Alerta: A caminho, chuva, rolagens do fundos index e vencimento das opções
Por José Roberto Marques da Costa
O volume nesta sexta-feira (31) em NY atingiu 36.936 lotes, 7.396 lotes a menos ante ao pregão de quinta-feira (30) quando teve a variação 16,50 cents. O setembro fechou em alta de 9,05 cents(2,8%) a 332,10 cents, variou 13,20 cents, de 320,90 cents a 334,10 cents, rompendo a primeira resistência do dia em 333,78 cents. O spread entre setembro/dezembro sobe para 17,45 cents ante a 15,35 cents, spread de setembro/março sobe para 26,80 cents ante a 23,45 cents do pregão anterior e spread entre dezembro/março sobe para 8,75 cents ante a 8,10 cents do pregão anterior.
Os estoques de certificados diminuíram 2.025 sacas, para 264.179 sacas, pelo 27º pregão consecutivo atingindo novo menor nível histórico, sem nenhuma saca esperando certificação pelo 17º pregão consecutivo. Na semana a queda foi de 47.138 sacas, média diária de 9.428 sacas, no mês de julho a queda acumulada atinge 113.286 sacas (30%), média diária de 3.654 sacas.
O volume nesta sexta-feira (31) atingiu 20.604 lotes em Londres, 4.757 lotes a mais que no pregão de quinta-feira (30), quando variou US$ 99/t. O setembro fechou em alta de US$ 2/t (0,05%) a US$ 3.782/t (171,55 cents), variando US$ 57/t, de US$ 3.753/t a US$ 3.804/t. O spread de setembro/ novembro cai para US$ 7 ante a US$ 19/t do pregão anterior, spread de setembro/janeiro cai para US$ 38/t ante a US$ 52/t do pregão anterior e spread de novembro/janeiro cai para US$ 31/t ante a US$ 33/t do pregão anterior. Os estoques de certificados estão e 4.148 lotes, maior nível em 4 meses e meio. A diferença de preço entre NY e Londres cai sobe 151,60 cents ante a 151,60 cents do pregão anterior.
O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) referente a 28 de julho mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos aumentaram em 7,22% suas posições líquidas compradas, aumentando em 193 suas posições compradas e diminuindo 1.687 suas posições vendidas, neste período a variação de setembro passou de 332,10 cents a 339,40 cents, alta de 17,30 cents. As posições abertas tiveram alta de 2,11%, passando de 220.681 lotes para 225.341 lotes. Nas últimas sete semanas, os grandes fundos diminuíram suas posições vendidas de 44.375 lotes para 18.949 lotes (57,3%)
Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras os grandes fundos possuíam 27.914 posições líquidas compradas, sendo 46.863 posições compradas e 18.946 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 21 de julho, eles tinham 26.034 posições liquidas compradas, sendo 46.670 posições líquidas compradas e 20.636 posições vendidas. As empresas comerciais aumentaram em 2,93% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 28, saldo de 29.135 posições líquidas vendidas, sendo 73.990 posições compradas e 103.125 vendidas. No relatório anterior do dia 21, possuíam 27.163 posições líquidas vendidas, sendo 74.771 posições compradas e 102.535 vendidas.
Em pregão de baixo volume de negócios nesta sexta-feira ante a média de diária semanal de 43.778 lotes, os contratos futuros de café arábica em setembro fechou em alta, na semana variando 40,25 cents, de 306,40 cents a 346,65 cents, acumulando alta de 18,30 cents (4,17%), com spread setembro/dezembro variando de 12,95 cents a 22,15 cents e fechando na média semanal de 17,45 cents, Em julho, variou 56,90 cents, de 293,10 cents a 350,00 cents, acumulando alta 35,65 cents (12%).
Durante toda a semana, o setembro teve enorme volatilidade, operando dentro da forte resistência entre 320,00 cents a 322 cents, onde era acionado stop de compras e acompanhando a maré compras, os especuladores de plantão até o forte suporte entre 338 cents a 340 cents onde era acionado stop de vendas, iniciando realização de lucro de especuladores de plantão, com investidores evitando se descolar do nível de 337,50 cents, onde o gráfico técnico indicava a possível entrar em canal de alta na busca de 357,00 cents e 375,00 cents, com intervalo spread setembro/dezembro oscilando entre de 13 cents a 22 cents e tudo indica que deverá ficar neste intervalo nos próximos pregões.
Com relação ao mercado de conilon, Na semana acumula alta de US$ 74/t e no mês de julho de US$ 124/t (3,39%), o spread setembro/novembro se manteve baixo, fechando com apenas US$ 7, menor nível dos últimos meses, sem problema da escassez de café no curto e médio prazo, com o mercado não acreditando na queda da safra de conilon do Brasil e os diferenciais ante ao arábica que estava em 100 cents a meses atrás, aumento para 160 cents nesta semana e com tendencia de ampliar ainda mais.
Nesta semana, os participantes do mercado do café arábica estão aproveitando o spread baixa durante a semana para rolarem suas posições gerando menos prejuízo. Na quarta-feira, dezembro estava com 60.142 contratos abertos e setembro com 57.105 cents e ontem dezembro caiu para 54.648 lotes e dezembro subiu pra 62.455 lotes
Esta onda de sobe e desce reflete o começo antecipado da "grande briga" das rolagens de fundos index que promete ser intensa, com inicio da janela de cinco pregões, começando no quinto dia útil de agosto, rolando os 58.278 lotes em aberto ( números do último relatório dos traders desta semana), sendo 20% da posição a cada dia útil do período.
O mês de agosto promete muita surpresa no mercado de café, além da terceira onda de chuva que devem retornar das regiões de café em plena colheita no próximo final de semana, a abertura da janela das rolagens do fundos index, na segunda semana, tem o vencimento das opções de setembro (14) e na terceira semana inicia de rolagens posições (21).
Nas últimas análises e artigos sempre abordo a rolagem fundos index que deve provocar intensas oscilações, segundo a Inteligência Artificial (IA), "a briga das rolagens de contratos dos fundos indexados de café na ICE Futures US tende a ser marcada por alta volatilidade técnica, pressão nos diferenciais e disputa acirrada entre grandes especuladores e operadores comerciais. Esse movimento ocorre durante a transição de vencimentos, como a passagem do contrato de setembro para dezembro, intensificando-se quando há estoques certificados apertados e colheita brasileira afetada por umidade ou atrasos.
Os Grandes fundos financeiros precisam liquidar o mês de vencimento mais próximo e comprar o mês seguinte para manter suas alocações nos índices de commodities. Esse processo gera oscilações bruscas e correções técnicas repentinas, uma vez que o volume financeiro pesado dos hedge funds distorce temporariamente a liquidez entre as safras. A diferença de preço (spread) entre os contratos de curto e longo prazo (como setembro cotado perto de 332,10 cents e dezembro ao redor de 314,65 cents) reflete o custo de carrego e a ansiedade com a oferta imediata do arábica".
Segundo Humberto Carvalhães, "à medida que os trabalhos de colheita da nova safra brasileira avançam, cresce a percepção que ela ficará abaixo das altas projeções de alguns analistas e com volume menor de lotes de qualidade, devido às chuvas que caíram em junho e início de julho sobre as principais regiões produtoras do país. Essas chuvas derrubaram um bom volume de frutos maduros, além de pegar dos terreiros cheios com muito café em início do processo de secagem".
Devido as duas ondas de chuvas durante a colheita e uma terceira para o final de semana, além do atraso, da queda dos grãos, sendo uma das piores safras das últimas décadas com relação a qualidade dos grãos. Além da queda na renda, depois do beneficiamento, a especulação no mercado está no volume de café que está sendo perdido, os vendedores e muitos analistas avaliam em 2 milhões de sacas e os produtores em 8 milhões de sacas, média de 5 milhões de sacas, reduzindo a safra de café arábica brasileira para 45,0 a 39,5 milhões de sacas segundo estimativa a USDA, ou para 43,8 a 37,8 milhões de sacas, segundo a Conab. Segundo esperte de mercado "o mercado é sobrado" e já deve saber qual foi a quantidade das perdas em volume; Segundo a avaliação é do Itaú BBA, o excesso de chuvas em junho atrasou a colheita, a secagem e o beneficiamento dos grãos, retardando a entrada do café novo no mercado. Além disso, as precipitações provocaram queda de frutos em importantes regiões produtoras de arábica, como Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Mogiana, aumentando as preocupações com a qualidade da safra.
Esse cenário levou o mercado a rever a expectativa de uma rápida recomposição da oferta. Com estoques ainda apertados e produtores mais cautelosos nas vendas, as cotações ganharam força. O mercado continuará acompanhando de perto o ritmo da colheita, a entrada do café novo e, principalmente, os resultados das avaliações de qualidade. Outro fator de atenção é a possibilidade de um El Niño mais intenso no segundo semestre, que pode comprometer o desenvolvimento da safra 2027/28 e manter a volatilidade dos preços.
Segundo as projeções do agrometeorologista Marco Antônio dos Santod, o próximo ciclo será marcado por um El Niño de elevada intensidade, figurando entre os eventos mais expressivos já registrados. A previsão aponta para temperaturas bastante elevadas ao longo do fim do inverno, primavera e verão. Embora o calor deva ser uma constante, o comportamento das chuvas tende a variar conforme a região: Sul e Sudoeste de Minas Gerais e Média Mogiana: a tendência é de precipitações relativamente regulares, favorecendo a manutenção do ritmo no campo. Cerrado Mineiro: apresenta maior vulnerabilidade, com risco de períodos de estiagem no final da primavera e durante o verão. Outro ponto de atenção ressaltado pelo especialista é a probabilidade de novas floradas fracionadas, impulsionadas pela combinação de inverno mais úmido com a chegada de chuvas na primavera.
A informação que surpreendeu o mercado nesta semana, veio da CEO da illycaffè, Cristina Scocchia, que chamou a atenção em um momento em que a indústria global do café continua pressionada pela escalada dos custos da matéria-prima. Mesmo diante de um café verde cerca de 20% mais caro do que no mesmo período do ano passado, a companhia italiana ampliou receita, elevou a rentabilidade e acelerou investimentos para sustentar sua expansão internacional.
No primeiro semestre de 2026, a illycaffè registrou receita consolidada de € 373 milhões (R$ 2,2 bilhões, na cotação atual), crescimento de 19% a câmbio constante e de 17% a câmbio corrente na comparação com igual período de 2025. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo avanço dos volumes vendidos nos principais mercados da empresa, especialmente Itália e Estados Unidos.
A expansão também apareceu na geração de caixa. O EBITDA alcançou € 53 milhões (R$ 310,5 milhões), alta de 10% sobre o primeiro semestre do ano passado. O resultado foi obtido mesmo em um ambiente de forte pressão sobre os custos de produção, consequência da manutenção dos preços elevados do café verde, que permaneceram aproximadamente 20% acima dos registrados em 2025.
Para Cristina Scocchia, o desempenho demonstra a capacidade da empresa de manter crescimento orgânico mesmo em um ambiente considerado desafiador para toda a indústria cafeeira. O semestre também marcou uma etapa importante do plano de expansão industrial da companhia, com o início das operações da nova planta de torrefação em Trieste, projeto voltado à duplicação da capacidade produtiva do grupo.