A caminho, mais rolagens dos fundos index e vencimento das opções
Por José Roberto Marques da Costa
O volume nesta sexta-feira (07) em NY atingiu 52.875 lotes, 18.863 lotes a mais ante ao pregão de quinta-feira (07) quando teve a variação 12,10 cents. O setembro fechou em alta de 13,90 cents(4,32%) a 335,55 cents, variou 18,85 cents, de 322,15 cents a 342,00 cents.
O spread entre setembro/dezembro sobe 26,4%, para 19,65 cents ante a 15,55 cents, spread de setembro/março sobe 21,97%, para 29,70 cents ante a 24,35 cents do pregão anterior e spread entre dezembro/março sobe 14,20%, para 8,80 cents ante a 8,80 cents do pregão anterior. Os estoques de certificados diminuíram 4.725 sacas, para 244.172 sacas, queda pelo 32º pregão consecutivo atingindo novo menor nível histórico, esperando certificação 3.240 sacas.
O volume nesta sexta-feira (07) atingiu 219.234 lotes em Londres, 9.433 lotes a menos que no pregão de quinta-feira (06), quando variou US$ 117/t. O setembro fechou em queda de US$ 11/t (0,29%) a US$ 3.787/t (171,75 cents), variando US$ 89/t, de US$ 3.761/t a US$ 3.850/t.
O spread de setembro/novembro sobe para US$ 20 ante a US$ 11/t do pregão anterior, spread de setembro/janeiro sobe para US$ 43/t ante a US$ 31/t do pregão anteiro e spread de novembro/janeiro sobe para US$ 23/t ante a US$ 20/t do pregão anterior. Os estoques de certificados caíram para 4.206 lotes, no maior nível dos últimos 120 dias. A diferença de preço entre NY e Londres sobe para 163,80 cents ante a 149,35 cents do pregão anterior.
O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) referente a 04 de agosto mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos diminuíram em 6,8% suas posições líquidas compradas, diminuindo em 1.186 suas posições compradas e aumentando em 717 suas posições vendidas, neste período a variação de setembro passou de 339,40 cents a 324,10 cents, queda de 15,30 cents. As posições abertas tiveram alta de 0,78%, passando de 225.341 lotes para 227.092 lotes. O relatório mostra, diante de uma queda de 4,5% no período, os comerciais diminuíram suas posições líquidas vendidas.
Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras os grandes fundos possuíam 26.014 posições líquidas compradas, sendo 45.677 posições compradas e 19.663 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 28 de julho, eles tinham 27.914 posições liquidas compradas, sendo 46.863 posições líquidas compradas e 18.946 posições vendidas. As empresas comerciais diminuíram em 4,1% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 04, saldo de 27.936 posições líquidas vendidas, sendo 76.093 posições compradas e 104.029 vendidas. No relatório anterior do dia 28, possuíam 29.135 posições líquidas vendidas, sendo 73.990 posições compradas e 103.125 vendidas.
O relatório dos traders referente ao fundo Index no dia 04 de agostos. os não comerciais estavam com 35.242 lotes comprados e 12.748 vendidos e comerciais com 11.673 comprados e 36.300 vendidas, tendo 52.176 lotes em aberto.
Antes da abertura do pregão desta sexta-feira, a expectativa do mercado estava concentrada na performance dos contratos de café arábica no primeiro dia da janela das rolagens do fundos index que começou nesta sexta-feira com a rolagem de 20% dos contratos abertos do fundos index, que pelo relatório dos traders referente ao dia 04 de agosto estavam com 52.176 lotes em abertos, ( não comerciais com 35.243 lotes comprados e 12.748 vendidos e comercias com 11.673 lotes comprados e 36.300 lotes vendidos ). Tendo como base nestes números, foram rolados nesta sexta-feira 10.435 lotes, que provocou uma alta 4,23% em setembro e 2,2% em dezembro, ampliando o spread setembro/dezembro em 26,4% (19,65 cents), Durante o intraday o spread variou de 16,30 cents a 22,30 cents no auge das rolagens e fechando a 19,85 cents.
Faltando ainda 41.812 lotes para serem relados de segunda-feira até quinta-feira, sendo 20% em cada pregão, se não tiver nenhuma influencia externa ao mercado, tudo indica que altas devem continuar, com os investidores continuando a concentrar suas compras no setembro, aumentando o volume de negócios, gerando grande volatilidade diárias, com objetivo somente financeiro (lucro), quanto maior o diferencial, maior será o lucro nas rolagens.
Caso o aumento extrapolar certo nível, não está descartado, a interferência novamente gestores da bolsa de NY, aumentado suas margens de risco, que atualmente está acima de US$ 21 mil por contrato, podendo estopar muitos investidores. Para deixar o mercado ainda mais estressado, na sexta-feira vence as opções de setembro.
Antecipar este provável aumentos nos preços dos contratos de setembro em NY se torna um mera "especulação", mas com praticamente o mesmo fundamentos de mercado, em agosto de 2025, os contratos registraram uma forte disparada de preços durante o período de rolagem de posições com alta de 13,94%.
Entenda a dinâmica do mercado durante a janela da rolagem dos fundos indexados
Segundo a Inteligência Artificial (IA ), as rolagem dos fundos indexados (index fund roll) para os contratos futuros de café arábica na bolsa de NY, tende a ser marcada por volatilidade moderada e forte pressão nos spreads entre setembro e dezembro de 2026, com o mercado monitorando todas as informações e o fluxo de saída de liquidez do contrato de setembro para o de dezembro.
Antes de entrar na janela, o contrato futuro de Setembro/26 está operando com preços superiores aos de Dezembro/26, na quinta-feira estava 321,65 cents contra 306,10 cents, diferencial de 15,55 cents, nesta sexta-feira passou de 335,55 cents contra 315,90 cents, diferencial de 19,65 cents
Como os fundos operam comprados (long), a rolagem mecânica força a venda do contrato mais caro (Setembro) para a compra do contrato mais barato (Dezembro). Esse cenário de preço gera um roll yield positivo para os fundos de índice, permitindo que eles comprem mais contratos ou realizem lucros contábeis na transição.
A volatilidade se concentrará no diferencial de preço (spread) entre os meses, com distorções intradiárias nas cotações à medida que as ordens em lote dos algoritmos institucionais entram na tela. Os volumes de negociação migrarão agressivamente para Dezembro/26, que passará a consolidar-se como o novo contrato com maior liquidez e interesse em aberto (Open Interest) no mercado.
A rolagem ocorre sob um pano de fundo fundamentalista volátil. O mercado monitora os estoques de certificados, estoques dos maiores consumidores mundiais, o clima no Brasil (atraso da colheita, queda exagerada de grãos no chão e receios sobre a qualidade do grão) e os riscos remanescentes do El Niño. Isso significa que qualquer oscilação técnica provocada pelos fundos pode ser amplificada por notícias de clima.
Segundo Humberto Carvalhães, as chuvas atípicas de junho e julho, registradas nas principais regiões produtoras de café no Brasil, prejudicaram a qualidade de nossa nova safra de café e atrasaram sua colheita. Além disso, os primeiros números que chegam ao mercado, não confirmam as mais altas estimativas de produção de alguns operadores de mercado. Esse cenário, mais os baixos estoques mundiais e a chegada de um novo “El Niño”, dão sustentação às cotações do café nesta entrada no mercado da safra brasileira 2026/2027.
" O mercado físico brasileiro de arábica continua bastante procurado, com muito interesse comprador para todos os padrões de café. Nesta semana, as fortes oscilações diárias nos contratos de arábica na ICE americana continuaram dificultando o fechamento de um número maior de negócios no mercado físico. Um grande número de produtores recusa as bases de preço oferecidas pelos compradores. Adiam vendas, aguardando um quadro mais claro do cenário para os próximos meses. Vendem apenas o necessário para cumprir os compromissos mais próximos" acrescentou ele.
Segundo Fernando Maximiliano, analista da StoneX, a baixa dos estoques certificados de café em Nova York é o principal vetor de alta para as cotações. Atualmente, estão armazenados na bolsa americana 244 mil sacas. Um ano antes, esse volume era de 750 mil. “Hoje o café que está recebendo certificação está vindo de Honduras, pois a Colômbia teve problemas na produção, e o Brasil enfrenta atrasos na colheita. E mesmo que o grão brasileiro tivesse disponível, hoje não compensa financeiramente para os produtores prepararem o produto para certificação. Também há fatores secundários direcionando a valorização do café, como as preocupações com os impactos do El Niño, e também a postura retraída dos produtores nas negociações. O mercado deve seguir ‘estressado’ por causa dessa disponibilidade menor no curto prazo.