Acima 275 cents, mercado deve recuperar as perdas das últimas semanas
Por José Roberto Marques da Costa
O volume nesta sexta-feira (18) em NY atingiu 24.088 lotes, 1.888 lotes a menos ante ao pregão de quinta-feira (17) quando teve a variação 6,10 cents. O dezembro fecha em alta de 4,00 cents(1,44%) a 280,50 cents, variou 5,95 cents, menor volatilidade de setembro, de 275,15 cents a 281,00 cents, rompendo a primeira resistência do dia, em 279,93 cents. Na semana acumula queda de 7,65 cents.
O spread entre dezembro/março sobe para 8,55 cents ante a 7,95 cents, spread de dezembro/maio sobe para 11,00 cents ante a 10,70 cents do pregão anterior e spread entre março/maio cai para 2,45 cents ante a 2,75 cents do pregão anterior. Os estoques de certificados aumentaram 10.528 sacas, para 258.415 sacas, sendo aprovadas 10.528 sacas e reprovada 2.462 sacas de café brasileiro, esperando certificação 23.685 sacas. Na semana acumula alta de 40.483 sacas
O volume nesta sexta-feira (18) atingiu 20.027 lotes em Londres, 2.286 lotes a menos que no pregão de quinta-feira (17), quando variou US$ 65/t. O novembro fechou em alta de US$ 5/t (0,14%) a US$ 3.396/t (154,05 cents), variando US$ 95/t, de US$ 3.362/t a US$ 3.458/t, rompendo o primeiro suporte do dia em US$ 3.365/t e a primeira resistência em US$ 3.429/t. Os estoques de certificado de robusta estão no nível mais alto em nove meses e meio, atingindo 5.043 lotes.
O spread novembro/janeiro cai para US$ 23/t ante a US$ 31/t no pregão anterior, spread de novembro/março cai para US$ 36/t ante a US$ 43/t no pregão anterior, e spread de janeiro/março sobe para US$ 13/t ante a US$ 12/t do pregão anterior. A diferença de preço entre NY e Londres sobe para 126,45 cents ante a 122,70 cents no pregão anterior.
O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) referente a 15 de setembro mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos diminuíram 15,4%, diminuído em 1.680 lotes suas posições compradas e aumentando em 1.013 lotes suas posições vendidas, neste período a variação de dezembro passou de 291,30 cents a 283,65 cents, queda de 7,65 cents. As posições abertas tiveram queda de 4,13%, passando de 192.298 lotes para 200.578 lotes.
Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras os grandes fundos possuíam 14.786 posições líquidas compradas, sendo 40.995 posições compradas e 26.209 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 08 de agosto, eles tinham 17.479 posições liquidas compradas, sendo 42.675 posições líquidas compradas e 25.196 posições vendidas. As empresas comerciais diminuíram 15,88% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 15, saldo de 16.128 posições líquidas vendidas, sendo 77.441 posições compradas e 93.569 vendidas. No relatório anterior do dia 08, possuíam 19.172 posições líquidas vendidas, sendo 77.128 posições compradas e 96.900 vendidas.
Neste semana, o mercado de café arábica abandonou a performance "meme stock", voltando a se impor os fundamentos (oferta, demanda, estoques e clima ) devido a queda dos lotes em aberto e a baixa volatilidade diária ante as semanas anteriores. No pregão desta sexta-feira, a volatilidade foi a menor do mês de setembro, somente 5,95 cents, ante a média diária de 10 cents nas últimas duas semanas e de mais 15 cents nas últimas semanas de agosto.
Nos últimos 17 pregões, contratos de café arábica de dezembro em NY acumularam fortes perdas de 54,90 cents(16,4%) deixando o mercado com todos os indicadores técnicos extremamente sobrevendido, quando saiu de 335,50 cents(25/08) para 280,50(16/09), atingindo o menor nível em 75 dias nesta quinta-feira(17).
Nos últimos três pregões, a mínima atingiu 277,05 cents(16), 274,60 cents(17) e 275,05 cents (18), atingiram suporte muito importante, chegando a romper por alguns instantes, o nível "Bear Market" em 275,00 cents, termo usado quando acumula queda de 18%, colocando o contrato de café arábica em dezembro muito próximo do limite de 20% de queda (268,40 cents), que é o critério técnico oficial para decretar o início de um "Bear Market" (mercado de tendência de baixa de longo prazo). Uma queda dessa magnitude geralmente significa que o preço rompeu várias linhas de suporte (regiões de preço onde antes havia muitos compradores defendendo suas posições). Quando esses suportes são quebrados, o gráfico indica que a força vendedora assumiu o controle total.
Apesar do forte bombardeio de informações baixistas publicada na mídia quase diariamente por algumas agencias, ainda persiste fundamentos bem positivos, um deles é alto volume de posições compradas dos não comerciais em aberto. Durante o período que acumulou queda de 16,4% nos contratos futuros em dezembro em NY, as posições compradas dos não comerciais caíram 15,4%, de 48.505 lotes para 40.995 lotes, queda considerada normal, números considerado alto pelo mercado. O que é anormal, no período da queda de 54,90 cents nos contratos futuros de dezembro em NY, as posições vendidas dos comerciais caíram 10,4%, de 104.502 lotes para 93.569 lotes.
Com o fechamento acima do nível "Bear Market" nos pregões de quarta e quinta-feira, o gráfico técnico elaborado nesta sexta-feira pela Economies.com informa de um possível formação de fortes ondas de alta com recuperação das perdas das últimas semanas
" O preço do café enfrentou forte pressão negativa, sendo forçado a se estabilizar abaixo de 292,00 cents, sofrendo perdas significativas ao atingir o nível de 274,00 cents, aproximando-se de um suporte importante, já que formou uma forte zona de demanda em 269,25 cents, o que representa uma confirmação chave da tendência principal nas próximas negociações. A estabilidade do preço acima do suporte nos leva a aguardar o ganho de impulso positivo, a formação de fortes ondas de alta, para pressionar a resistência em 295,00 cents, onde a superação confirmará sua prontidão para registrar ganhos adicionais que podem começar em 305,60 cents e 319,20 cents.
Segundo a StoneX, a medida que a colheita de café do Brasil entra em sua fase final, a atenção de todo o mercado global de café se volta rapidamente do volume da safra sendo colhida agora para a floração da próxima entram no período crítico de pré-floração, que determinará o potencial produtivo da safra de 2027 do Brasil. As conversas entre exportadores, *traders*, torrefadores e produtores estão se voltando cada vez mais para o que vem a seguir.
As preocupações com o clima são intensificadas pelo crescente debate sobre o padrão El Niño em formação. Vários analistas de mercado alertaram que o El Niño pode influenciar o regime de chuvas durante o período de floração no Brasil, afetando potencialmente a fixação dos frutos e as perspectivas de produção para a safra de 2027. Embora o risco ainda apresente grande incerteza, os operadores do mercado estão cada vez mais focados nas condições climáticas dos próximos seis a nove meses, em vez de na safra que está sendo colhida atualmente.
Para Luca Mattei, analista de mercado, autor e fundador da EcoModities™ Research Initiative, o mercado global de café está entrando em uma fase complexa, na qual a atual abundância de oferta pode coexistir com riscos que podem surgir nas próximas safras. O impacto potencial de um El Niño muito forte na produção de café em origens importantes, do Brasil e Vietnã à Colômbia. No centro não está apenas o clima em si, mas sobretudo a capacidade dos produtores de se adaptarem às mudanças climáticas.
Água, fertilizantes, energia, crédito e manejo agronômico estão, portanto, se tornando variáveis cruciais para entender como a oferta pode evoluir. Isso traz um novo indicador à tona: o custo da adaptação climática e da produção em toda a cadeia de suprimentos do café. O mercado global de café pode entrar em uma fase incomum nos próximos meses, caracterizada por uma oferta atual relativamente abundante e pelo acúmulo de riscos que podem surgir nos ciclos de cultivo subsequentes.