Tudo indica que safra de café deve ficar entre 60 a 62 milhões de sacas
Por José Roberto Marques da Costa
O volume nesta sexta-feira (25) em NY atingiu 23.139 lotes, 3.266 lotes a mais ante ao pregão de quinta-feira (24) quando teve a variação 7,05 cents. O dezembro fecha em alta de 3,25 cents(1,18%) a 278,60 cents, variou 10,05 cents, de 274,25 cents 284,30 cents, ultrapassando duas resistências do dia em 278,97 cents e 282,58 cents, O spread entre dezembro/março cai para 7,40 cents ante a 7,70 cents, spread de dezembro/maio cai para 9,70 cents ante a 10,20 cents do pregão anterior e spread entre março/maio cai para 2,30 cents ante a 2,50 cents do pregão anterior.
Os estoques de certificados ficam estáveis 254.480 sacas, esperando certificação 21.117 sacas. Nesta semana tiveram queda de 4.111 sacas, com a porcentagem de reprovação pela bolsa de NY muito alta ante o dos anos anteriores. Na média, 30% do café brasileiro foi rejeitado e, para a surpresa no mercado, um lote de 13.720 sacas de Honduras hoje também foi rejeitado. Os países produtores com mais cafés armazenados na bolsa são: Honduras, com 53.663 sacas, Brasil, com 52.791 sacas, Peru, com 48.598 sacas e Uganda, com 35.322 sacas. A Colômbia, que há vários anos não entrega seu café na bolsa, matem somente 250 sacas.
O volume nesta sexta-feira (25) atingiu 28.984 lotes em Londres, 9.111 lotes a mais que no pregão de quinta-feira (24), quando variou US$ 70/t. O novembro fechou em alta de US$ 77/t (2,34%) a US$ 3.367/t (152,70 cents), variando US$ 118/t, de US$ 3.257/t a US$ 3.375/t, rompendo o primeiro suporte do dia em US$ 3.258/t e ultrapassado duas resistências em US$ 3.328/t e US$ 3.366/t.
O spread novembro/janeiro sobe para US$ 25/t ante a US$ 18/t no pregão anterior, spread de novembro/março sobe para US$ 46/t ante a US$ 30/t no pregão anterior, e spread de janeiro/março sobe para US$ 12/t ante a US$ 12/t do pregão anterior. Os estoques de certificados de café robusta subiram para maior nível em 10 meses, atingindo 5.398 lotes. A diferença de preço entre NY e Londres cai para 125,90 cents ante a 126,10 cents no pregão anterior.
O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) referente a 22 de setembro, mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos diminuíram 40,7%, diminuído em 2.079 lotes suas posições compradas e aumentando em 3.923 lotes suas posições vendidas, neste período a variação de dezembro passou de 283,65 cents a 272,30 cents, queda de 11,35 cents.
Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras os grandes fundos possuíam 8.764 posições líquidas compradas, sendo 38.916 posições compradas e 30.132 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 15 de setembro, eles tinham 14.786 posições liquidas compradas, sendo 40.995 posições líquidas compradas e 26.209 posições vendidas. As empresas comerciais diminuíram 37,95% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 22, saldo de 10.007 posições líquidas vendidas, sendo 82.625 posições compradas e 92.532 vendidas. No relatório anterior do dia 15, possuíam 16.128 posições líquidas vendidas, sendo 77.441 posições compradas e 93.567 vendidas.
Durante o período que acumulou queda de 18,8% nos contratos futuros em dezembro em NY, as posições compradas dos não comerciais caíram 19,8%, de 48.505 lotes para 38.916 lotes, queda considerada normal, números ainda considerado alto pelo mercado diante uma queda de 63,20 cents. A grande supressa, diante de fortes notícias negativas, o que é anormal, no período da queda de 63,20 cents nos contratos futuros de dezembro em NY, as posições vendidas dos comerciais caíram 11,45%, de 104.502 lotes para 92.532 lotes.
Em mercado extremamente sobrevendido, devido a forte queda de 17% nos últimos 21 pregões, de 335,50 cents(25/08) a 278,60 cents (15/09), os contratos futuros de café arábica fecharam em alta nesta sexta-feira. O dezembro fechou acima do "divisor de água" em 275,00 cents (-18%)m num cenário "Bear Market" em uma semana de volatilidade de 14,45 cents e tecnicamente muito importante, saindo na segunda-feira de 280,50 cents, fechando 276,10 cents, na terça-feira, perdeu o nível de 275,00 cents e fechando 272,60 cents, Na quarta-feira, por alguns instantes perdeu o nível de 270,00 cents, tudo indicando que poderia buscar 268,40 cents, limite de queda de 20% ante a 30 dias atrás (335,50 cents), critério técnico oficial para decretar o início de tendência de baixa de longo prazo.
Na quarta-feira, durante o intraday, quando rompeu os 270 cents por alguns instantes, foi acionando forte stop de compras de fundos de investimentos, indicando ter encontrado forte suporte nestes nível no curto prazo. Os participantes que estavam pressionando na busca desse suporte mudaram de mão e entraram na ponta compradora, levando novamente a fechar acima importante nível de 275,00 cents nos pregões de quarta e quinta-feira. No pregão desta sexta-feira, as compras continuaram atingindo a máxima dos últimos sete pregões acima de 284,00 cents, acionando vendas limitadas de origens, fechando na máxima da semana.
Segundo um expert do mercado "a incapacidade de cair diante de notícias baixistas torna-se mais importante do que as próprias notícias"
Na quinta-feira,(24), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou sua estimativa de produção em 67,6 milhões de sacas de café, sendo 48,3 milhões de arábica e 19,4 milhões de conillon, ficando dentro que o mercado esperava. Esta estimativa não inclui as perdas dos dois tipos de café, principalmente de café arábica devido as intensas chuvas dos últimos meses que interferiram negativamente o andamento da colheita principalmente nas últimas semanas. Tudo indica que a safra brasileira deste ano deve ficar entre 60 a 62 milhões de sacas
Segundo o levantamento de dados colhidos pela Agnocafé durante esta colheita problemática, a safra de café arábica terá uma perda já petrificada de, no mínima, de 10% podendo chegar a 15%, devido à queda do grãos no chão que não deve ser colhido pelo produtor, por dois motivos. Primeiramente, a perda normal durante o processo de colheita com máquinas, e segundo, devido ao desestímulo do produtor com os preços praticados nas últimas semanas do café de varrição.
A diferença preço durante esta semana da saca de café ruim (mau cheiro) de varrição e café de boa qualidade já está ultrapassando R$ 1.100,00. Nesta sexta-feira, no cerrado mineiro foi negociado café fino do ano passado a R$ 1.720,00 livre e para café ruim de varrição, que estão super ofertados, os compradores estavam fixando seus preços entre R$ 500,00 e R$ 600,00.
Além da perda da qualidade dos grãos, talvez a pior da história, segundo os últimos dados da Agnocafé desta semana, cerca de 40% da safra de café arábica será de café de varrição. Segundo, o diretor de uma grande cooperativa de café de Minas Gerias, além da enorme perda em volume, centenas de milhares de sacas de café de varrição não estão servido para fazer liga devido ao mau cheiro.
Principais causas do mau cheiro no café cru
# Mofo ou Bolor (Cheiro de umidade/porão abafado): causado por uma secagem muito lenta, interrupção da secagem devido a chuvas no terreiro, ou armazenamento em locais úmidos. O grão absorve a umidade e desenvolve fungos (como Aspergillus e Penicillium), o que gera um odor de papelão molhado ou terra batida.
# Superfermentação (Cheiro azedo, vinagre ou podre): ocorre quando os grãos do café demoram muito para ser descascados ou passam do tempo correto nos tanques de fermentação. Isso gera os chamados grãos ardidos ou pretos, que exalam um aroma acético e pungente.
# Grãos Estragados / Stinkers (Cheiro de esgoto ou carniça): o defeito conhecido na indústria como grão stinker (fedorento) acontece devido a uma atividade bacteriana severa pós-colheita, muitas vezes por uso de água suja no processamento. Um único grão stinker esmagado pode arruinar o aroma de um saco inteiro de café.
Mais problemas à vista, depois das intensas chuvas aumenta a preocupação com estiagem
O possível impacto do El Niño sobre a safra 2027/2028 de café já preocupa os produtores brasileiros. Embora as chuvas registradas em setembro estejam favorecendo o desenvolvimento das floradas, a perspectiva de temperaturas elevadas e períodos de seca nos próximos meses gera apreensão quanto ao potencial produtivo da próxima temporada.
A principal preocupação dos cafeicultores é com o pegamento das flores, etapa fundamental para a formação dos frutos. Caso o El Niño provoque temperaturas excessivas e períodos prolongados de tempo seco nas regiões produtoras, o desenvolvimento das lavouras poderá ser prejudicado.
Apesar do cenário inicialmente favorável, o comportamento do clima nas próximas semanas será decisivo para a evolução das floradas. Produtores seguem atentos à possibilidade de que o calor e a irregularidade das chuvas associados ao El Niño comprometam as expectativas para a nova temporada