Intensidade do volume de chuva surpreende todos os setores do mercado
Por José Roberto Marques da Costa
O volume nesta sexta-feira (24) em NY atingiu 30.536 lotes, 3.962 lotes a mais ante ao pregão de quinta-feira (23) quando teve a variação 13,05 cents. O setembro fechou em alta de 4,40 cents(1,42%) a 313,80 cents, variou 12,15 cents, de 306,40 cents, menor nível desde 06/07 a 318,55 cents, rompendo primeira resistência do dia, em 317,72 cents. O spread entre setembro/dezembro sobe 21,6%, para 15,75 cents ante a 12,95 cents, spread de setembro/março sobe 21,6%, para 22,55 cents ante a 18,55 cents do pregão anterior e spread entre dezembro/março sobre para 6,80 cents ante a 5,90 cents do pregão anterior.
Os estoques de certificados minuíram 4.567 sacas, para 311.317 sacas, sem nenhuma saca esperando certificação pelo 12º pregão consecutivo, queda acumulada pela 22º pregão consecutivo, estando 9.112 sacas para atingir o nível mínimo histórico em março de 1.999, sem nenhuma saca esperando certificação pelo 12º pregão consecutivo. Os maiores estoques são: Honduras com 92.317 sacas, Peru 58.982 sacas, Nicarágua com 39.014 sacas, México com 29.925 sacas e o Brasil aprece em 19º lugar com 9.556 sacas.
O volume nesta sexta-feira (24) atingiu 29.310 lotes em Londres, 9.620 lotes a menos que no pregão de quinta-feira (23), quando variou US$ 153/t. O setembro fechou em alta de US$ 49/t (1,32%) a US$ 3.757/t (170,40 cents), variando US$ 111/t, de US$ 3.689/t a US$ 3.800/t.
O spread de setembro/novembro sobe para US$ 19/t ante US$ 9/t do pregão anterior, spread de setembro/janeiro sobe para US$ 57/t ante a US$ 41/t do pregão anterior e spread de novembro/janeiro sobe para US$ 38/t ante a US$ 32/t no pregão anterior. Os estoques de café certificados robusta subiram para 4.254 lotes, a máxima de quatro de meses. A diferença de preço entre NY e Londres sobe para 143,40 cents ante a 141,20 cents do pregão anterior.
O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) referente a 21 de julho mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos diminuíram em 1,75% suas posições líquidas compradas, diminuindo em 1.215 suas posições compradas e 750 suas posições vendidas, neste período a variação de setembro passou de 326,10 cents a 322,10 cents, queda de 4,00 cents. As posições abertas tiveram queda de 3,32%, passando de 228.276 lotes para 20.681 lotes. Nas últimas seis semanas, os grandes fundos diminuíram suas posições vendidas de 44.375 lotes para 20.636 lotes ( 53,5% )
Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras os grandes fundos possuíam 26.034 posições líquidas compradas, sendo 46.670 posições compradas e 20.636 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 14 de julho, eles tinham 26.499 posições liquidas compradas, sendo 47.885 posições líquidas compradas e 21.386 posições vendidas. As empresas comerciais diminuíram em 2,93% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 21, saldo de 27.163 posições líquidas vendidas, sendo 74.771 posições compradas e 102.535 vendidas. No relatório anterior do dia 14, possuíam 27.983 posições líquidas vendidas, sendo 77.857 posições compradas e 105.840 vendidas.
Antes de continuar o artigo, um detalhe, " cacau e café compartilham uma forte correlação no mercado de commodities agrícolas por reagirem de forma parecida a choques climáticos globais, crises de oferta e especulação financeira. Frequentemente, o comportamento de preços de uma dessas amêndoas serve de termômetro ou parâmetro de risco para a outra, em termos macroeconômicos, os fundos de investimento e corretores costumam ajustar posições em bloco nas bolsas internacionais, gerando dias de alta ou queda simultânea. Nesta semana, a performance das duas comodities foram idênticas, mercado registrou recuperação e fechou positivo na sexta-feira, se recuperando parcialmente das quedas mais fortes registradas no meio da semana"
Os contratos futuros de café arábica fecharam em alta, depois de três pregões consecutivo queda quando atingiu o menor nível dos últimos dez pregões nesta quinta-feira, variando 27,15 cents (9,19%), de 308,25 cents (23) a 335,40 cents (21), deixando o sobrevendido na busca de novo suporte depois da perda do importante nível técnico 320,00 cents e média móvel de 20 dias a 312,05 cents. No pregão desta sexta-feira, encontrou o suporte em 307,00 cents, acionando forte stop de compras de investidores, recuperando imediatamente o nível de 310,00 cents, 315,00 cents e ultrapassando 318,40 cents, acionando vendas especulativas tendo reverter todos os ganhos, mas encontrou resistência em 314,00 cents com as novas informações sobre as intensas chuvas nas regiões cafeeira do Brasil
O atraso na colheita, devido ao excesso de chuvas, deixando o mercado com dúvidas que as precipitações deixaram sobre a qualidade da produção foram os responsáveis por alta do preço no mercado nas últimas semanas e tudo indica que estas alta devem continuar devido a continuidade das chuvas nas regiões de café do Brasil das últimas 48 horas surpreendendo a todos o setores, trazendo mais stress em mercado estressado.
Na região de Garça, no oeste de São Paulo, o acumulo de chuva atingiu 90 mm até hoje de manhã, na região da mogiana paulista, as chuvas ultrapassaram 30 mm nesta sexta-feira em vários lugares com chuvas de granizo localizadas. Segundo informações do serviço meteorológico da Cooxupé, ontem a intensidade de chuvas já ultrapassaram 30 mm em várias regiões onde a cooperativa atual ( 47,4 mm Divinolândia, 44,2 mm são José do Rio Pardo ) e deve amentar com a continuidade das chuvas neste sábado, em Ibiá, Cerrado Mineiro, além das chuvas, teve queda de granizo. Estas intensas chuvas, deve intensificar ainda mais as queda de grãos, atrasar ainda mais a colheita de café e comprometer ainda mais a qualidade de café e antecipar a florada dos cafezais em plena colheita, influenciando negativamente na próxima safra. Para piorar ainda mais, alguns serviços meteorológicos estão prevendo. que o mês de agosto deve ser chuvoso.
Durante o intraday do pregão em NY, as informações das chuvas no Brasil, já influenciaram a performance do mercado no spread devido a aversão a risco a escassez de café no curto prazo. A tendência de queda do spread de setembro/dezembro e setembro/março durante esta semana inverteu nesta sexta-feira com o forte aumento mais de 20%, spread setembro/dezembro subiu 21,6%, de 12,95 cents para 15,75 cents, com tendência de mais alta nos próximos pregões, trazendo mais prejuízo para os investidores nas rolagens de posições que começam na terceira semana de agosto, ainda tem 60.754 contratos abertos ( 17,2 milhões de sacas)
Para estressar ainda mais o mercado, aumentando a volatilidade volátil, a janela de rolagem de posições de fundos de índex inicia na primeira semana de agosto com os investidores atentos ao impacto potencial que as posições compradas de fundos especulativos (*managed money*) podem exercer sobre os preços nominais e os *spreads* no curto prazo.
A forte intensa das chuvas destas últimas 48 horas, além de pegar muita gente de "calças curtas", deve mexer ainda mais com vários setores do mercado, provocando forte migração das sacas de café que seriam exportas para o mercado interno devido a queda da qualidade do café. O diferencial de preços entre café de alta e baixo qualidade, que hoje está em torno de R$ 500,00, deve aumentar com a forte redução de café para exportação e café de peneira alta e qualidade deve atingir preços históricos nos próximos meses.
Nesta semana, circularam comentários entre os traders sobre a possível preparação de café arábica brasileiro para certificação, invertendo a tendencia que queda dos estoque que devem chegar a mínima histórica na próxima semana (romper o nível de 300 mil sacas ), mas com a continuidade das chuvas plena colheita provocando a queda da qualidade do café brasileiro, será muito difícil esta preparação. Atualmente, o Brasil menos de 10 mil sacas certificadas, para aumentar estes números, os responsáveis pela bolsa em NY terão que diminuir as exigência do padrão de qualidade.