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Clima é a principal ameaça ao mercado global de café


Por José Roberto Marques da Costa  

Alerta aos produtores: Met Office, serviço meteorológico nacional do Reino Unido, afirmou em suas previsões de ontem, apontam para o maior El Niño da memória viva e “provavelmente” o maior evento do tipo desde o século XIX, que deve afetar  negativamente a produtividade do café da próxima safra.

Sem a pressão das rolagens de posições do setembro, volume nesta sexta-feira (22) em NY atingiu 26.490 lotes o menor dos últimos meses, cerca de 18.934 lotes a menos ante ao pregão de quinta-feira (20) quando teve a variação 14,90 cents. O setembro fechou em alta de 4,85 cents(1,33%) a 358,75 cents, variou 11,35 cents, menor das últimas semanas, de 358,75 cents a 370,10 cents, maior nível desde 07/07/206. O spread entre setembro/dezembro sobe para 361,10 cents ante a 34,20 cents, durante o intraday ultrapassou 40,00 cents, spread de setembro/março sobe para 49,00 cents ante a 48,10 cents do pregão anterior e spread entre dezembro/março cai para 13,90 cents ante a 13,80 cents do pregão anterior. Na semana, setembro teve alta de 20,65 centds, com spread setembro/dezembro a 23,80 cents e termina com 36,10 cents.

Os estoques de certificados diminuíram 386 sacas, para 227.992 sacas, esperando certificação 1.920 sacas. Durante a semana caiu 3.453 sacas e na quinta-feira foram reprovadas 2.930 sacas do Brasil e aprovada 1.600 sacas ( 960 do Brasil e 640 de Burundi) e nas últimas três semanas foram reprovadas 4.630 sacas de café brasileiro.

O volume nesta sexta-feira (21) atingiu 22.104 lotes em Londres, 4.780 lotes a menos que no pregão de quinta-feira (19), quando variou US$ 82/t. O setembro fechou em queda de US$ 104/t (2,80%) a US$ 3.598/t (163,30 cents), variando US$ 137/t, de US$ 3.587/t a US$ 3.724/t.

O spread de setembro/novembro fica positivo e estável em US$ 20/t, spread de setembro/janeiro cai para US$ 2/t ante a US$ 3/t do pregão anterior e spread de novembro/janeiro cai para US$ 18/t ante a US$ 27/t do pregão anterior. A diferença de preço entre NY e Londres sobe para 1995,50 cents ante a 190,85 cents do pregão anterior. Durante a semana, diferencial entre NY e Londres sobe 13,30%, de 172,55 cents para 195,50 cents

O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) referente a 18 de agosto, neste período a variação de setembro passou de 335,75 cents a 363,40 cents, alta de 27,65 cents, mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos aumentaram em 12,86% suas posições líquidas compradas, aumentando em 2.853 suas posições compradas e diminuindo em 567 suas posições vendidas. As posições abertas tiveram queda de 13,6%, passando de 234.079 lotes para 202.264 lotes.

Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras os grandes fundos possuíam 30.706 posições líquidas compradas, sendo 48.621 posições compradas e  17.915 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 11 de agosto, eles tinham 27.206 posições liquidas compradas, sendo 45.768 posições líquidas compradas e 18.482 posições vendidas. As empresas comerciais aumentaram em 11,25% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 11, saldo de 33.026 posições líquidas vendidas, sendo 71.451 posições compradas e 104.477 vendidas. No relatório anterior do dia 11, possuíam 29.359 posições líquidas vendidas, sendo 81.924 posições compradas e 111.283 vendidas.

Os contratos futuros de café arábica e cacau estão, e devem continuar em "território meme stock" durante o El Níño. A expressão descreve um mercado de extrema volatilidade devido a forte estres nos principais fundamentos ( oferta e demanda), estoques nos países consumidores e certificados na bolsa de NY, nos menores níveis da historia, safra deste ano bem abaixo do esperado nos dois maiores produtores de café arábica ( Brasil e Colômbia), acompanhando de um forte El Niño ( Met Office, serviço meteorológico nacional do Reino Unido, afirmou que suas previsões apontam para o maior El Niño da memória viva e “provavelmente” o maior evento do tipo desde o século XIX) que deverá interferir negativamente na produtividade da próxima safra dos principais produtores mundiais.

Diante de um quadro climático problemático, o café se comporta como um ativo financeiro, com os investidores, especuladores aproveitando no máximo esta estrema fragilidade com a continuidade desta volatilidade no curto médio e longo prazo. Nesta semana, volatilidade média diária de setembro atinge 15,15 cents (14,90 cents na segunda, 14,20 cents na terça, 19,30 cents na quarta, 15,90 cents quinta e 11,35 na sexta-feira). O spread, que começou a semana em 23,80 cents, fechou hoje em 36,10 cents. Com início das rolagensde posições nesta sexta-feira(21), no pregão de quinta-feira, setembro tinha apenas 710 contratos em aberto, dezembro 90.779 lotes e março 36.997 lotes

Nesta quinta-feira, a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia, divulgou a produção de 1,06 milhões de sacas (-23%) e exportação de 992 mil sacas (-15% ) em julho, acumulando queda de 12% de janeiro a julho a 6,63 milhões de sacas, com exportações recuando 18%, para 6,22 milhões de sacas.

A FNC também divulgou os gravíssimos danos causando pelo terremoto. Os dados do estragos são impressionante que deve provocar uma redução na produção e exportações da Colômbia no curto e médio. Até o fechamento das últimas horas (relatório incompleto), a FNC conseguiu contatar 10.460 cafeicultores em seis estados, Desse grupo, 8.070 relataram danos em suas casas, 709 relataram danos totais e 6.902 relataram danos parciais. O terremoto também danificou 4.713 fábricas de processamento de café, segundo o relatório parcial fornecido pela entidade, 707 dessas estruturas sofreram danos totais, enquanto 3.740 sofreram danos parciais, perda na infraestrutura compromete o beneficiamentos dos grãos para as próximas safras.

Para acalmar o mercado estressado do café, nesta quinta-feira a tarde, depois de divulgado o relatório parcial dos estragos, Germán Bahamón, chefe da FNC, disse à Reuters, " que a  colheita de café da não foi afetada pelo terremoto e que as exportações pelo porto de Buenaventura seguem normalmente. A produção em si não foi afetada pelo terremoto. Muito provavelmente, a produção será afetada pelo fenômeno El Niño".

Bahamón descreveu a situação como uma "emergência colateral". Embora o líder do setor cafeeiro tenha descrito o impacto do forte terremoto nas famílias produtoras de café como um "desastre", ele garantiu que a associação lideraria um plano de reconstrução em parceria com o governo, juntamente com um programa de assistência que envolve a compra de café em cereja — ou seja, o café recém-colhido que ainda não passou pelos processos de lavagem ou secagem.

"O que precisamos fazer é reconstruir vidas e, naturalmente, oferecer esperança aos cafeicultores após esse desastre natural", afirmou.

Em entrevista a CNN, o presidente da NCA, Bill Murray. disse que o futuro do grão e do comércio do café diante de pressões geopolíticas, climáticas e econômicas. Agora, o setor cafeeiro global deverá passar por uma das maiores ameaças: os efeitos climáticos causados pelo El Niño. O presidente da NCA (National Coffee Association), entidade que representa a indústria cafeeira dos Estados Unidos, disse que o clima é a maior preocupação da cadeia cafeeira, desde o plantio até à xícara do consumidor.

Nesta semanas algumas agências de notícias voltaram a divulgar notícias "requentadas" (quando é repetitivas várias vezes) com números acima de 75 milhões de sacas, sobre a safra de café para tentar reverter a performance dos contratos futuros de café em NY nesta etapa final da colheita. Pelas últimas informações, que além da perda da qualidade dos grãos já petrificada, a queda em volume vai ser expressiva, tudo indica que deve dever ser mais uma vez "uma safra surpresa" em torno de 62 milhões de sacas.      

Os números das exportações brasileira de café começam a refletir esta queda, pelas projeção dos embarques diários da Cecafé indicam exportações de 2,683 milhões de sacas em agosto, queda de 12% ante a julho. Segundo dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), até dia 21 de agosto, os embarques brasileiros do mês totalizaram 1.657.148 sacas, queda de 3,5% (média diária de 78.912 sacas), sendo 1.019.310 sacas de café arábica, 483.037 sacas de café conillon, e 154.721 de café solúvel. Os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque de agosto totalizavam 1.7770373 sacas, queda de 17,5%, sendo 1.065.825 sacas de arábica, 491.045 sacas de conillon e 209.503 sacas de solúvel.

Robusta sob pressão devido aos estoques de certificados

Segundo analistas vietnamitas, a divergência atual indica que o mercado de café não está mais se movendo em uma única direção. O Arábica está recebendo mais suporte devido aos baixos estoques de certificados e às preocupações com o abastecimento, enquanto o Robusta está sob pressão devido ao aumento dos estoques.

Para o Vietnã, as oscilações de preço do Robusta na bolsa de Londres são particularmente importantes, pois o Robusta representa uma grande parcela da produção e das exportações de café do país. Se os estoques na bolsa ICE continuarem a aumentar e a oferta dos principais países produtores melhorar, os preços do Robusta poderão continuar sob pressão no curto prazo. Por outro lado, condições climáticas desfavoráveis ​​ou sinais de redução da oferta podem rapidamente dar suporte ao mercado.

Os estoques de Robusta certificados pela ICE continuam a aumentar, atingindo seu nível mais alto em aproximadamente 5,25 meses. O aumento da oferta nos armazéns certificados pelas bolsas de valores está exercendo uma pressão significativa sobre os preços, especialmente devido à falta de um mercado com forte dinamismo para absorver esse volume.

A oferta interna no Vietnã está diminuindo gradualmente à medida que a temporada de colheita se aproxima do fim. Apesar do aumento da pressão de exportação de alguns países da América do Sul, a oferta real disponível para o comércio interno é limitada, o que proporciona uma base sólida para preços acima de 96.000 VND/kg. No curto prazo, os preços do café no mercado interno provavelmente continuarão sua tendência de alta ou permanecerão em patamares elevados, visando recuperar a marca de 100.000 VND/kg ( R$ 1.140,00 ). Os estoques mantidos por agricultores e empresas estão atualmente baixos, enquanto a colheita da nova safra ainda está a vários meses de distância. Portanto, a escassez de oferta será um fator crucial para manter a tendência de alta nos preços do café no mercado interno e evitar quedas significativas nas próximas sessões.

Ótimo final de semana 

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Contrato Cotação Variação
Setembro 358,75 - 4,85
Dezembro 322,65 - 6,65
Março 311,50 - 5,75
Contrato Cotação Variação
Setembro 3.598 - 104
Novembro 3.618 - 108
Janeiro 3.600 - 99
Contrato Cotação Variação
Setembro 418,50 - 2,05
Dezembro 398,60 - 6,75
Março 391,30 - 6,65
Contrato Cotação Variação
DXY 98,77 - 0,05
Dólar 5,1440 - 0,93
Euro 5,0080 - 0,93
Ptax 5,1625 - 0,46
  • Varginha
    Descrição Valor
    Certificado 20% R$ 1970,00
    Safra 25/26 20% R$ 1940,00
    Peneira14/15/16 R$ 2040,00
    Duro/riado/rio R$ 1650,00
  • Três Pontas
    Descrição Valor
    Safra 25/26 18% R$ 1950,00
    Certificado 15% R$ 1980,00
    Miúdo 14/15/16 R$ 1700,00
    Duro/riado/rio R$ 1670,00
  • Franca
    Descrição Valor
    Moka R$ 1780,00
    Duro/Riado 15% R$ 1680,00
    Cereja 20% R$ 2000,00
    Safra 25/26 15% R$ 1960,00
  • Patrocínio
    Descrição Valor
    Rio com 20% R$ 1500,00
    Safra 25/26 15% R$ 1960,00
    Safra 25/26 30% R$ 1930,00
    Peneira 17/18 R$ 2100,00
  • Garça
    Descrição Valor
    Duro/Riado 15% R$ 1570,00
    Escolha kg/apro R$ 15,00
    Safra 25/26 20% R$ 1940,00
    Safra 25/26 30% R$ 1910,00
  • Guaxupé
    Descrição Valor
    600 defeitos R$ 1750,00
    Safra 25/26 15% R$ 1960,00
    Safra 25/26 25% R$ 1940,00
    Duro/riado 20% R$ 1670,00
  • Indicadores
    Descrição Valor
    Cepea Arábica R$ 1803,76
    Cepea Conilon R$ 1051,93
    Conilon/Vietnã R$ 1087,00
    Agnocafé 25/26 R$ 1960,00
  • Linhares
    Descrição Valor
    Conilon T. 6 R$ 1100,00
    Conilon T. 7 R$ 1090,00
    Conilon T. 7/8 R$ 1080,00