A participação brasileira nas reuniões da Organização Internacional do Café (OIC) e da Global Coffee Platform (GCP), realizadas em Genebra, na Suíça, reforçou a articulação entre o governo e as entidades representativas da cafeicultura nacional em torno de temas estratégicos para o futuro do setor.
A delegação brasileira reuniu representantes do Governo Federal e das principais entidades da cadeia cafeeira nacional. Pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), participou o Embaixador Mauro Furlan, chefe da Representação Permanente do Brasil junto aos Organismos Internacionais em Londres (REBRASLON) e sua equipe de diplomatas, Rodrigo Ponciano, Diego Alfieri e Hugo Tolomei; pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), estiveram o secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos Júnior, o Secretário de Comércio e Relações Internacionais, Augusto Luís Billi e a adida agrícola do Brasil em Genebra, Andréa Moura. Integraram ainda a delegação, Silas Brasileiro, presidente executivo do CNC, Daniel Barcelos Vargas, superintendente da entidade e Luiza Mantiça Kreimeier, assessora técnica do Conselho; Ademar Pereira, pela CNA; Vinicius Estrela, pela BSCA; Pavel Cardoso, pela ABIC; Fabio Sato, pela ABICS; Marcos Antonio Matos, pelo Cecafé; Fabrício Tristão e Gleysandro Teixeira Rodrigues, pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV); e Carlos Henrique Jorge Brando, da P&A Marketing Internacional, reunindo em Genebra diferentes segmentos da cadeia brasileira, da produção e representação institucional à indústria, cafés especiais, comércio e exportação.
O Brasil acompanhou debates sobre governança internacional, sustentabilidade, exigências comerciais e regulamentações que impactam diretamente a produção e a exportação de café.
Um dos principais resultados da agenda foi a manifestação oficial do Brasil, através do porta voz da delegação brasileira, Embaixador Mauro Furlan da Representação Permanente do Brasil junto aos Organismos Internacionais em Londres (Rebraslon), de indicação formal em defesa da recondução de Vanusia ao cargo de diretora executiva da Organização Internacional do Café. A sua aprovação significa a continuidade de uma liderança brasileira à frente da entidade que representa os países exportadores e importadores nas discussões, discussões internacionais sobre o mercado cafeeiro, seus desafios e suas perspectivas.
As reuniões também abordaram a definição da futura sede da Organização Internacional do Café (OIC). Foi estabelecido o prazo de 31 de dezembro de 2026 para que os países interessados formalizem suas candidaturas, mantendo aberto o processo de discussão sobre a localização da entidade.
Até o momento, Suíça e Itália manifestaram interesse em sediar a Organização, apresentando-se como possíveis alternativas para sua futura localização. A permanência em Londres, por sua vez, foi apontada como a preferência da maioria dos países durante as discussões, sem que tenha sido tomada uma decisão definitiva.
O tema seguirá em análise pelos países-membros, considerando os aspectos institucionais e operacionais envolvidos. Para o Brasil, o acompanhamento desse processo integra sua participação ativa nas discussões sobre o funcionamento e o futuro da OIC.
Outro eixo importante das reuniões foi o acompanhamento das regulamentações que vêm transformando as condições de acesso aos mercados internacionais. Os debates deram especial atenção às normas da União Europeia relacionadas à sustentabilidade, à responsabilidade empresarial e às condições de produção, incluindo o Regulamento sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), o Regulamento sobre a Proibição de Produtos Fabricados com Trabalho Forçado (FLR), a Diretiva de Devida Diligência em Sustentabilidade Empresarial (CS3D) e os limites máximos de resíduos de defensivos agrícolas (LMRs).
Para o CNC, a participação nesses espaços internacionais integra o esforço de manter a cafeicultura brasileira informada e articulada diante de regras que podem produzir efeitos concretos no cotidiano das cooperativas e dos produtores.
O GCP celebra dez anos de atuação global A agenda em Genebra também foi marcada pela celebração dos dez anos da Global Coffee Platform (GCP), iniciativa internacional voltada à promoção da sustentabilidade na cadeia global do café.
O momento comemorativo contou com a presença da diretora executiva da GCP, Annette Pensel, e da equipe GCP Brasil, representada por Pedro Ronca. Também participaram Rafael Fonseca, da COOMAP, indicado pelo CNC e que vem contribuindo de forma expressiva para os trabalhos da plataforma, e integrantes da delegação brasileira, incluindo representantes do CNC, que prestigiaram a trajetória da organização e sua atuação junto aos diferentes elos da cadeia cafeeira.
Ao longo de sua trajetória, a GCP tem promovido a articulação entre organizações, empresas, produtores e instituições para avançar em iniciativas de sustentabilidade e melhoria das condições de produção. A celebração dos dez anos representa uma oportunidade para reconhecer os esforços de cooperação internacional e reforçar a importância do diálogo entre os diferentes participantes do setor.
Na celebração, um dos pontos centrais da discussão foi refletir sobre o que o setor cafeeiro espera para a próxima década, com foco em uma cafeicultura cada vez mais sustentável, resiliente e capaz de gerar maior valor para o produtor.