A "ficha" da queda significativa já caiu entre os produtores
Por José Roberto Marques da Costa
O mercado interno passa por momento raro, talvez inédito; quem está fixando o preço da saca de café é o vendedor e não o comprador. "Tática" deve prevalecer nos próximos meses
O volume nesta sexta-feira (04) em Nova Iorque atingiu 25.383 lotes, 3.253 lotes a menos ante ao pregão de quinta-feira (03) quando teve a variação 10,25 cents. O dezembro fechou em alta de 0,25 cents(0,08%) a 295,60 cents, variou 8,10 cents, menor volatilidade da semana, de 292,40 cents a 300,85 cents, rompendo a primeira resistência do dia em 300,32 cents. Na semana a volatilidade atingiu 27,40 cents de 289,75 cents (03) a 317,15 cents (31), acumulando perda de 17,25 cents e nesta sexta-feira foi a primeira vez que rompeu uma resistência do dia.
O spread entre dezembro/março cai para 8,20 cents ante a 10,30 cents, spread de dezembro/maio cai para 10,55 cents ante a 13,300 cents do pregão anterior e spread entre março/maio cai para 2,35 cents ante a 3,00 cents do pregão anterior. Os estoques de certificados ficaram estáveis em 223.712 sacas, na semana a queda foi de 264 sacas, e esperando certificação 3.205 sacas
O volume nesta sexta-feira (04) atingiu 20.563 lotes em Londres, 1.756 lotes a menos que no pregão de quinta-feira (03), quando variou US$ 112/t. O novembro fechou em alta de US$ 356/t (1,65%) a US$ 3.430/t (155,60 cents), variando US$ 116/t, de US$ 3.348/t a US$ 3.464/t, rompendo a primeira resistência do dia em US$ 3.434/t. Na semana, a volatilidade atingiu US$ 237/t, de US$ 3.562/t (2) a US$ 3.562/t (1) e acumula queda de US$ 99/t e também nesta sexta-feira foi a primeira vez da semana que rompe uma resistência do dia.
O spread novembro/janeiro sobe para US$ 15/t ante a US$ 14/t no pregão anterior, spread de novembro/março fica estável em US$ 34/t, e spread de janeiro/março cai para US$ 19/t ante a US$ 20/t do pregão anterior. Os estoques de certificado de robusta estão em 5.004 lotes, o nível mais alto em 9,25 meses. A diferença de preço entre NY e Londres cai para 140,00 cents ante a 143,45 cents do pregão anterior.
O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) divulgado nesta sexta-feira (01) referente a 01 de setembro mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos diminuíram suas posições líquidas compradas em 22,5%, diminuído em 2.881 lotes suas posições compradas e aumentando em 4.042 lotes suas posições vendidas, neste período a variação de dezembro passou de 335,50 cents a 309,45 cents, queda de 26,05 cents. As posições abertas tiveram queda de 1,45%, passando de 203.830 lotes para 200.891 lotes.
Para uma queda no período de 7,76% dos contratos futuros do arábica em NY foi normal a retração de 22,5% nas posições líquidas compradas dos grandes fundos, mas anormal, foi a baixa de 21,9% das posições líquidas vendidas pelos comerciais. Em tempos normais de mercado, eles teriam de aumentar suas posições líquidas vendidas em mais de 20%.
Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras os grandes fundos possuíam 23.823 posições líquidas compradas, sendo 45.624 posições compradas e 21.801 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 25 de agosto, eles tinham 30.746 posições liquidas compradas, sendo 48.508 posições líquidas compradas e 17.759 posições vendidas. As empresas comerciais diminuíram 21,9% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 01, saldo de 26.069 posições líquidas vendidas, sendo 74.060 posições compradas e 100.129 vendidas. No relatório anterior do dia 25, possuíam 33.387 posições líquidas vendidas, sendo 70.631 posições compradas e 104.502 vendidas.
Segundo o gráfico técnico da Economies.com, o preço do café continuou formando ondas corretivas de baixa, afetado pela formação de uma forte barreira no nível de 338,00 cents contra sua negociação anterior, com queda estocástica em direção ao nível de sobrevenda, sofrendo algumas perdas ao atingir 295,00 cents e se aproximando do nível de suporte em 283,00 cents.
O cenário sugerido para o curto e médio prazo depende da força do suporte atual. A estabilidade acima desse suporte permitirá que o preço ganhe impulso positivo e comece a visar possíveis níveis de alta, com uma valorização em direção a 312,00 cents e possivelmente a 328,00 cents. Por outro lado, a quebra do suporte e a permanência abaixo dele forçarão o preço a sofrer mais perdas, podendo-se esperar a formação de um nível inicial de baixa em 271,00 cents.
Os contratos futuros de café arábica fecharam em alta pela primeira vez nos últimos oito pregões, acumulando queda 39,90 cents (11,9%), comparando com a máxima do dia 25 de agosto em 345,95 cents a mínima de quinta-feira em 289,75 cents, a perda atingiu 56,20 cents.
As perdas de 16,25% até quinta-feira, deixou o mercado com todos os indicadores técnicos carregados no nível extremamente sobrevendido, começando a interferir na performe quando rompeu o nível 290,00 cents nesta quinta-feira. Abaixo deste nível, os investidores que ainda navegam da performance "mene stoch" não encontraram tomadores para levar ao nível do objetivo de 285,00 cents, resolveram inverter de mão, entrando na ponta compradora levando a fechar no nível acima de 295 cents.
O pregão desta sexta-feira, na véspera de feriado prologando, na segunda-feira nos EUA, já que se comemora no país o Dia do Trabalho (Labor Day), a "briga" entre os investidores em torno no nível 297,00 cents, que é o novo divisor tecnicamente "de água", foi intensa durante todo pregão, inclusive no after hours. O sinal positivo de uma possível recuperação, foi que intraday, dezembro rompeu a média móvel de 20 dias acima de 298 cents e pela primeira vez, depois de oito pregão ultrapassou a primeira resistência do dia em 300,32 cents, na parte final ficou oscilando entre 296,00 a 300,00 cents, nos últimos minutos, pressão vendedora intensificou no dezembro e não nos outros meses, para fechar abaixo de 297,00 cents, fazendo que o spread dezembro/ março que começou o dia em 10,30 cents terminasse em 8,20 cents, levando a fechar com leve alta de 0,25 cents. Com o mercado esperando novas informações neste final de semana prologado no Brasil e EUA, esta "briga" deve continuar na próxima semana.
Com o final da colheita debaixo de chuvas em várias regiões produtoras de café, a grande incógnita do mercado, de quanto será a perda em volume de produção depois desta colheita chuvosa, a perdas da qualidade já está petrificada, alias, aumento ainda mais depois deste chuva desta semana e da próxima. A perda em volume será bem significativa, tendo como base a estimada em um recorde de 66,7 milhões de sacas, uma perda considerada mínima de 10%, representa 6,67 milhões de sacas, que representa, safra de 60 milhões de sacas. No setor da produção, muitos produtores estão estimando em perda de 15% a 20%.
Nas últimas semanas, a mídia está sendo bombardeada por fontes ligadas aos investidores comerciais (vendidos no mercado) com produções de café "superestimadas", acima de 75 milhões de sacas de café. Eles estão usando o que analistas políticos definem como "tática de Donald Trump", estratégia que consiste em atacar ferozmente e desviar o foco da verdadeira produção.
Durante os meses da problemática da colheita, a "ficha" referente à queda significativa começou a cair entre os produtores brasileiros que estão capitalizados. Diante desse novo cenário, eles resolveram mudar de "tática", ficando na defensiva, vendendo somente o café suficiente para as despesas no curto prazo, na espera de melhores preços nos próximos mês. Essa mudança de tática está criando um momento raro, talvez inédito, no mercado de café: hoje quem está fixando o preço da saca de café é o vendedor e não o comprador, deixando muitos vendedores e corretores estressados. Tudo indica que esta "tática" deve prevalecer nos próximos meses
Segundo Eduardo Carvalhaes, o mercado físico brasileiro de arábica continua bastante procurado, com muito interesse comprador para todos os padrões de café. Muitos produtores adiam vendas, aguardando um quadro mais claro do cenário para os próximos meses. Vendem o necessário para cumprir os compromissos mais próximos, que são altos nesta época de final dos trabalhos de colheita e benefício da nova safra.
Colômbia produz 1,09 milhões de sacas em agosto, queda de 12%
A produção de café da Colômbia atingiu 1,09 milhão de sacas em agosto de 2026, representando uma queda de 12% em comparação com as 1,24 milhão de sacas registradas no mesmo mês de 2025.
Com o resultado de agosto, a produção acumulada nos últimos 12 meses atingiu 12,58 milhões de sacos, uma redução de 15% em comparação com o mesmo período anterior. Segundo a Federação, os dados conhecidos até o momento também refletem o impacto da variabilidade climática no comportamento da cafeicultura colombiana neste ano.
A menor produção afetou o comércio exterior. Em agosto, as exportações de café colombiano atingiram 1,05 milhão de sacas, número que representa uma queda de 10% em comparação com o mesmo mês de 2015. Nos últimos 12 meses, a Colômbia exportou 11,69 milhões de sacas, uma queda de 12% em comparação com o período anterior.
Embora a produção e as exportações apresentem reduções, as importações também fazem parte do equilíbrio do mercado cafeeiro colombiano. Nos últimos 12 meses, as importações atingiram 1,55 milhão de sacas, enquanto o consumo interno se manteve estável em 2,32 milhões de sacas.
Data: 05/09/2026 18:10 Nome do Usuário: Fábio Comentário: Como sempre falei a maís de 1 ano! realmente safra recorde com certeza, qualidade um pouco inferior não tanto como tem se falado. Safra 2027 50 mi e safra 28 85 mi : AGUENTA PRODUTOR ( PLANTA MAIS )