Programa Café Produtor de Água segue sendo destaque internacional
A estabilidade dos números globais do café esconde uma realidade muito mais complexa no campo. Enquanto oferta e demanda mundiais permanecem próximas do equilíbrio, produtores enfrentam o avanço das mudanças climáticas, aumento dos custos de produção, novas exigências regulatórias e a necessidade de preservar recursos naturais essenciais à própria atividade cafeeira.
Esse foi um dos principais pontos abordados por Vanusia Nogueira, diretora-executiva da Organização Internacional do Café (OIC), durante webinar internacional promovido pela International Women’s Coffee Alliance (IWCA) – Aliança Internacional das Mulheres do Café – do sobre as transformações e perspectivas do mercado mundial de café.
O webinar da IWCA também apresentou experiências que reforçam a importância de investir nas pessoas e nas comunidades para construir uma cafeicultura mais resiliente.
Em sua apresentação, Vanusia destacou que o futuro da cafeicultura passa necessariamente pela capacidade de adaptação dos produtores e pela adoção de práticas capazes de conciliar produtividade, renda, conservação ambiental e resiliência às mudanças climáticas.
É nesse contexto que ganha relevância o Programa Café Produtor de Água, iniciativa desenvolvida no Brasil pelo Conselho Nacional do Café (CNC) junto às cooperativas associadas e apoio dos mais relevantes parceiros, que integra produção cafeeira e conservação dos recursos hídricos.
A experiência brasileira foi apresentada como um exemplo de que a sustentabilidade pode deixar de ser apenas um conceito ambiental para se transformar em uma estratégia concreta de fortalecimento da atividade rural.
Um dos diferenciais do programa é trabalhar a conservação não como uma ação isolada dentro da propriedade, mas como parte de uma estratégia territorial.
Ao recuperar uma nascente, proteger uma área de preservação permanente ou reduzir processos erosivos, o produtor contribui para a melhoria da qualidade e da disponibilidade de água em toda a paisagem rural.
A lógica é especialmente importante para a cafeicultura, atividade que depende diretamente da regularidade climática e da disponibilidade de recursos naturais.
Por isso, iniciativas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e mecanismos de incentivo à conservação podem representar uma nova fronteira para a sustentabilidade econômica da cafeicultura.
O produtor deixa de ser visto apenas como usuário dos recursos naturais e passa a ser reconhecido também como prestador de serviços ambientais essenciais à sociedade. Além disso, a propriedade rural onde o programa está instalado se torna ainda mais valorizada.
O Programa Café Produtor de Água já está em execução no Sul de Minas (Cooxupé e Minasul / Sicoob Credivar), no Cerrado Mineiro (monteCCer), no Espírito Santo (OCB/ES, Cafesul, Cooabriel e NaterCoop – em parceria com o Programa Reflorestar do Governo Capixada). Em breve estará na Mogiana Paulista em parceria com a Cocapec, na Região do Cerrado Mineiro com a Coocacer Araguari, na região de Campos das Vertentes em parceria com a ACAVE e a cooperativa Sancoffee, e na região das Matas de Minas em Caratinga em parceria com o Sicoob CrediCooper.
Nasceu em 2021, tendo como idealizador o Conselho Nacional do Café junto às suas cooperativas associadas, contando com os seguintes parceiros: o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), governo do Espírito Santo, as prefeituras municipais, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB – Sescoop), o Banco Sicoob, a Embrapa Café, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (EMATER-MG), além dos parceiros regionais onde o projeto está instalado.
Os objetivos são bem claros: cuidar do meio ambiente com a preservação das vegetações e matas ciliares, plantio de árvores e proteção dos mananciais, além de proporcionar a recuperação de estradas rurais, fundamental para escoamento da produção e melhoria da qualidade de vida da população rural. Como consequência, evitará o assoreamento de rios e lagos, promoverá proteção de nascentes, oferecerá a construção de bacias de contenção, evitando assim, erosões.