75 milhões a menos, não levando em conta a queda do rendimento conilon. Devido ao clima, podemos ter novamente um frustação de safra que deve ficar em 62 milhões de sacas. Tendo conhecimento desta informações, a gigante italiana de torrefação de café Lavazza acredita que o mercado precisará de pelo menos duas safras excepcionais consecutivas para reequilibrar a oferta e a demanda.

Estoques de certificados em NY próximo mínima histórica

Outro fundamento que está alimentando estas altas nos últimos pregões está vindo do baixo nível dos estoques de certificados na bolsas e sem café para serem certificados no curto prazo. Estes estoques tem estar mãos de pequeno números de fortes investidores, diante 77.363 contratos abertos em setembro.

Neste sexta-feira, os estoques certificados caíram 2.150 sacas para 346.419 sacas, faltando 42,033 sacas para atingir a mínima histórica de 302.235 sacas que foi a 27 anos e 4 meses ( segunda semana de março de 1.999 ) e pela primeira vez em vários anos não tem nenhuma saca esperando certificação. No mês de julho, a queda acumula 33.196 sacas, média de 3.320 sacas. Mantendo está média de queda, daqui duas semanas, os estoques podem cair para os menores níveis da história.

El Niño pode ser o mais intenso desde 1950, segundo a NOAA

O mercado está reavaliando os riscos associados à expectativa de um evento climático de super El Niñ. O fenômeno traz dúvidas futuras para a produção dos principais países cafeicultores. Há temores com as safras do Vietnã e Indonésia, sem falar na safra de 2027 do Brasil pelas mudanças climáticas.

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), agência climática dos Estados Unidos, o E Niño se intensificou no último mês e tem 81% de chance de atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026. Segundo a NOAA, se a previsão se confirmar, esse pode ser o El Niño mais intenso desde 1950, ano em que começaram a ser feitas as medições. Além disso, a previsão da NOAA indica que o El Niño persiste e deve se intensificar até o final do ano, com 97% de chance de seguir ativo até junho de 2027. 

De acordo com o pesquisador do Observatório de Bioeconomia do FGV Agro, Eduardo Assad, nos últimos dez anos ocorreram três episódios muito fortes de El Niño. “Em eventos anteriores, como os registrados em 2015 e 2024, algumas regiões registraram perdas de até 10% na produção agrícola. Caso o fenômeno ganhe intensidade, os principais riscos incluem ondas de calor e redução das chuvas em parte do país, que certamente impactam a produção agrícola”, explica. O pesquisador ressalta que, do ponto de vista fisiológico, soja e milho estão entre as culturas mais vulneráveis aos efeitos do calor e da irregularidade das chuvas. No Sudeste, café e laranja também aparecem entre as atividades mais sensíveis. 

Ótimo final de semana 


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Contrato Cotação Variação
Setembro 334,25 -13,65
Dezembro 316,00 -12,20
Março 309,65 -11,35
Contrato Cotação Variação
Setembro 3,852 - 191
Novembro 3.819 - 183
Janeiro 3.790 - 174
Contrato Cotação Variação
Setembro 396,75 - 3,30
Dezembro 379,65 - 3,30
Março 379,45 + 3,45
Contrato Cotação Variação
DXY 100,77 + 0,08
Dólar 5,1080 - 0,28
Euro 5,8320 - 0,38
Ptax 5,1085 - 0,47
  • Varginha
    Descrição Valor
    Certificado 15% R$ 1920,00
    Safra 25/26 20% R$ 1890,00
    Peneira14/15/16 R$ 1960,00
    Duro/riado/rio R$ 1620,00
  • Três Pontas
    Descrição Valor
    Safra 25/26 18% R$ 1890,00
    Certificado 15% R$ 1920,00
    Miúdo 14/15/16 R$ 1670,00
    Duro/riado/rio R$ 1650,00
  • Franca
    Descrição Valor
    Moka R$ 1760,00
    Cereja 20% R$ 1940,00
    Safra 25/26 15% R$ 1880,00
    Duro/Riado 15% R$ 1720,00
  • Patrocínio
    Descrição Valor
    Safra 25/26 15% R$ 1900,00
    Safra 25/26 30% R$ 1870,00
    Peneira 17/18 R$ 2000,00
    Rio com 20% R$ 1500,00
  • Garça
    Descrição Valor
    Safra 25/26 20% R$ 1880,00
    Safra 25/26 30% R$ 1850,00
    Duro/Riado 15% R$ 1600,00
    Escolha kg/apro R$ 24,00
  • Guaxupé
    Descrição Valor
    Duro/riado 20% R$ 1600,00
    600 defeitos R$ 1680,00
    Safra 25/26 15% R$ 1900,00
    Safra 25/26 25% R$ 1880,00
  • Indicadores
    Descrição Valor
    Cepea Arábica R$ 1722,48
    Cepea Conilon R$ 1087,74
    Conilon/Vietnã R$ 1052,00
    Agnocafé 25/26 R$ 1900,00
  • Linhares
    Descrição Valor
    Conilon T. 7 R$ 1130,00
    Conilon T. 7/8 R$ 1120,00
    Conilon T. 6 R$ 1140,00