OIC: CNC embarca para Suíça e reforça protagonismo do Brasil na agenda global
O Conselho Nacional do Café (CNC) estará presente na 142ª Sessão do Conselho Internacional do Café (CIC), que será realizada de 28 a 30 de setembro, em Genebra, na Suíça, levando à principal instância internacional do setor a posição dos produtores e das cooperativas brasileiras sobre temas que impactam diretamente o futuro da cafeicultura.
A delegação do CNC será composta pelo presidente Silas Brasileiro, pelo superintendente Daniel Barcelos Vargas e pela assessora Luiza Kreimeier, que representarão o setor cooperativista e os produtores brasileiros nas discussões e atividades da programação da OIC.
A presença do Conselho reforça a atuação institucional da cafeicultura brasileira junto à Organização Internacional do Café (OIC) e a defesa dos interesses de milhares de produtores que fazem do Brasil o maior produtor e exportador mundial.
A delegação brasileira reunirá representantes do Governo Federal e das principais entidades da cadeia cafeeira nacional. Pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), participará o Embaixador Mauro Furlan, chefe da Representação Permanente do Brasil junto aos Organismos Internacionais em Londres (REBRASLON); pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), estarão o secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos Júnior, e a adida agrícola do Brasil em Genebra, Andréa Moura.
Integram ainda a delegação Ademar Pereira, pela CNA; Vinicius Estrela, pela BSCA; Pavel Cardoso, pela ABIC; Fabio Sato, pela ABICS; Marcos Antonio Matos, pelo Cecafé; Fabrício Tristão e Gleysandro Teixeira Rodrigues, pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV); e Carlos Henrique Jorge Brando, da P&A Marketing Internacional, reunindo em Genebra diferentes segmentos da cadeia brasileira, da produção e representação institucional à indústria, cafés especiais, comércio e exportação.
A reunião ocorre em um momento especialmente importante para a cafeicultura internacional. Além das discussões sobre o mercado e os desafios enfrentados pelo setor, estarão no centro da agenda questões relacionadas à sustentabilidade, mudanças climáticas, renda dos produtores, cooperação internacional e implementação do Acordo Internacional do Café de 2022 (AIC 2022).
Para o presidente do CNC, a participação brasileira precisa ser ativa e propositiva. “O Brasil não pode apenas participar das discussões internacionais sobre café. Precisamos estar presentes para apresentar nossas experiências, defender nosso sistema cooperativista e contribuir para a construção de uma agenda que reconheça a realidade de quem produz. O CNC estará em Genebra levando a voz das cooperativas e dos cafeicultores brasileiros e mostrando que o Brasil tem conhecimento, tecnologia e sustentabilidade para contribuir com o futuro da cafeicultura mundial”, afirma Silas Brasileiro.
Um dos destaques da participação brasileira será o Café Produtor de Água, iniciativa que alcançou a segunda colocação na avaliação do Comitê Conjunto da OIC para o ciclo 2026/2027. Desenvolvido a partir da realidade da cafeicultura brasileira, o programa valoriza produtores que adotam práticas de conservação de nascentes, matas ciliares e recursos hídricos, utilizando mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).
A iniciativa reúne conservação ambiental e produção agrícola e vem sendo desenvolvida com a participação de cooperativas, cafeicultores e instituições parceiras em diferentes regiões produtoras.
Para o CNC, o reconhecimento internacional demonstra que experiências construídas dentro das propriedades rurais brasileiras podem contribuir para os desafios globais relacionados à água, à conservação dos recursos naturais e à sustentabilidade da produção de café.
A 142ª Sessão também terá como pano de fundo a recondução da brasileira Vanusia Nogueira como diretora-executiva da OIC. Sua presença à frente da Organização representa um importante espaço de interlocução para o Brasil em uma entidade que reúne países produtores e consumidores e que tem entre suas atribuições promover a cooperação internacional e contribuir para o desenvolvimento sustentável do setor cafeeiro.
A agenda da OIC também contempla discussões institucionais relacionadas ao futuro da Organização, entre elas o debate sobre suas instalações e a eventual transferência da sede atualmente localizada em Londres.
O assunto é acompanhado pelo CNC, que entende que qualquer decisão deve considerar não apenas aspectos administrativos e financeiros, mas também a importância estratégica da localização da OIC e sua capacidade de articulação com governos, organismos internacionais e os diferentes segmentos da cadeia mundial do café.
Outro tema que ganha relevância na agenda é o Acordo Internacional do Café de 2022. A aprovação do instrumento pelo Senado Federal brasileiro, em setembro, representa uma nova etapa para a participação do país na estrutura internacional de cooperação do setor.
O CNC acompanha o processo e defende que a implementação do acordo preserve a participação efetiva dos países produtores e considere as diferentes realidades da cafeicultura mundial.