Cooperativa cafeeira mineira vê associados com certficação carbono neutro
Cinco cooperados da Cooperativa Agropecuária de Boa Esperança (Capebe) conquistaram a certificação Carbono Neutro para dez propriedades produtoras de café no Sul de Minas Gerais. A avaliação apontou remoção de carbono superior às emissões geradas durante o processo produtivo. A iniciativa integra o programa Café Carbono Neutro, da Sumitomo Chemical, com apoio da consultoria E2Carbon.
A certificação contempla as propriedades Tijuco Preto, Mata do Paraíso, Segredo, Conquista do Segredo, Sapezinho, Lontra, Lagoinha, Corguinho, Brasil e Riacho Doce. O processo considerou fontes de emissão, remoções de carbono e práticas agrícolas adotadas em cada fazenda.
O programa mensura as emissões e as remoções dentro das lavouras. A primeira etapa identifica as fontes emissoras presentes na propriedade. O levantamento considera uso de fertilizantes nitrogenados, aplicação de calcário e ureia, processos de secagem e combustão móvel vinculada a equipamentos, máquinas e veículos.
A avaliação também quantifica as fontes de remoção. O cálculo inclui mudanças no uso do solo, como conversão de pastagens e áreas degradadas em lavouras de café. A metodologia considera ainda a biomassa das plantas, a partir do incremento médio anual do carbono armazenado em cada cafeeiro.
Práticas como adubação verde e uso de plantas de cobertura também entram no cálculo das remoções biogênicas. O balanço final compara as emissões com as remoções registradas em cada propriedade. Nas fazendas certificadas, o resultado indicou saldo favorável à remoção de carbono.
Entre os produtores certificados figura Gabriel Vilela Figueiredo Souza, responsável pelas fazendas Tijuco Preto e Mata do Paraíso, em Campos Gerais, Minas Gerais. As duas propriedades produzem cerca de duas mil e quinhentas sacas de café por ano. A análise considerou informações sobre consumo de fertilizantes, óleo diesel e manejo agrícola.
Gabriel aponta a certificação como instrumento para agregar valor à comercialização. Na avaliação do produtor, a comprovação ambiental pode diferenciar o café e abrir espaço para preços superiores associados à sustentabilidade da produção.
Éder Alves de Aguiar, das fazendas Segredo e Conquista do Segredo, em Cristais, Minas Gerais, também participou do processo. As duas propriedades produzem, em média, três mil e duzentas sacas de café por ano. A certificação incluiu visitas às fazendas e análise de documentos, máquinas e insumos.
Éder destaca a satisfação de saber que trabalha de forma consciente, sem degradar o meio ambiente e sem prejudicar as próximas gerações. O produtor afirma não ter colocado eventual retorno financeiro como objetivo inicial do processo.
Renata Bergamo, gerente sênior de Stewardship, Sustentabilidade e Propriedade Intelectual para a América Latina da Sumitomo Chemical, associa o projeto ao compromisso da empresa com a sustentabilidade no agronegócio. Segundo a executiva, a certificação confere diferencial competitivo ao café brasileiro e o posiciona como bebida premium e sustentável.
Os produtores certificados poderão utilizar o Selo Carbono Neutro na comercialização e em materiais de comunicação. O resultado ambiental das propriedades também poderá integrar apresentações a potenciais compradores. Segundo a iniciativa, a certificação ainda pode apoiar a busca por valorização do produto e o acesso a programas de financiamento e investimento ligados a critérios de sustentabilidade.