Estudo liga consumo de café relacionado à melhora da microbiota intestinal
O café ocupa um lugar cativo na rotina de milhões de pessoas e, para muitos, é a bebida preferida para começar o dia ou fazer uma pausa no meio da manhã. Seu consumo tem sido tradicionalmente associado a diversos efeitos no organismo, principalmente devido ao seu teor de cafeína.
No entanto, seus benefícios potenciais podem ir além do fornecimento de energia. Nos últimos anos, a microbiota intestinal tem adquirido um papel cada vez mais importante no estudo da saúde digestiva, e algumas pesquisas encontraram uma relação entre o consumo de café, a composição das bactérias intestinais e certos processos inflamatórios.
Um dos especialistas que apoiou publicamente essa ideia é Chaysavanh Manichanh, médico dedicado à pesquisa do microbioma humano. O chefe do Grupo de Pesquisa do Microbioma do Instituto de Pesquisa Vall d'Hebron, em Barcelona, explicou os benefícios do café em uma entrevista à National Geographic.
Por que o café faz bem para a microbiota intestinal? “Existem estudos que mostram que o café está associado à redução da inflamação e, em última análise, é bom para a microbiota intestinal porque é metabolizado por certas bactérias”, explicou Chaysavanh à National Geographic.
A relação entre o café e a microbiota intestinal deve-se, em parte, à capacidade de certos microrganismos metabolizarem alguns dos compostos presentes nessa bebida.
De fato, um estudo publicado na Nature Microbiology observou que o consumo regular de café está associado a uma maior presença de Lawsonibacter asaccharolyticus, uma bactéria cujo crescimento também foi estimulado pelo café em experimentos de laboratório.
Descubra o mecanismo oculto da cafeína. Ela não é uma fonte de energia, mas sim um bloqueador que interfere nos sinais de cansaço no cérebro, mantendo você alerta enquanto a fadiga se acumula.
Esses resultados complementam pesquisas mais recentes que analisaram diretamente como o café pode modificar o ecossistema intestinal. Um estudo publicado na Nature Communications em 2016 encontrou diferenças na composição da microbiota intestinal e nos metabólitos fecais entre consumidores regulares de café e não consumidores.
Algumas dessas alterações desapareceram quando os participantes interromperam o consumo de café por duas semanas e reapareceram após a reintrodução da bebida, sugerindo uma ligação entre o consumo de café e a atividade das bactérias intestinais. A importância dessas alterações reside no fato de a microbiota intestinal manter uma relação estreita com o sistema imunológico e a inflamação.
Quais benefícios o café pode oferecer ao intestino? Os potenciais efeitos do café na microbiota intestinal podem ter repercussões em diversos processos relacionados à saúde intestinal. Um deles é a manutenção da barreira intestinal, estrutura que atua como um filtro e ajuda a impedir que substâncias potencialmente nocivas atravessem a parede intestinal.
Além disso, alterações nas bactérias intestinais podem influenciar a forma como o corpo processa certos compostos alimentares e a regulação da resposta inflamatória. Portanto, o interesse pelo café não se limita ao seu teor de cafeína, mas também à interação de seus componentes com os microrganismos que vivem no intestino.