Cotribá busca ‘blindagem de caixa’ com liquidação extrajudicial
Após a aprovação de sua dissolução voluntária e o início do processo de liquidação extrajudicial continuada, a diretoria da cooperativa Cotribá, de Ibirubá (RS), detalhou nesta quarta-feira (21/10), em entrevista coletiva, seu plano de reestruturação.
Com um passivo acumulado estimado em cerca de R$ 1,4 bilhão junto a instituições financeiras, fundos de investimento e produtores rurais, a cooperativa mais antiga do Brasil - fundada em 1911 - busca uma alternativa viável para proteger seu patrimônio e dar sustentabilidade ao negócio.
O início do processo de liquidação extrajudicial continuada foi aprovado nesta terça-feira (20/10) em assembleia geral extraordinária. A medida foi adotada após o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (TJ-RS) rejeitar o pedido de recuperação judicial formulado pela entidade, por entender que sua natureza jurídica a impede de utilizar a Lei de Falências e Reestruturações (Lei nº 11.101/2005).
O atual presidente da Cotribá, Sergio Strentzke, assumiu a função de presidente liquidante para gerir a transição e a reorganização dos ativos. Ele atuará em conjunto com um conselho fiscal eleito — composto por três membros titulares (Paulo Prediger, Márcio Ribamar Garmatz e Ingo Alert) e três suplentes —, além do apoio do departamento jurídico e de consultorias especializadas.
Ao contrário de uma liquidação judicial tradicional, que busca a extinção imediata da empresa, o modelo com continuidade operacional preserva o CNPJ da Cotribá e mantém os mais de 60 pontos de negócios no Estado em pleno funcionamento. O processo jurídico permite a suspensão das cobranças de dívidas por 12 meses, prorrogáveis por mais 12, garantindo fôlego para a reorganização financeira. Com a mudança, a cooperativa passa a adotar a expressão "em liquidação" em sua razão social e contratos.
Segundo Strentzke, a entrada no regime de liquidação extrajudicial garante uma "blindagem de caixa" indispensável para restabelecer o fluxo operacional, suspendendo execuções e bloqueios judiciais imediatos que vinham sufocando as contas da entidade.
"Nós não tínhamos outra possibilidade de dar sequência à nossa cooperativa sem essa solução. Não me deram um cheque em branco; a gestão na prática será compartilhada. Nosso primeiro passo é organizar essa estrutura, dar garantias aos parceiros comerciais e intensificar a atuação na fábrica de rações e no recebimento de grãos", afirmou.
Strentzke assegurou aos produtores e associados que a entrega da safra agrícola de soja, milho e trigo, bem como o recebimento de leite e o funcionamento dos supermercados, continua garantida e sem risco de retenção por arrestos judiciais. Atualmente, a Cotribá possui mais de 11 mil associados. Além disso, a participação acionária da Cotribá na Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL) não será vendida. Devido a regras estatutárias, o desligamento renderia menos de R$ 500 mil.