A rede de proteção social das famílias cafeicultoras está em risco
Por Germán Bahamón - Gerente general de la Federación Nacional de Cafeteros
Para milhares de famílias rurais, a Federação Nacional dos Cafeicultores não tem sido apenas uma abstração institucional. Ela tem servido como um escudo protetor contra a volatilidade do mercado global, a concentração de compradores, as incertezas climáticas e os desequilíbrios enfrentados pelos pequenos produtores rurais.
O paradoxo é que muitos cafeicultores nasceram dentro desse sistema e o veem como uma parte natural de suas vidas: a cotação de preços publicada diariamente, a garantia de sempre poder vender seu café, a assistência técnica, a pesquisa científica, as cooperativas, a presença regional e a defesa da origem do produto. Quando um benefício passa a fazer parte do cotidiano, corre-se o risco de esquecer que ele é fruto de um esforço coletivo que atravessa quase um século.
Esse é o maior perigo da situação atual: acreditar que o sistema cafeeiro pode ser desestabilizado sem consequências sociais profundas.
A cafeicultura colombiana não é uma indústria comum. É o projeto de vida de mais de meio milhão de famílias, sendo a grande maioria composta por pequenos produtores. Em muitas regiões, o café faz mais do que gerar renda; ele organiza a comunidade, sustenta economias locais, promove um forte vínculo com a terra e oferece uma alternativa lícita e digna para milhares de famílias rurais.
A Garantia de Compra é o coração desse sistema. Não se trata de subsídio nem de concessão. É um mecanismo de disciplina de mercado que organiza a comercialização, evita o abuso do poder de compra e protege o produtor em um cenário onde há muitos vendedores, mas poucos compradores. Quando um cafeicultor tem um comprador garantido — com preço transparente e pagamento à vista —, ele ganha liberdade.
Sem isso, fica exposto à especulação.
Sem uma instituição para competir, comprar e publicar um preço de referência, o pequeno cafeicultor perde poder de negociação. E, no campo colombiano, isso não significa apenas perda de margens de lucro; impacta a nutrição, a educação, o investimento nas lavouras e a estabilidade familiar.
É por isso que o sistema cafeeiro deve ser compreendido como uma infraestrutura social. Assim como uma ponte conecta comunidades rurais aos mercados, a Federação conecta o cafeicultor ao mundo. Ela se sustenta em pesquisa, serviços de extensão, garantia de qualidade, marketing, promoção, iniciativas de agregação de valor e investimento social. Um sistema tão abrangente não pode ser improvisado, desmantelado sem custos ou substituído da noite para o dia.
A Federação não é um escritório distante; é uma rede com presença local, legitimidade democrática e expertise técnica construída em parceria com os cafeicultores. Ela compreende as montanhas, a colheita, a ferrugem do cafeeiro, o clima, os custos de mão de obra, as cooperativas, os compradores internacionais, as taxas de câmbio e a história humana por trás de cada lote de café.
Portanto, qualquer tentativa de desestabilizar esse sistema não afetaria apenas uma organização; impactaria, antes de tudo, as famílias cafeicultoras.
A administração do Fundo Nacional do Café não depende de caprichos políticos momentâneos. Ela opera dentro de uma estrutura jurídica sólida e de longa data, que designa a Federação como administradora por meio de contratos governamentais renováveis a cada dez anos. Essa estrutura reconhece que os recursos ligados ao café devem servir aos próprios produtores e ser geridos por uma organização que represente o setor.
O que *poderia* causar danos profundos, no entanto, é a incerteza. Permitir que prazos expirem, semear dúvidas ou adiar decisões essenciais pode ter consequências tão graves quanto um colapso total. Em um mercado volátil — onde a compra de café exige confiança, liquidez, logística e credibilidade internacional —, o preço da incerteza institucional é alto. E são os pequenos produtores que, no final das contas, pagam esse preço.
A Colômbia deve ter o cuidado de preservar o que funciona. Desestabilizar o sistema cafeeiro significaria ignorar o fato de que, por trás de cada saca de café, há uma família; por trás de cada posto de compra, uma comunidade rural; e, por trás de cada decisão institucional, uma economia rural que precisa de confiança para avançar.
Não permitiremos que o escudo que protegeu as famílias cafeicultoras colombianas seja colocado em risco. Fortalecer esse escudo significa fortalecer o setor agrícola. Desestabilizá-lo deixaria milhões de colombianos à mercê do mercado, sem qualquer proteção.