Com escassez de café de qualidade, não será possível abastecer a todos
Por José Roberto Marques da Costa
O volume nesta sexta-feira (16) em NY atingiu 53.030 lotes, 25.647 lotes a mais ante ao pregão de quinta-feira (15) quando teve a variação 6,90 cents. O dezembro fecha em alta de 10,80 cents(3,66%) a 305,60 cents, variou 12,95 cents, de 298,30 cents a 311,30 cents, ultrapassando as três resistência do dia em 298,45 cents, 302,10 cents e 305,35 cents.
O spread entre dezembro/março sobe para 11,10 cents ante a 9,45 cents, spread de dezembro/maio sobe para 15,10 cents ante a 13,05 cents do pregão anterior e spread entre março/maio sobe para 4,00 cents ante a 3,60 cents do pregão anterior. Os estoques de certificados aumentaram 1.791 sacas, para 240.767 sacas, sendo 56,3% do café brasileiro rejeitadas, 4.450 sacas aprovadas e 5.736 sacas rejeitadas e esperando certificação 16.978 sacas.
O volume nesta sexta-feira (15) atingiu 31.645 lotes em Londres, 3.861 lotes a mais que no pregão de quinta-feira (15), quando variou US$ 112/t. O novembro fechou em alta de US$ 39/t (1,15%) a US$ 3.414/t (154,85 cents), variando US$ 123/t, de US$ 3.378/t a US$ 3.501/t, ultrapassando a primeira resistência do dia em US$ 3.437/t.
O spread novembro/janeiro cai para US$ 9 ante a US$ 11/t no pregão anterior, spread de novembro/março fica estável em US$ 36/t e spread de janeiro/março sobe para US$ 27/t ante a US$ 25/t do pregão anterior. Os estoques de certificados do café robusta atingiram seu nível mais alto em 10,75 meses, chegando a 5.752 lotes em 16 de outubro. A diferença de preço entre NY e Londres sobe para 150,75 cents ante a 141,70 cents no pregão anterior.
O relatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) divulgado referente a 13 de outubro mostram que posições líquidas compradas dos grandes fundos diminuíram 19,6%, diminuindo em 1.195 lotes suas posições compradas e aumentando em 1.567 lotes suas posições vendidas, neste período a variação de dezembro passou de 304,45 cents a 292,70 cents, queda de 11,76 cents. As posições abertas tiveram diminuíram de 3,45%, passando de 208.283 lotes para 201.085 lotes.
Segundo os números apresentados, levando-se em consideração apenas as posições futuras os grandes fundos possuíam 11.308 posições líquidas compradas, sendo 40.271 posições compradas e 28.963 posições vendidas. No relatório anterior, referente a 06 de outubro, eles tinham 14.308 posições liquidas compradas, sendo 41.466 posições líquidas compradas e 27.396 posições vendidas.
As empresas comerciais diminuíram em 21,4% suas posições líquidas vendidas, registravam no dia 13, saldo de 11.977 posições líquidas vendidas, sendo 82.781 posições compradas e 94.768 vendidas. No relatório anterior do dia 06, possuíam 15.234 posições líquidas vendidas, sendo 83.910 posições compradas e 99.144 vendidas.
Em pregão agitado com o volume de negócios ultrapassando 50 mil lotes, praticamente o dobro do dia anterior, os contratos futuros de café fecharam em alta nesta sexta-feira, com dezembro voltando a fechar acima de 300,00 cents depois de oito pregões, mantendo a performance do gráfico técnico, com sinais positivos dos principais indicadores atingindo 305,00 cents na semana passada. Acima de 295,10 cents, ganhou um suporte adicional e com impulso positivo confirmando sua trajetória de alta, visando 311,10 cents e chewgando a 311,30 cents, tudo indica que na próxima semana deve buscar 320,75 cents, fechando a lacuna de preço formada anteriormente.
O rally desta sexta-feira começou na quinta-feira no afert hours, período oficial de ajuste (settlement), quando fechou com alta de 0,65 cents, a 298,70 cents. O movimento foi impulsionado por compras no spread dezembro/março ganhando força assim que ultrapassou 9,50 cents e com spread dezembro/ maio atingindo 11,55 cents, nível de fechamento mais elevado desde 1º de setembro.
No pregão de ontem, quando atingiu acima de 310,00 cents com spread dezembro/março ultrapassando 14 cents, começaram as vendas de origens limitando maiores alta, reduzindo o spread no intraday para 10,00 cents e fechando em 11,10 cents. Durante a semana, o spread dezembro/março teve forte alta de 55%, passando de 7,15 cents para 11,10 cents e o spread dezembro/maio teve alta de 45%, passando de 10,40 cents para 15,10 cents.
Nas analises durante a semana mencionei que a escassez de café de qualidade dos grãos de café do Brasil está começando a interferir na performance em NY com os comerciais emitindo alerta de "aversão a risco", antecipando as rolagens de posições, saindo das suas posições compradas no dezembro para meses futuros. Os contratos de abertos do dezembro estão em 75.566 lotes e março em 51.501 lotes. Tudo indica que nas próximas semanas devem ter forte queda no dezembro e pelas últimas informações deste final de safra, pode-se afirmar com mais de 90% de certeza, com a escasses de café de qualidade do Brasil, não será possível atender a todo os clientes no mercado internacional.
Os sinais de escassez de café de qulidade brasileiro começaram aparece no mercado, os estoques de certificados aumentaram 1.791 sacas, para 240.767 sacas, nível próximoo a mínima hitórica de 217.646 sacas registrada no mês passado. Na movimentção desta sexta-feira, 56,3% do café brasileiro foram rejeitadas, 4.450 sacas aprovadas e 5.736 sacas rejeitadas, Segunod um esperte em mercado, os traders brasileiro estão desperado, enviando café de baixa qauilidade para serm certificados na bolsa de NY para tentar aumentar os estoques.
Além do Brasil, que o principal produtor mundial de café arábica, a Colômbia, segundo maior produtor de café arábica, começa a sua colheita com muitas chuvas que pode comprometer a qualidade. Segundo informações de um corretor colombino, ultimamente tem chovido bastante neste começo de colheita nas regiões cafeeira da Colômbia, além de atrapalhar o andamento da colheita, está afetando a qualidade dos grãos. Segundo ele " Nos últimos 20 chuvas, as chuvas diminuíram, mas continua chovendo todos os dia, afetando bastante a qualidade do café, está fazendo muito calor e tem muita broca". A principal colheita de café na Colômbia começa entre setembro e dezembro (com pico de maior oferta entre novembro e dezembro), e o país também possui uma segunda safra menor, conhecida como Mitaca, que ocorre entre abril e agosto.
Segundo analista de mercado do Vietnã, os contratos futuros de café arábica dispararam para a maior cotação em um mês, à medida que os participantes do mercado demonstraram preocupação com a possibilidade de os baixos níveis de estoque não serem repostos tão rapidamente quanto o esperado. A crescente preocupação dos participantes do mercado é de que o fornecimento do Brasil, maior produtor mundial de café, não chegue aos armazéns da ICE a tempo do vencimento do contrato em dezembro, deixando os estoques em níveis muito baixos.
Segundo o Escritório Carvalhaes, os problemas climáticos - agora com a chegada do “El Niño” - que continuam trazendo insegurança quanto ao desenvolvimento da próxima safra de café nos principais países produtores, os baixos estoques globais, problemas políticos, com o petróleo em alta e juros altos, mais a queda dos embarques brasileiros de arábica no último mês de setembro, faz com que os produtores vendem no dia a dia apenas o necessário para cumprir os compromissos mais próximos, que são altos nesta época de final dos trabalhos de colheita e benefício de uma nova safra.
Nesta semana o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou um novo levantamento sobre a produção brasileira de café. O montante foi estimado foi 68,0 milhões de sacas. A produção de café arábica foi estimada em 46,3 milhões de sacas e canéphora foi 21,7 milhões de sacas.
Focando o café arábica, a colheita deste ano foi complicada e prejudicado devido clima e com continuidade das chuvas, centenas e centenas de produtores que ainda não terminaram colheita de variação abandonaram o trabalho. Fazendo uma somatória, as perdas foram enormes, pelos últimos dados a porcentagem pode superar 20%, reduzindo a produção de arábica entre 35 a 37 milhões de sacas, se for confirmado esta produção de arábica, podemos chegar a novo recorde histórico na bolsa de NY no primeiro semestre de 2027. Para relembrar, na safra 2024/2025 de café arábica foi estimado em cerca de 35,8 milhões de sacas e em fevereiro de 2025 a cotação em NY atingiu o recorde histórico de 4,34 cents.