Mostra de Cafés Especiais de Guaçuí (ES) divulga produtores vencedores
O cafeicultor Bernardo Nasser Lamas, de 32 anos, conquistou o primeiro lugar na VII Mostra de Cafés Especiais de Guaçuí, realizada no sábado (17). A vitória teve um significado especial para o produtor. Em 2025, ele participou da competição, mas não alcançou os 80 pontos necessários para classificar seu café como especial. Um ano depois, voltou ao concurso e conquistou o título.
“Sinceramente, estou muito surpreso e grato. No ano passado, por conta de eu ter sido eliminado, poderia ter desanimado e falado que não ia mexer mais com isso. Mas, pelo contrário, insisti e consegui chegar à primeira colocação”, contou Bernardo.
A história do vencedor também envolve uma mudança de vida. Natural de Guaçuí, Bernardo deixou o município ainda criança e cresceu em Vitória. Entretanto, o interesse pela cafeicultura surgiu quando seu pai começou a produzir cafés especiais para consumo próprio, com incentivo do extensionista do Incaper Maxwel Assis de Souza.
Inicialmente, Bernardo visitava a propriedade uma vez por mês para acompanhar o cultivo. Depois, decidiu voltar definitivamente para Guaçuí. Em 2021, ingressou no curso de cafeicultura do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), que concluiu em 2023. Com uma pequena área cedida pelo pai, começou a desenvolver a própria produção.
Além de Bernardo, a mostra premiou Eunice Silva, em segundo lugar; Dhanyel Polido, em terceiro; Vanderlei Silva, em quarto; e Julimar Furtado Ferreira, em quinto. A classificação também revelou uma curiosidade familiar: Dhanyel é filho de Rose, vencedora da edição de 2025.
Outro destaque foi a participação de agricultores assentados. Segundo o secretário municipal de Agricultura, Julinho Tererê, dois produtores de assentamentos conquistaram posições entre os cinco melhores. Além disso, Eunice Silva e Vanderlei Campos da Silva, que são casados, alcançaram o segundo e o quinto lugares, respectivamente.
Julinho Tererê, secretário municipal de Agricultura de Guaçuí, comemora os resultados da mostra e destaca a qualidade dos cafés produzidos por agricultores familiares e assentados (Foto: Kátia Quedevez)
“Acredito no produtor rural, acredito que a agricultura familiar é a maior riqueza que nós temos no nosso município”, afirmou o secretário.
Para Julinho, a evolução da cafeicultura especial também reflete o acesso dos agricultores à informação e à avaliação técnica. Atualmente, o município conta com uma pequena sala de provas, onde os produtores conseguem conhecer melhor as características e a qualidade de seus cafés.
O extensionista do Incaper e coordenador do projeto Cafeicultura Sustentável do Estado do Espírito Santo, Maxwel Assis de Souza, destacou que os resultados ganharam ainda mais importância diante dos desafios enfrentados pelos produtores em 2026.
Segundo ele, as condições climáticas prejudicaram a produção de cafés especiais em diferentes regiões brasileiras. Em Guaçuí, os cafeicultores enfrentaram problemas relacionados à umidade, ao tamanho dos grãos e à falta de uniformidade, fatores que interferem na qualidade final da bebida.
“Foi um ano muito difícil para a produção de cafés especiais. Mesmo assim, esse grupo de produtores topou não deixar de participar da mostra, trazendo os seus cafés”, ressaltou.
Maxwel também destacou o avanço da organização dos agricultores. A Associação de Produtores Rurais Unidos de Guaçuí (Aprug) assumiu a realização do evento, enquanto o Incaper, a Secretaria Municipal de Agricultura, o Senar e o Sebrae ofereceram apoio.
“A gente quer, daqui para frente, que o protagonismo seja da associação, seja do grupo de produtores, e que as instituições abracem, apoiem e ajudem a construir essa cafeicultura especial em Guaçuí”, afirmou.
A presidente da Aprug, Tânia Maria Salgado Gravel, acompanha a trajetória da entidade desde sua fundação, há mais de 20 anos. Inicialmente, um pequeno grupo de apicultores criou a associação para fortalecer a produção de mel. Com o passar do tempo, entretanto, a organização ampliou suas atividades e passou a incorporar a cafeicultura especial.
Tânia Maria Salgado Gravel, presidente da Associação de Produtores Rurais Unidos de Guaçuí (Aprug), destaca o crescimento da cafeicultura especial e o fortalecimento da agricultura familiar no município (Foto: Kátia Quedevez)
Tânia preside a entidade há mais de uma década. Ela também atua como produtora rural no Sítio Gravel, a cerca de 15 quilômetros da sede de Guaçuí, onde trabalha com mel, frutas e café. Recentemente, a propriedade recebeu um reconhecimento por suas práticas de sustentabilidade.
“Com esse movimento dos cafés especiais, o que a gente fez? Nós somamos. E como a associação já existia, estava toda ali, com a parte burocrática, esse movimento foi crescendo”, explicou.
A VII Mostra de Cafés Especiais aconteceu no Centro de Convivência da Terceira Idade, no Parque de Exposições de Guaçuí. A programação reuniu apresentação dos produtores, degustação, divulgação dos resultados e premiação. O evento também contou com uma palestra sobre o café como atrativo para o turismo rural.
Agora, os organizadores esperam ampliar a participação dos agricultores na oitava edição, prevista para 2027. Para o Incaper, o crescimento da mostra reforça o potencial de Guaçuí e da região do Caparaó na produção de cafés especiais, tanto arábica quanto conilon.