Sendo um país tradicionalmente consumidor de chá, a China ficou atrás dos países ocidentais e de muitas regiões vizinhas na Ásia no que diz respeito ao consumo de café. No entanto, com a crescente popularidade do café entre as gerações mais jovens, o país tem recuperado terreno rapidamente: em 2025, o consumo médio anual de café per capita subiu para quase 29 xícaras, um aumento de cerca de 70% em relação a apenas dois anos antes. Hoje, muitos especialistas consideram a China um dos mercados de café mais promissores, com uma receita projetada para o segmento de café no país superior a 15 bilhões de dólares americanos em 2025.
Cultivo e comércio de café na China
A China é um país relativamente novo no que se refere ao cultivo de café. No século XIX, missionários franceses introduziram o café na província de Yunnan, no sul da China, que, desde então, tornou-se a principal região produtora de café do país, respondendo pela grande maioria da produção nacional. Enquanto o Vietnã, seu vizinho, figura entre os maiores produtores de café do mundo, o volume de produção da China permaneceu abaixo de dois milhões de sacas de 60 kg na safra 2024/25 — uma pequena fração da produção global.
Como resultado, a crescente demanda por café no país continua fortemente dependente de importações. Em 2025, o Brasil foi, mais uma vez, o maior parceiro da China na importação de café (em valor), fornecendo o equivalente a mais de 500 milhões de dólares americanos, seguido de perto pela Etiópia, Colômbia e Vietnã. Durante a safra encerrada em setembro de 2025, as importações chinesas de café verde atingiram mais de três milhões de sacas — um volume muito superior ao registrado há uma década.
Consumo de café na China
Durante décadas, o café solúvel manteve sua predominância no mercado chinês graças ao seu preço acessível e à sua praticidade. Esse equilíbrio mudou drasticamente, à medida que um número crescente de consumidores amplia seu conhecimento, seu paladar e sua apreciação por produtos de qualidade superior: estima-se que as vendas no varejo de café moído na hora ultrapassarão 125 bilhões de yuans em 2025 — um volume mais de sete vezes superior ao das vendas de café solúvel, que, no mesmo ano, ficaram pouco acima de 17 bilhões de yuans. O número de cafeterias na China tem crescido em um ritmo acelerado, com estabelecimentos independentes coexistindo com uma onda crescente de redes de cafeterias. Nos últimos anos, observou-se um aumento no número de redes de cafeterias que entraram no mercado chinês, e a expectativa é que elas ampliem ainda mais sua participação no mercado. De longe, a Luckin Coffee permanece como a maior vendedora de café moído na hora na China, operando atualmente pais de 36 mil lojas por todo o país.
A proliferação de novas cafeterias e a popularidade de aplicativos de entrega de café tornaram a bebida não apenas extremamente acessível nas áreas urbanas da China, mas também uma tendência, especialmente entre os jovens profissionais. Embora a sociedade chinesa tenha uma tradição fortemente ligada ao consumo de chá, seus habitantes estão cada vez mais abertos a influências internacionais, marcas estrangeiras e novas experiências, transformando o mercado de café em uma oportunidade altamente promissora.