Exposição de cooperativa analisa viabilidade do canéfora no interior paulista
Em um momento em que produtores rurais buscam novas formas de reduzir riscos, complementar renda e aproveitar melhor as áreas da propriedade, a Coopercitrus apresenta na Coopercitrus Expo 2026 duas frentes de diversificação agrícola com potencial para o interior paulista: o Cacau 4.0, desenvolvido em parceria com a Gencau, e o Programa Canephora SP, realizado em parceria com o Governo do Estado de São Paulo.
As iniciativas serão apresentadas de 27 a 31 de julho, em Bebedouro (SP), dentro da programação da Coopercitrus Expo. A proposta é mostrar como a cooperativa vem avaliando novas culturas em campo, com geração de informação regional, apoio técnico e observação prática das condições de cultivo.
Os projetos interessam especialmente a citricultores impactados pelo avanço do greening e a produtores que buscam alternativas para diversificar renda, reduzir exposição a riscos e planejar melhor o uso da propriedade. “A diversificação precisa ser construída com base técnica. O papel da cooperativa é testar, gerar informação e orientar o produtor para que ele avalie novas culturas com mais segurança”, afirma Matheus Marino, presidente do Conselho de Administração da Coopercitrus.
Durante a feira, os produtores poderão conhecer vitrines tecnológicas, conversar com especialistas e entender quais fatores devem ser considerados antes da entrada em uma nova cultura, como clima, solo, disponibilidade de água, investimento, mão de obra, mercado, manejo e tempo de retorno. A abordagem segue a lógica da própria Coopercitrus Expo: aproximar o produtor de soluções, informações e oportunidades que ajudem na tomada de decisão dentro da propriedade.
O Cacau 4.0 tem como foco a validação agronômica do cacau nas condições do interior paulista. A iniciativa inclui a implantação de uma vitrine tecnológica na Fundação Coopercitrus Credicitrus Coperfam, em Bebedouro, onde serão avaliados materiais genéticos, sistemas de plantio, manejo hídrico e adaptação da cultura. A Coopercitrus e a Gencau estudam diferentes modelos de condução, incluindo cultivo a pleno sol e sistema sombreado. No modelo sombreado, a proposta contempla o uso de banana e plantas auxiliares, além da avaliação de espaçamento, barreiras de vento e irrigação por gotejamento e microaspersão.
A Gencau participa com fornecimento de mudas e suporte técnico relacionado à cadeia produtiva, da implantação à conexão com o processamento industrial. O cacau também pode dialogar com sistemas produtivos de foco ambiental, como modelos agroflorestais e áreas com necessidade de recomposição vegetal, desde que respeitadas as condições técnicas e econômicas de cada propriedade. “Os produtores de São Paulo passam a ter uma alternativa às culturas já existentes, com base técnica e profissionalismo. Ao mesmo tempo, conseguimos desenvolver tecnologias que podem ser levadas para outras regiões produtoras”, diz Adriano Sartori Pedroso, CEO da Gencau.
O café canéfora, também conhecido como conilon ou robusta, é outra frente de diversificação apresentada pela Coopercitrus. O Programa Canephora SP foi lançado pelo Governo do Estado e chegou à cooperativa durante a Coopercitrus Expo 2025, quando foi assinada parceria com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Desde então, técnicos da Coopercitrus, da Fundação Coopercitrus Credicitrus Coperfam e de instituições parceiras conduzem áreas-piloto para avaliar materiais genéticos adaptados às condições do interior paulista.
Na Fundação, o canéfora já está em produção experimental. A cooperativa também trabalha na estruturação de uma vitrine maior, com plots demonstrativos e tecnologias de parceiros, para ampliar a observação da cultura e apoiar futuras recomendações técnicas. “Queremos trazer novas opções aos produtores, principalmente aos citricultores que buscam alternativas diante do avanço do greening”, destaca Marcelo Bassi, consultor da Fundação Coopercitrus Credicitrus Coperfam. A qualidade dos grãos também está em avaliação. Provas de xícara com lotes do Programa Canephora SP já indicam potencial para posicionamento em segmentos de maior valor agregado.
Um dos desafios para o avanço do café canéfora em São Paulo é a disponibilidade de mudas. Hoje, grande parte dos viveiros certificados está concentrada em estados produtores tradicionais. Para reduzir essa dependência, a Coopercitrus e a Fundação Coopercitrus Credicitrus Coperfam avaliam a formação de campos varietais em solo paulista, com foco na produção local de mudas.
A estrutura do programa prevê dias de campo, unidades demonstrativas e capacitação de técnicos e produtores. A intenção é criar uma base técnica regional para apoiar o desenvolvimento da cultura com mais segurança. “Nosso time técnico está mobilizado para dar suporte ao produtor, desde a análise de solo e clima até as recomendações agronômicas e de manejo”, diz Thiago Oliveira, especialista em café da Coopercitrus.
A Coopercitrus reforça que diversificar não significa apenas substituir uma cultura por outra. A entrada em uma nova atividade precisa considerar vocação da área, capacidade de investimento, disponibilidade de água, mão de obra, mercado comprador, assistência técnica e tempo de retorno. Por isso, os projetos chegam à Expo como vitrines de conhecimento e decisão. O objetivo é permitir que o produtor veja, pergunte, compare possibilidades e entenda quais passos devem ser considerados antes de investir. A pauta se conecta à atuação da Fundação Coopercitrus Credicitrus Coperfam, que levará à Expo projetos de nascentes, crédito de carbono, cursos, mudas, novas culturas e diagnóstico ambiental, dentro da linha de sustentabilidade com oportunidade de renda.
O que observar na Expo
Cacau 4.0
parceria entre Coopercitrus e Gencau
vitrine tecnológica na Fundação Coopercitrus Credicitrus Coperfam
avaliação de cacau a pleno sol e sombreado
estudo de espaçamento, irrigação e barreiras de vento
conexão com mudas, manejo e processamento
Programa Canephora SP
parceria com o Governo do Estado de São Paulo
áreas-piloto no interior paulista
canéfora em produção experimental na Fundação
avaliação de materiais genéticos e qualidade dos grãos
estudo para formação de campos varietais e produção local de mudas